Técnico português optou por uma abordagem mais abrangente, evitando tecer comentários ao caso em concreto
O treinador português Abel Ferreira pronunciou-se sobre o alegado episódio de racismo que envolveu Vinícius Jr. no encontro entre o Benfica e o Real Madrid, relativo ao play-off da UEFA Champions League, disputado na passada terça-feira.
Recorde-se que o avançado brasileiro acusou o argentino Prestianni de lhe ter dirigido um insulto racista — alegadamente a palavra “macaco” — durante os momentos de tensão que se seguiram ao golo apontado pelo camisola 7 dos merengues, perto dos 50 minutos, no Estádio da Luz. O incidente levou à interrupção da partida durante cerca de dez minutos, ao abrigo do protocolo antirracismo da UEFA.
Confrontado com a situação, o técnico do Palmeiras optou por uma abordagem mais abrangente, evitando tecer comentários ao caso em concreto e centrando-se naquilo que considera ser um problema estrutural da sociedade. “Não gosto de fazer julgamentos, porque não sou juiz nem tenho essa competência. Eu defendo valores, defendo respeito, defendo a dignidade humana, defendo a justiça, defendo a educação, defendo a solidariedade”, afirmou.
Abel Ferreira sublinhou que episódios desta natureza não podem ser vistos apenas como uma questão ligada ao futebol. “Vivemos uma crise de valores. E quando falo de sociedade, falo de todos nós. Não é um problema exclusivo do futebol, é um reflexo do que se passa fora dele. O lema ‘todos somos um’, que utilizo no Palmeiras, é mais do que uma frase — é uma forma de estar na vida. Precisamos de respeito e entreajuda”, salientou.
Abel Ferreira, sobre o caso de racismo sofrido por Vini Jr. na partida contra o Benfica.
— LIBERTA DEPRE (@liberta___depre) February 22, 2026
"O racismo não é um problema do futebol, é uma problema da nossa sociedade. Estamos na pior fase dos valores humano."
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O treinador português lamentou ainda aquilo que considera ser uma tendência para o debate constante sem consequências práticas. “Acredito que ninguém está contente com o que aconteceu, nem o lado A nem o lado B. Infelizmente falamos muito, debatemos muito, colocamos opiniões como verdades absolutas, e fazemos muito pouco. No ano passado passaram-se coisas gravíssimas aqui e o que aconteceu? Que ações tomámos? É a minha opinião, para mim estamos na pior fase dos valores humanos”, prossegui o português.
Apesar da posição crítica, Abel Ferreira reforçou que não pretende antecipar conclusões sobre o caso específico, que deverá ser alvo de averiguações. “Não julgo casos, sou um defensor de valores, e nós como sociedade caminhamos a passos largos, se não forem tomadas medidas, para algo que é inacreditável. Não tenho muita informação sobre esse caso específico. Acho que vai ser julgado, não sei o que se passou. Não julgo, porque não tenho fundamentos. Nós, como sociedade, estamos aquém do que podemos fazer. Mais do que falar, temos de fazer”











