Presidente norte-americano voltou a entrar em rota de colisão com a estrela da NBA, numa rivalidade que se prolonga há quase uma década
A saída de LeBron James dos Los Angeles Lakers, confirmada com a mudança para os Philadelphia 76ers, já seria suficiente para agitar a NBA. Mas a transferência do jogador de 41 anos acabou por ganhar uma dimensão política depois de Donald Trump ser questionado sobre a comparação entre a estrela norte-americana e Michael Jordan. A resposta do presidente dos Estados Unidos não passou despercebida.
“Bem, Michael Jordan é um tipo que é um amigo meu. Eu penso que LeBron James talvez seja um racista, mas talvez não goste de Trump. Eu não sei, mas eu só gosto de pessoas que gostam de mim, por isso, optaria por Michael Jordan, sem dúvida”, atirou Trump, numa conferência de imprensa na Casa Branca.
A declaração reacende uma relação particularmente tensa entre os dois. O primeiro grande episódio remonta a 2017, quando Trump criticou Stephen Curry e os Golden State Warriors depois de a equipa ter rejeitado a tradicional visita à Casa Branca na sequência da conquista do título. LeBron saiu então em defesa do colega e dirigiu fortes críticas ao presidente norte-americano.
Um ano mais tarde, o jogador voltou a abordar o tema numa entrevista à CNN, manifestando preocupação com o rumo dos Estados Unidos. “Neste momento, na América, estamos numa posição em que este tipo de corrida tomou conta de tudo, porque penso que o nosso presidente está a tentar dividir-nos. Ele está a dividir-nos, e aquilo que eu reparei, ao longo dos últimos meses, é que ele está como que a usar o desporto para nos dividir”, afirmou na altura.
Trump respondeu através das redes sociais e também não poupou nas palavras: “LeBron James acabou de ser entrevistado pelo homem mais burro da televisão, Don Lemon. Ele fez o LeBron James parecer inteligente, o que não é fácil de se fazer. Gosto do Mike!”. A troca de críticas entre ambos ficou, desde então, como um dos capítulos mais conhecidos da relação entre o presidente e uma das maiores figuras do desporto norte-americano.
Agora, a mudança de LeBron para os Philadelphia 76ers volta a colocar o jogador no centro das atenções. Depois de representar os Lakers desde 2018, o basquetebolista assinou um contrato válido por duas épocas, com mais uma de opção, permanecendo em Los Angeles o filho, Bronny James.
O próprio LeBron explicou entretanto que a decisão esteve longe de ser imediata. “Eu achava que estava acabado, quando a temporada terminou. Não estava preparado para anunciá-lo, e sabia que precisava de algum tempo para decidir verdadeiramente, mas estava bastante certo de que tinha feito o meu último jogo.”
O veterano acrescentou que precisou de perceber se ainda mantinha a mesma ligação ao basquetebol. “Eu fui honesto, naquela última conferência de imprensa, quando disse que precisava de tomar conta de mim mesmo e decidir se ainda amava este desporto. Ainda amo verdadeiramente este desporto, e tenho mais para dar. As últimas semanas foram verdadeiramente especiais. Nunca consegui ter uma ideia daquilo que iria fazer e tirar um verdadeiro tempo para, simplesmente, pensar.”
A ambição, garante, continua intacta. “Não jogo pelo dinheiro. Não jogo pela família. Por que estou verdadeiramente a jogar, nesta altura? Ainda quero sacrificar-me. Ainda quero trabalhar. Ainda quero lutar. Ainda quero competir, vencer e ter uma oportunidade de saborear a sensação de vencer outro campeonato”, escreveu.
LeBron acredita que ainda pode ser decisivo na luta pelo título e vê nos 76ers o palco para essa última etapa da carreira. “Acredito que consigo ajudar a tornar os Philadelphia 76ers numa equipa de campeonato, e estou muito entusiasmado por dar energia a uma nova massa adepta e por começar esta incrível caminhada, uma última vez. Obrigado, Los Angeles. Vou amar para sempre Miami, e Northeast Ohio vai sempre ser a minha casa”, concluiu.









