Afonso Eulálio continua a digerir a extraordinária prestação na Volta a Itália, onde vestiu a camisola rosa, terminou no top 10 da classificação geral e conquistou a camisola branca de melhor jovem. No entanto, apesar da euforia gerada pelos resultados, o português garante que ainda não está preparado para lutar pela vitória numa Grande Volta.
Há um plano bem definido para os próximos anos
Em conferência online organizada pela Bahrain-Victorious, o ciclista português admitiu que o Giro superou todas as expectativas. Inicialmente, a missão passava apenas por apoiar Santiago Buitrago, mas a saída precoce do líder da equipa acabou por abrir portas a uma oportunidade inesperada.
“Quando começou o Giro ia apenas como gregário. Como acabamos por perder o nosso líder, vi a ter as minhas oportunidades. Acabei por entrar numa fuga, lutar por uma etapa e depois decidimos correr para a geral”, explicou.
Apesar do nono lugar final e da camisola branca, Afonso Eulálio acredita que ainda precisa de tempo para evoluir antes de pensar em disputar uma Grande Volta de igual para igual com os melhores do mundo. “Provavelmente só poderei voltar a fazer algo pela geral de uma Grande Volta daqui a dois anos”, assumiu.
O Tour já está nos planos
O português revelou ainda que a próxima grande etapa da carreira deverá passar pela estreia na Volta a França em 2026. No entanto, o objetivo será muito diferente daquele que teve no Giro.
“Vou fazer o Tour 100% relaxado, sem correr para a geral. Irei para apoiar os líderes, correr por uma etapa e ganhar experiência”, explicou, admitindo que só mais tarde poderá apontar a objetivos mais ambiciosos em corridas de três semanas.
Os bastidores de quem andou de rosa
Além dos resultados dentro da estrada, Eulálio revelou algumas das dificuldades que enfrentou nos bastidores. Durante mais de duas semanas, teve de conciliar cerimónias de pódio, entrevistas, massagens, fisioterapia e controlos antidoping que, muitas vezes, condicionavam o descanso.
“Tanto tinha controlo antidoping às nove da noite como às seis da manhã. Houve dias em que chegava ao hotel e os colegas já tinham jantado. Tudo isso acabava por reduzir o tempo de recuperação”, contou.
Ainda assim, o jovem português guarda memórias especiais da corrida, incluindo várias conversas com Jonas Vingegaard. “Falávamos da corrida, do futuro, da nutrição. Às vezes brincava com ele e dizia para pôr o Piganzoli a puxar no início das etapas para me ajudar na luta pela camisola branca”, revelou, entre risos.
Depois de um Giro que o colocou definitivamente no mapa do ciclismo mundial, Afonso Eulálio prefere manter os pés bem assentes na terra. O talento está lá, os resultados também, mas o português acredita que o momento de lutar verdadeiramente pela geral de uma Grande Volta ainda terá de esperar.









