Campeões, pioneiros e até figuras de bastidores: a lista de Honras de Ano Novo voltou a cruzar-se com a história da F1, ainda que, nem todos, conseguissem chegar ao mesmo patamar.
A F1 não vive apenas de vitórias em pista, títulos mundiais ou estatísticas repletas de dados. Ao longo das largas décadas, desde o seu aparecimento, algumas das suas figuras mais influentes foram reconhecidas fora do paddock, através das distinções atribuídas pela Coroa Britânica, nas tradicionais Honras de Ano Novo. Entre pilotos lendários, dirigentes históricos e protagonistas dos bastidores, cinco nomes da F1 alcançaram o estatuto de Sir, enquanto outro ficou apenas a um pequeno passo desse patamar de excelência.
Lewis Hamilton: cavaleiro em plena era moderna da F1
Lewis Hamilton foi nomeado Sir em 2021, numa altura particularmente simbólica da sua carreira. A distinção chegou poucos dias depois da polémica decisão que o afastou do título mundial frente a Max Verstappen, em Abu Dhabi, encerrando uma das temporadas mais debatidas da história recente da F1. O piloto britânico continua a partilhar o recorde absoluto de títulos mundiais — sete — com Michael Schumacher, sendo também uma das figuras mais influentes do desporto a nível social, mediático e cultural. A sua nomeação destacou os feitos do britânico não apenas os resultados em pista, mas também o que para fora dela representa, numa era em que a F1 se tornou e torna cada vez mais global e transversal.
On this day, 4 years ago, Sir Lewis Hamilton was Knighted for his services to motorsport, becoming the first F1 driver to receive the honor while still racing.pic.twitter.com/yf9WeRWxlh
— deni (@fiagirly) December 15, 2025
Jack Brabham: o cavaleiro que construiu a sua própria glória
Jack Brabham é um nome que, provavelmente, é desconhecido por muitos, mas um que ocupa um lugar muito singular na história do campeonato e numa década em particular, corria o ano de 1966. Tricampeão mundial, o australiano tornou-se célebre por conquistar um dos seus títulos ao volante de um monolugar com o seu próprio nome e fabricado pelo próprio — um feito que permanece, até aos dias de hoje, inigualado. A nomeação como Knight Bachelor chegou nove anos após a sua retirada, em 1979, reconhecendo uma carreira de 15 anos marcada por inovação técnica, consistência competitiva e uma abordagem que podemos quase classificar como “artesanal” à F1 de outros tempos.

Stirling Moss: excelência sem título mundial
Stirling Moss é um caso raro — e até paradoxal — no desporto automóvel. Nunca conquistou um Campeonato do Mundo, mas recebeu o título de Sir graças a uma carreira marcada por regularidade ao mais alto nível. Com umas impressionantes 16 vitórias em Grandes Prémios, ao longo de dez temporadas, Moss foi durante anos o principal adversário dos campeões da sua geração. A distinção acabou por sublinhar que, na F1, mas também em vários outros desportos ou modalidades, nem sempre o reconhecimento se mede apenas com troféus conquistados.

Jackie Stewart: o campeão que mudou a segurança na F1
Jackie Stewart venceu três títulos mundiais, antes de se retirar em 1973, mas o seu impacto mais duradouro surgiu fora do cockpit. Stewart lutou de forma incansável por melhores condições de segurança, acabando por transformar a F1, numa altura em que o risco era encarado como inevitável e algo perfeitamente aceitável. Foi nomeado cavaleiro 28 anos depois de pendurar o capacete, tornando-se uma presença constante nos circuitos até hoje. É frequentemente visto nas grid walks de Martin Brundle, mantendo uma ligação ativa ao desporto que ajudou a moldar.

Ron Dennis: distinção pelo que construiu fora da pista
Ao contrário dos pilotos, Ron Dennis recebeu a distinção não apenas pelo percurso na F1, mas pelo seu contributo mais vasto para a indústria e a filantropia. Enquanto líder da McLaren, esteve associado a alguns dos períodos mais bem-sucedidos da equipa, mas foi o seu trabalho em áreas como a análise de dados e a solidariedade que pesou na atribuição do título. A fundação da Podium Analytics e o envolvimento com a instituição de caridade Tommy’s estiveram no centro do reconhecimento oficial.

Christian Horner: um passo abaixo do título de cavaleiro
Christian Horner surge como o nome mais recente desta ligação entre a F1 e as Honras de Ano Novo. Em 2024, o antigo chefe de equipa da Red Bull Racing foi distinguido com o título de Commander of the Order of the British Empire (CBE), um grau imediatamente abaixo da nomeação como Sir. A distinção chegou pouco antes de um momento decisivo da sua carreira. Após 20 anos à frente da Red Bull, Horner foi afastado da equipa em julho de 2025, numa das decisões mais marcantes da última década da F1. Aos 52 anos, o dirigente aponta agora ao regresso ao paddock em 2026, mantendo-se como uma das figuras mais influentes do desporto.

Quando a F1 ultrapassa o cronómetro
Estas distinções mostram como a modalidade vai muito para além dos fins de semana de corridas. Seja através de títulos mundiais, contributos técnicos, impacto social ou liderança estratégica, estas personalidades deixaram marcas significativas no desporto em geral e na F1 em particular, que ultrapassam décadas de gerações e mudanças significativas nos campeonatos — marcas que continuam a ser reconhecidas ao mais alto nível institucional.











