A saída de Cristiano Ronaldo da Seleção poderá representar muito mais do que o fim de uma era dentro das quatro linhas. Além do peso desportivo, o capitão é visto como um dos principais motores da projeção internacional do futebol português e da capacidade da Federação Portuguesa de Futebol gerar receitas, numa altura em que o avançado já confirmou ter disputado o sexto e último Mundial da carreira.
Federação desafiada a preparar o pós-Ronaldo
Daniel Sá, diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), acredita que a saída de Ronaldo deixará um vazio difícil de colmatar e avisa que “vai ser um drama quando ele sair”, devido à atenção mediática que Portugal poderá perder. Na opinião do especialista, o impacto da marca do internacional português é muito superior ao da própria Seleção do ponto de vista comercial.
Perante esse cenário, o responsável defende que a Federação Portuguesa de Futebol deve começar desde já a preparar uma estratégia para o período pós-Ronaldo. Daniel Sá lembra que o capitão tem sido determinante para a valorização comercial da equipa nacional e sublinha que a FPF “não pode estar dependente de uma pessoa só”, apelando à construção de uma nova narrativa para continuar a atrair patrocinadores e adeptos.
Marca continuará a crescer além dos relvados
Apesar de admitir que a Seleção perderá uma das suas maiores referências, Daniel Sá considera que a marca Cristiano Ronaldo continuará a expandir-se após o final da carreira. O diretor-executivo do IPAM recorda que a dimensão do jogador já ultrapassa o futebol e afirma que “essa marca continuará a crescer”, destacando a influência nas redes sociais, os contratos publicitários e os investimentos em diferentes setores.
Portugal terminou o Mundial 2026 nos oitavos de final, ao ser eliminado pela Espanha, resultado que ficou aquém das expectativas criadas antes da competição. Ainda assim, Daniel Sá admite que o interesse pelo torneio se manteve após a saída da Seleção, lembrando que um estudo do IPAM estimava um impacto económico de 561 milhões de euros caso a equipa chegasse a essa fase da prova.
O mesmo estudo concluiu que 23% desse impacto económico depende dos meios digitais, refletindo a forma como os adeptos acompanham atualmente o futebol. Para Daniel Sá, “as pessoas consomem futebol de outra maneira e cada vez mais fora dos 90 minutos”, uma realidade que continuará a impulsionar receitas muito para além do que acontece dentro de campo.











