O lendário Estádio San Siro, palco de algumas das maiores noites do futebol mundial, prepara-se para desaparecer. Após uma maratona de 12 horas de debate, a Câmara Municipal de Milão aprovou, na madrugada desta terça-feira, a venda do Estádio Giuseppe Meazza ao Inter e ao Milan, abrindo caminho para a sua demolição quase 100 anos após a inauguração.
A proposta conjunta dos dois clubes, avaliada em 197 milhões de euros, foi aprovada por 24 votos a favor e 20 contra, num momento que marca o fim de uma era e o início de um novo capítulo na história do futebol italiano.
Fim de um símbolo centenário
O San Siro, inaugurado em 1926, será demolido após acolher a cerimónia inaugural dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, encerrando um ciclo de quase um século como casa partilhada por Inter e Milan. A demolição deverá começar em 2027, sendo que 90% da estrutura atual será removida, para dar lugar a um novo estádio.
O projeto prevê a construção de uma arena moderna, com 71.500 lugares, inspirada nos grandes estádios europeus e com foco em conforto, sustentabilidade e acessibilidade. A nova casa dos dois gigantes milaneses ficará no espaço atualmente ocupado pelo parque de estacionamento do Meazza, o que permitirá que as equipas continuem a jogar no local até à conclusão das obras.
Um projeto com assinatura de renome
O novo recinto será desenhado pelos prestigiados arquitetos Norman Foster e David Manica, que prometem criar um estádio “icónico e adaptado ao futuro”. A estrutura incluirá áreas comerciais, zonas verdes e uma fan zone, num conceito que vai muito além do futebol.
O objetivo é que o novo estádio esteja pronto até 2032, coincidindo com o centenário da inauguração do San Siro, que será assim substituído por uma arena que pretende preservar o legado de um dos palcos mais emblemáticos do futebol mundial.
Corrida contra o tempo
A decisão da autarquia impõe um prazo de 40 dias para finalizar os detalhes da transação. Caso o processo não seja concluído até 10 de novembro, entrará em vigor uma restrição de interesse cultural que poderá travar a demolição da segunda bancada do estádio.
Um adeus carregado de emoção
O San Siro é mais do que um estádio. Foi casa de épicos derbies de Milão, de conquistas europeias e de momentos lendários protagonizados por nomes como Maldini, Zanetti, Kaká, Ronaldo ou Ibrahimovic. A sua demolição simboliza o fim de uma era dourada, mas também o início de uma nova ambição para Inter e Milan, que procuram adaptar-se à modernidade do futebol europeu.
“É o fim de um mito e o nascimento de um novo símbolo”, resumiu um dos vereadores presentes na sessão.
Com esta decisão, Milão despede-se de um dos seus maiores ícones — um templo onde se escreveu grande parte da história do futebol mundial.









