O antigo capitão do Benfica já tinha falado sobre o caso Prestianni, mas agora não se conteve e não poupou críticas à forma como Rui Costa e a direção do Benfica estão a lidar com o racismo no Benfica. As palavras escolhidas pelo craque são pesadas e põem em causa a direção recém-eleita.
Antigo capitão aponta crise moral na Luz
Luisão usou as suas redes sociais para falar novamente do caso Prestianni, mas desta vez para criticar a postura de Rui Costa e da direção do Benfica. O brasileiro de 45 anos mostrou-se chocado com o facto do clube não ter mostrado nenhum interesse em apurar os factos após uma denúncia tão grave. “O Benfica vive uma crise moral”, escreveu Luisão.
Para o eterno camisola 4, que já se afastou da direção técnica do clube, a estratégia utilizada por Rui Costa e pela direção do Benfica foi dolorosa de assistir, e o uso de Eusébio para isso foi muito mau: “O uso da imagem de Eusébio, nossa maior lenda, como um escudo que supostamente blinda o clube de ser falível no combate ao racismo foi no mínimo doloroso”, vincou Luisão. O ex-jogador lamentou ainda as tentativas de descredibilizar a vítima, sublinhando que o Benfica que conheceu sempre esteve do lado certo da história.
Defesa dos valores históricos do clube
Na mensagem que partilhou nas suas redes sociais, Luisão questionou os princípios que estão a ser defendidos atualmente por Rui Costa e pela direção do Benfica e avisou que o racismo deve ser combatido com firmeza. “É doloroso ver este gigante sofrer nas mãos de quem aparentemente tenta apequená-lo moralmente”, finalizou o antigo internacional brasileiro. Estas declarações surgem na véspera de mais um aniversário do clube, aumentando o tom de contestação à atual gestão de Rui Costa.
O comunicado de Luisão na íntegra:
“Como ex-capitão e alguém que dedicou tantos anos da sua vida ao Benfica, não posso esconder a minha preocupação diante da postura adotada pelo clube nas acusações de racismo feitas por Vini Jr. a um de nossos atletas. Para o meu espanto, a reação institucional foi de adesão imediata ao discurso do jogador acusado, sem que, aparentemente, houvesse qualquer interesse genuíno em apurar os acontecimentos após uma denúncia tão grave.
O uso da imagem de Eusébio, nossa maior lenda, como um escudo que supostamente blinda o clube de ser falível no combate ao racismo foi no mínimo doloroso, assim como as inúmeras tentativas de descredibilizar a vítima.
Doloroso porque o Benfica sempre foi maior do que qualquer circunstância, qualquer jogador, dirigente ou momento. Sempre se apresentou como uma instituição de valores, de dimensão humana e de responsabilidade histórica. Foi assim que eu aprendi e que vivi desde o momento em que cheguei à Luz, em 2003, quando o clube vivia uma de suas maiores crises desportivas.
Hoje, porém, vivemos um outro tipo de crise, muito pior, porque é moral, e que me gera questionamentos inevitáveis: do lado de quem estamos? E, mais importante ainda, do lado de quê estamos? O que defendemos nas nossas vidas? Queremos realmente enfrentar o problema de frente ou só desejamos convenientemente varrê-lo para debaixo do tapete?
Neste momento, é isso que está verdadeiramente em debate. Não se trata de rivalidades, de proteger A ou B. Trata-se de princípios. Racismo não é opinião. É uma chaga que precisa ser combatida com firmeza e responsabilidade, e talvez, como sociedade, o primeiro passo seja o mais difícil: olharmos no espelho e examinarmos nossas consciências.
Às vésperas de mais um aniversário do Benfica, é doloroso ver este gigante, por natureza e por história, sofrer nas mãos de quem aparentemente tenta apequená-lo moralmente. O Benfica que eu conheci e defendi dentro de campo sempre esteve do lado certo da história.
O tempo se encarregará de mostrar, com plena justiça, quem esteve de que lado das trincheiras. E eu espero, sinceramente, que estejamos à altura da grandeza que sempre nos definiu.”







