Bernardo Topa ficou cego de um olho durante os festejos do bicampeonato do Sporting, em maio de 2025. Mais de um ano depois, acusa o clube de não ter cumprido as promessas de apoio e garante sentir-se “esquecido” e “enganado”.
Mais de um ano depois da noite que mudou a sua vida, Bernardo Topa voltou a falar sobre o incidente que o deixou sem um olho durante os festejos do bicampeonato do Sporting, em maio de 2025.
O adepto leonino recorreu às redes sociais para fazer um longo desabafo e deixou duras críticas à direção liderada por Frederico Varandas, acusando o Sporting de não lhe ter dado o acompanhamento que esperava depois do episódio.
“Um dia de festa ficará marcado como um episódio traumático”
Bernardo recordou a madrugada de 18 de maio de 2025, quando foi atingido durante uma intervenção da PSP junto ao autocarro do Sporting.
“Um dia de festa e de celebração ficará para sempre marcado em mim como um episódio traumático.”
O adepto descreveu de forma emocionada aquilo que viveu naquela noite.
“No lugar do olho fiquei com um buraco. Lembro-me de levar as mãos à cara, correr desamparado e esvaziar-me em sangue, enquanto os festejos prosseguiam.”
Para Bernardo, a situação é ainda mais difícil de aceitar por ter acontecido quando apenas tinha saído de casa para celebrar a conquista do clube.
Recorda apoio prometido por Varandas
Após o incidente, Bernardo Topa recebeu a visita de Frederico Varandas no hospital, bem como de Gonçalo Vilela Santos, diretor de comunicação do Sporting.
Segundo o adepto, nesse momento foi-lhe transmitida a garantia de que o clube iria acompanhar a situação e encetar diligências junto das autoridades.
Mais de um ano depois, Bernardo questiona aquilo que considera ter sido a ausência desse acompanhamento.
“Passado mais de um ano, a pergunta que fica é: o que é estar comigo?”
O adepto considera insuficiente o apoio que recebeu posteriormente.
“É oferecer uns artigos da loja verde e um convite à tribuna, este último que tive de relembrar pois já tinha sido esquecido.”
“Sinto-me esquecido” e “enganado”
Bernardo conta que tentou novamente estabelecer um diálogo com o clube, mas afirma que as suas pretensões acabaram por ser recusadas.
Segundo o relato, foram apresentadas várias justificações, entre elas a possibilidade de criar precedentes relativamente a outros pedidos de ajuda de sócios.
“Não tive qualquer tipo de apoio ou acompanhamento da situação que acreditei ter.”
O adepto admite que a situação lhe deixou sentimentos de profunda desilusão.
“Sinto-me esquecido.”
E acrescenta:
“Sinto-me enganado.”
Fundação Sporting também foi contactada
Bernardo revela ainda que procurou ajuda junto da Fundação Sporting, mas garante ter recebido como resposta que o plano estratégico da instituição não contemplava as áreas para as quais pedia apoio.
A situação deixou-o perplexo.
“Que áreas de apoio são essas então? Para que nos pedem para consignar o IRS todos os anos?”
O adepto reconhece que o Sporting não é uma instituição de solidariedade social, mas considera que o clube dispõe de estruturas que poderiam ter contribuído para o apoiar.
“Gastei milhares de euros”
O impacto da perda do olho ultrapassou a dimensão emocional.
Bernardo explica que conseguiu retomar a atividade profissional, mas revela ter suportado despesas elevadas com o processo de recuperação.
“Gastei milhares de euros em consultas, cirurgias, reconstrução estética e nas próteses que agora terei de usar.”
O adepto afirma ainda que vive com uma incapacidade permanente e que continua a enfrentar consequências psicológicas.
“Enfrento também uma depressão reativa, para a qual sou acompanhado.”
Pedido dirigido ao Sporting
Apesar de toda a revolta, Bernardo garante que continua a apoiar o Sporting.
O que pretende, explica, é que o clube reflita sobre a forma como acompanha os seus adeptos quando estes enfrentam situações de extrema gravidade relacionadas com acontecimentos do próprio clube.
“Em futuros acontecimentos semelhantes, que o clube procure acompanhar e apoiar verdadeiramente quem sofre consequências tão graves.”
Bernardo deixa ainda uma mensagem que pretende colocar a situação numa perspetiva diferente.
“Naquele dia fui eu, mas podia ter sido um de vós, um filho, um pai, um neto ou um avô.”
Processo ainda não terminou
No final do seu longo desabafo, o adepto esclarece que o caso continua sem desfecho.
Segundo Bernardo Topa, o inquérito interno e o processo-crime ainda se encontram em fase de inquérito.
As declarações agora divulgadas representam a posição do adepto sobre o acompanhamento que recebeu do Sporting após o incidente.











