Afonso Eulálio deu mais um passo gigantesco rumo à conquista da camisola branca do Giro d’Italia. O português da Bahrain Victorious resistiu ao ataque do rival direto Davide Piganzoli na exigente etapa de montanha até Piancavallo e terminou o dia ainda mais perto de garantir o título de melhor jovem da corrida.
Ataque italiano encontrou resposta portuguesa
A penúltima etapa do Giro ligou Gemona del Friuli a Piancavallo ao longo de 200 quilómetros e incluía uma duríssima subida final de primeira categoria. Eulálio partiu com 1.03 minutos de vantagem sobre Piganzoli na classificação da juventude e sabia que teria de defender cada segundo.
O italiano lançou a ofensiva na subida decisiva e chegou a aproximar-se perigosamente do português. No entanto, quando a corrida parecia mais complicada para o corredor da Figueira da Foz, surgiu uma reação impressionante nos quilómetros finais.
A dois quilómetros da meta, Afonso Eulálio contra-atacou, deixou Piganzoli para trás e aumentou ainda mais a vantagem sobre o adversário direto. No final da etapa, o português foi sétimo classificado, a 2.03 minutos do vencedor Jonas Vingegaard, enquanto o rival italiano perdeu mais 13 segundos.
“Apenas tentei sobreviver”
No final, Eulálio não escondeu o desgaste acumulado após quase três semanas de competição. “Foi uma loucura, sofri tanto nestas três semanas, mas chegámos ao final com alguma coisa, é muito bom”, desabafou o líder da classificação da juventude.
O português explicou também os momentos mais difíceis da subida final. “Tentei seguir os homens da Ineos, o Arensman e o Bernal, mas rapidamente percebi que o ritmo era de mais. Depois o Piganzoli chegou com um ritmo muito forte. Apenas tentei sobreviver”, contou.
Após recuperar numa zona menos inclinada da subida, encontrou forças para responder no momento decisivo. “Respirei na zona plana e depois tinha pernas para um último esforço”, explicou sobre o ataque que praticamente sentenciou a luta pela camisola branca.
Caruso voltou a ser decisivo
Ao lado de Afonso Eulálio esteve novamente Damiano Caruso. O veterano italiano, que termina a carreira no final da temporada, desempenhou mais uma vez um papel fundamental na proteção do português durante a etapa decisiva.
“Na penúltima subida ele disse-me que não se sentia bem. Eu respondi-lhe: ‘Afonso, ninguém se sente bem num dia como este. Vou ficar contigo e vamos lutar juntos'”, revelou Caruso após a chegada.
A ajuda do experiente corredor da Bahrain foi determinante num dos momentos mais delicados da corrida. “No fim ele estava muito forte e ainda teve força para atacar. É um Giro muito bom para nós”, acrescentou o italiano.
🇮🇹 #GirodItalia
— Team Bahrain Victorious (@BHRVictorious) May 30, 2026
From idol to mentor, from teammate to friend.
Afonso Eulálio and @CarusoDamiano talk about their special bond, and how much Damiano's support means in the fight for white @giroditalia #RideAsOne pic.twitter.com/m5hOOpnYR8
Roma espera por um feito histórico
Com apenas a etapa de consagração por disputar, Afonso Eulálio lidera agora a classificação da juventude com 1.13 minutos de vantagem sobre Piganzoli e ocupa um brilhante sexto lugar da geral, a 9.39 minutos de Jonas Vingegaard.
Se confirmar a posição na chegada a Roma, o português entrará num grupo muito restrito de corredores nacionais que terminaram a Volta a Itália no top-10 da classificação geral. João Almeida, José Azevedo e Acácio da Silva são, até ao momento, os únicos portugueses a conseguirem esse feito.
No topo da corrida, Jonas Vingegaard conquistou a quinta vitória em etapas nesta edição e ficou praticamente com a camisola rosa garantida. O dinamarquês está agora a um passo de completar a coleção das três grandes Voltas e juntar-se a uma elite histórica do ciclismo mundial.










