Uma negociação quase esquecida, revela como o atual líder do campeonato, Lando Norris, esteve a um passo de seguir um caminho totalmente diferente — e as implicações que tal escolha poderiam ter trazido para o mundial de F1.
Lando Norris é hoje uma das figuras mais influentes da F1 moderna. Líder do Mundial de 2025 com duas corridas por disputar e pilar central do projeto competitivo da McLaren, o britânico tornou-se sinónimo de estabilidade, talento e compromisso com a equipa de Woking. Mas a história podia ter tomado um rumo radicalmente distinto.
Um talento identificado cedo — e disputado
Lando Norris entrou no radar da McLaren muito jovem. Após conquistar o Europeu de Fórmula 3, foi contratado como piloto de testes e reserva aos 17 anos, com Zak Brown a descrevê-lo como “um talento excecional” e “um dos melhores jovens pilotos do mundo”. O resto é conhecido: promoção ao lugar de titular, crescimento contínuo e a atual luta pelo título de 2025. Mas, enquanto este percurso ganhava forma em Woking, nos bastidores outra gigante do paddock movia-se.
Novas declarações de Helmut Marko — o arquiteto do programa de jovens pilotos da Red Bull — revelam que Norris esteve muito perto de vestir as cores da equipa taurina, numa decisão que, caso tivesse avançado, teria reescrito capítulos inteiros do atual panorama da F1.
Red Bull tentou contratá-lo — mais do que uma vez
No podcast Beyond The Grid, Helmut Marko confirmou que manteve “negociações numa fase muito inicial” com Lando Norris. E deixou no ar um pormenor revelador: “Teria encaixado muito bem na Red Bull. Chegámos a negociar, mas no final não o conseguimos.” A revelação desenterra um episódio que, até agora, parecia apenas rumor. Marko, responsável por descobrir nomes como Sebastian Vettel e Max Verstappen, admitiu que Norris era um alvo desejado — e quase garantido. Christian Horner, ex-chefe de equipa, já tinha deixado escapar algo semelhante em 2022: “Falámos com Lando algumas vezes, mas sempre que conversávamos, ele renovava com a McLaren no dia seguinte.” Dito de outra forma, Norris foi várias vezes sondado… e várias vezes escolheu ficar.
Por que razão Lando Norris nunca saiu?
A resposta estava na relação com a McLaren. Quando renovou em 2022, o britânico explicou: “As equipas são sobre pessoas. Adoro as pessoas da McLaren e sinto-me em casa aqui. Cresci nesta equipa e faço parte desta jornada.” Esta ligação emocional — rara num ambiente tão pragmático como o da F1 — terá sido decisiva para recusar as investidas da Red Bull, mesmo quando esta garantia carros vencedores.
4th and back in a good place! Missing out on 3rd kinda sucks, would have loved that, but car feels good and excited to try more tomorrow! pic.twitter.com/9AIiUQdCk5
— Lando Norris (@LandoNorris) September 10, 2021
Como teria sido a F1 se Lando Norris tivesse ido para a Red Bull?
A hipótese ganha ainda mais peso em 2025, ano em que McLaren e Red Bull lutam diretamente pelo título. A presença de Norris ao lado de Max Verstappen poderia ter alterado:
- O equilíbrio interno da Red Bull, historicamente construído em torno de um líder claro.
- O desenvolvimento dos carros mais recentes, tendo em conta o estilo de condução muito diferente de Norris.
- O mercado de pilotos, que teria visto McLaren procurar um substituto num período altamente competitivo.
Mais ainda: o atual Mundial de 2025, disputado ponto a ponto entre Norris, Piastri e Verstappen, poderia apresentar um cenário totalmente distinto — talvez até com Norris e Verstappen na mesma equipa, redefinindo a dinâmica de rivalidade. É um mundo de “e se”, mas não deixam de ser questões que quando colocadas em perspetiva na temporada atual, são pragmaticamente reais.
Hoje, a história escreve-se de outra forma
A decisão de permanecer na McLaren transformou Lando Norris numa peça central da reconstrução da equipa e, agora, num candidato claro ao título. A Red Bull, por sua vez, acabou por concentrar o projeto em Verstappen, mantendo a sua estrutura focada num único líder. O que poderia ter sido uma das duplas mais explosivas da história recente da F1 nunca saiu do papel, mas regressa agora ao debate, precisamente num momento em que Norris está à beira de conquistar o seu primeiro campeonato. E tudo porque, nas palavras de Christian Horner, “sempre que falavam com ele, ele renovava no dia seguinte”.











