O Braga prepara-se para um dos jogos mais importantes da sua história europeia, com a meia-final da Liga Europa no horizonte. Na antevisão, Ricardo Horta assumiu a ambição de chegar à final, destacando a confiança do grupo e o impacto dos adeptos.
“Estamos muito motivados para disputar esta meia-final”
Na conferência de imprensa, o capitão dos minhotos não escondeu o estado de espírito do balneário e a importância do momento.
Amanhã têm um jogo muito importante. Como sentes a equipa para esta meia-final, depois de uma época longa e exigente?
“Sinto a equipa bem, muito motivada para disputar esta meia-final. Todos sabemos a importância deste jogo e o que representa termos uma equipa portuguesa nesta fase da competição. Estamos conscientes disso. Estamos muito motivados, talvez um pouco ansiosos para que chegue a hora do jogo e possamos mostrar a nossa qualidade em campo. Acho que estamos todos preparados para fazer um grande jogo.”
Quinze anos depois, o Braga volta a estar perto de fazer história na Liga Europa. Sente que esta pode ser a altura certa para conquistar a competição?
“Iremos fazer tudo para que isso aconteça, mas do outro lado está uma equipa que também quer chegar à final, tal como nós. Sabemos bem o jogo que temos amanhã e a equipa que vamos enfrentar, que é completamente diferente do Betis, com jogadores mais altos, mais fortes e muito competitivos. Ainda assim, estamos preparados. É um objetivo claro chegar à final de Istambul, não o escondemos. O primeiro passo é fazer um grande jogo amanhã, com qualidade e personalidade, e conseguir um resultado que depois, na Alemanha, nos permita lutar pela presença na final.”
Sente que o apoio dos adeptos pode fazer a diferença nesta meia-final da Liga Europa?
“Sim, eles sabem que têm uma importância extrema, principalmente nestes jogos da Liga Europa. Estou aqui há 10 anos e sinto que, nesta meia-final, o clube e a cidade estão totalmente imbuídos num espírito coletivo para ajudar a equipa a chegar à final. Nós, jogadores, sentimos isso não só dentro de campo, mas também fora dele. Sentimos que os adeptos acreditam e que vão fazer tudo para nos apoiar. Essa força é muito importante para nós e acreditamos que esta união pode ajudar-nos a alcançar a final.”
O presidente do Braga referiu que a equipa chegou a esta meia-final de forma algo discreta em termos mediáticos. Como sente a equipa neste momento?
“Raramente vejo notícias e não leio jornais, por isso não sei exatamente ao que o presidente se referia. O que sinto é que a equipa tem consciência de que está a fazer as coisas bem, sobretudo na Liga Europa. Não é todos os dias que um clube português chega a uma meia-final desta competição, nem é algo habitual para o Braga. Por isso, este é um momento de união, que deve ser valorizado e que nos dará força para o jogo de amanhã.”
É a primeira vez que disputa uma meia-final pelo clube. Como está a viver este momento? Há “borboletas” antes de um jogo destes?
“No meu caso, há sempre ‘borboletas’ antes de qualquer jogo. É verdade que é a primeira vez que vou disputar uma meia-final pelo clube, mas encaro-o como qualquer outro jogo: quero mostrar o meu futebol, ajudar a equipa e sair vitorioso no final.”
Que importância tem a experiência do João Moutinho, sendo o único do plantel que já venceu uma competição europeia?
“Sabemos que o Moutinho é o único que já chegou a uma final e que a venceu. O que posso dizer é que todos no plantel queremos que ele conquiste a segunda. Acho que isso diz tudo.”
A sua carreira foi diferente da de muitos internacionais portugueses. Quando decidiu ficar em Portugal e representar o Braga, acreditava que poderia chegar a este nível e disputar jogos desta dimensão?
“Sempre senti que o Braga é um clube competitivo, capaz de estar neste tipo de jogos importantes. Acreditei nisso desde o momento em que cheguei. Já tinha alcançado os quartos de final da Liga Europa e conquistei troféus nacionais, mas posso dizer que este será um dos jogos mais importantes desde que estou no clube. Sinto essa ansiedade positiva pela chegada do jogo de amanhã, porque todos sonhamos e eu gostava muito de disputar uma final europeia por este clube que já me deu tanto.
Tendo em conta os 10 anos de casa e a ligação à história do clube, nomeadamente à final europeia perdida, que impacto têm essas referências — como o Alan — neste grupo?
“Não só pela envolvência do Alan, mas também por outros jogadores que passaram pelo clube e que estiveram nessa final. Temos tido esses testemunhos e sabemos que foi um momento histórico para o Braga. Já passaram 15 anos e nós, enquanto grupo, queremos repetir esse feito. Sabemos que são tempos e contextos diferentes. A história de chegar a uma final já foi feita, mas nós queremos escrever a nossa própria história e, desta vez, com um desfecho diferente.”
A conquista da Liga Europa poderia ter impacto direto numa eventual presença num Mundial?
“Espero que sim, mas não acredito que seja algo garantido. O nosso foco está em fazer história pelo clube.”
“O objetivo só pode ser um: passar à final”
Também Carlos Vicens deixou um alerta claro sobre o adversário alemão e o que será necessário para seguir em frente.
Que dificuldades espera do Friburgo nesta meia-final?
“O Friburgo está a fazer uma época de altíssimo nível. Aliás, todas as equipas que chegam a uma meia-final europeia têm qualidade, porque não se chega a esta fase por acaso. É uma equipa muito comprometida, com 11 jogadores ligados entre si, tanto a atacar como a defender. Quando os observamos, percebe-se claramente essa identidade coletiva, que é uma das suas maiores forças. Além disso, é uma equipa que joga sem medo, com valentia e coragem, sempre à procura do jogo. Naturalmente, têm jogadores de qualidade, mas o que mais se destaca é essa energia coletiva. Isso obriga-nos a estar ao nosso melhor nível. Temos de ser nós próprios, jogar com personalidade e coragem. Como já disse anteriormente, a eficácia nas duas áreas será decisiva. O processo de jogo é importante, mas depois é preciso ser determinante tanto na finalização como nos momentos em que tivermos de sofrer e defender. Tudo isso fará a diferença numa eliminatória a duas mãos contra o Friburgo. Chegados a esta fase, o objetivo só pode ser um: passar à final.”
Como é que se gere o esforço da equipa nesta fase da época, com tantas competições e um calendário tão exigente?
“Não há uma gestão diferente agora, porque temos vindo a gerir assim toda a temporada. Tivemos um calendário muito exigente desde o início. Começámos ainda em julho, a disputar fases preliminares europeias, enquanto outras equipas em Portugal tinham apenas quatro jogos oficiais nessa altura, nós já tínhamos dez. Essa foi a realidade ao longo de toda a época. Vamos, inclusive, bater o recorde de jogos oficiais disputados na história do clube e até de equipas portuguesas. Perante isso, a forma de gerir é simples: foco total no próximo jogo. Não há outra forma. Na semana passada, por exemplo, tivemos de preparar um jogo fora com o Casa Pia a meio da semana e depois outro com o Santa Clara. Como se gere? Avaliando diariamente os jogadores, o nível de energia, o plano de jogo, o adversário e o nosso próprio rendimento anterior. É um trabalho contínuo. Fazemos testes físicos, avaliamos como cada jogador se sente e ajustamos as cargas de treino em função disso. Mesmo sendo um momento histórico para o clube, a forma de trabalhar não muda. O foco está sempre no próximo treino e no próximo jogo. Foi assim toda a época e continuará a ser assim.”
Nesta fase da época, como se gere a componente emocional dos jogadores num jogo desta importância?
“Eu acho que, nesta altura, tem de ser um motivo de entusiasmo jogar este tipo de partidas. O Ricardo dizia isso e é verdade: há jogadores que sentem sempre esse ‘nervoso miudinho’, e isso revela o espírito competitivo e a ambição de conquistar coisas. O que temos de fazer é saber controlar essas emoções. Quando se chega a este tipo de jogos, é muito importante manter uma estabilidade emocional ao longo dos dois encontros. Não é fácil, porque há jogadores que não estão habituados a este nível competitivo todos os anos. Faz parte daquilo que se sente antes do jogo. Mas, a partir do momento em que entramos no treino e, depois, quando o jogo começa, tudo isso tem de ficar para segundo plano. A energia tem de estar totalmente focada no que acontece dentro de campo. Desde segunda-feira que tenho transmitido confiança total nas nossas capacidades. Também trabalhámos o plano de jogo, com atenção aos detalhes, tanto do adversário como nossos. A preparação tem sido feita de forma muito semelhante ao que fizemos ao longo de toda a época, apesar de este ser um jogo com mais impacto mediático. Temos de nos focar no que controlamos. Durante o jogo, é importante manter essa atenção e capacidade de ajustar. Tranquilidade, confiança no processo e, acima de tudo, sermos Braga. Confiar no colega do lado, funcionar como equipa. Foi isso que nos trouxe até aqui e será a única forma de chegarmos à final: com determinação, convicção, fé e um espírito coletivo ao mais alto nível.”
Que tipo de dificuldades espera encontrar frente a um adversário como o Friburgo nesta meia-final?
“Todas as equipas têm as suas armas. O Betis tinha as suas, o Friburgo tem as suas, e qualquer equipa que chega a uma meia-final da Liga Europa tem qualidade suficiente para causar problemas. Da mesma forma, também eles olham para nós e reconhecem as nossas armas, aquelas que nos trouxeram até aqui. Vamos ter de apresentar uma das melhores versões do Braga desta época. Precisamos de muitos jogadores ao mais alto nível se queremos chegar à final. Isso passa por manter o nosso processo, não mudar a forma como fazemos as coisas, e saber reagir aos diferentes momentos do jogo. Numa eliminatória destas há sempre fases para as duas equipas. O importante é saber aproveitar quando o momento é nosso e, quando não é, sermos capazes de resistir e não permitir que o adversário transforme esses momentos em golos. Há aprendizagens da eliminatória com o Betis que podemos transportar para este jogo. Sabemos que vamos defrontar uma equipa forte, competitiva e muito organizada, mas temos de dar o nosso melhor, com o apoio dos nossos adeptos, sabendo também que nada ficará decidido neste primeiro jogo e que tudo terá de ser resolvido na Alemanha, se quisermos garantir um lugar na final.”
O que considera mais determinante numa eliminatória deste nível?
“É aquilo que acontece em todas as eliminatórias: o processo de jogo tem de nos permitir criar oportunidades de golo e, ao mesmo tempo, reduzir ao máximo as ocasiões do adversário. Depois, nas áreas, é preciso eficácia. Temos de ser capazes de concretizar as nossas oportunidades e, quando sofrermos, porque vamos sofrer, ter a capacidade de evitar que essas situações se transformem em golos. No fundo, isso é o mais determinante. E o que nos ajuda a criar mais e a sofrer menos? O processo. Temos de ser muito fortes nesse processo. Os jogadores que estiverem em campo têm de apresentar uma das suas melhores versões e, se conseguirmos isso de forma consistente, vamos estar mais perto de criar mais ocasiões e de conceder menos ao adversário.”
Que perigos identifica no Friburgo e que impacto têm as ausências no plantel?
“Como digo sempre, custa-nos pelos jogadores que não estão disponíveis, porque todos gostariam de participar numa meia-final europeia. Mas temos de nos focar nos que estão e tirar o máximo deles, escolhendo bem os perfis para cada posição. Quanto ao Friburgo, a maior força é o coletivo. São uma equipa muito comprometida, tanto a atacar como a defender. São perigosos nas bolas paradas, fortes nas transições e têm muita mobilidade com bola, com uma ideia de jogo muito clara. Além disso, pressionam alto e colocam muitas dificuldades. É uma equipa muito competitiva, como seria de esperar numa meia-final da Liga Europa.”
O que diz a resposta da equipa perante tantas lesões e contratempos ao longo da época?
“Temos tido um calendário muito exigente e, naturalmente, surgem contratempos. Isso acontece cada vez mais no futebol atual. Mas o que a equipa demonstrou foi que é um verdadeiro grupo. Todos tiveram o seu momento, todos foram importantes. Às vezes, para um jogador, pode ser difícil perceber, mas quem trabalha bem no dia a dia está a ajudar quem joga a ser melhor. Isso é ser equipa. E este grupo tem demonstrado isso ao longo de toda a época. Estou muito contente por eles, porque são um grupo de pessoas muito boas e merecem estar a viver este momento. Chegar a uma meia-final europeia, depois de tudo o que passaram desde o início da época, é fruto do trabalho e da crença no processo.”
Já tem definido o onze para o jogo de amanhã?
“Gosto sempre de esperar pelo último treino para perceber melhor os jogadores. Dou muita importância também à intuição, ao que vejo nos treinos e às conversas com eles. Por isso, ainda não posso dar pistas sobre o onze.”
O que espera da equipa nesta meia-final?
“Espero que sejamos equipa, como temos sido. Foi isso que nos trouxe até aqui. Temos de apresentar a nossa melhor versão, com ambição e motivação máximas. Sabemos que o adversário também quer chegar à final e vai criar dificuldades, mas nós queremos fazer uma grande eliminatória. Quem jogar de início terá de dar o máximo e quem entrar terá de ajudar a equipa a manter a intensidade até ao fim. É com esse espírito que queremos lutar por chegar à final.”











