Morgado quer trabalhar para o compatriota João Almeida
Aos 22 anos, António Morgado continua a afirmar-se como uma das promessas do ciclismo português e não esconde a satisfação com o rumo da sua carreira. O corredor da UAE Team Emirates garante que trocaria já qualquer incerteza futura por uma média de três triunfos por temporada, ao mesmo tempo que aponta a estreia numa grande Volta como o grande objetivo de 2026: a participação na Giro d’Italia, onde quer trabalhar em apoio ao compatriota João Almeida.
Apesar da juventude, Morgado soma já sete vitórias como profissional, incluindo um triunfo este ano no Trofeo Calvià, em Espanha. Em declarações à agência Lusa, o ciclista assume “prefiro “corridas diferentes do que fazer grandes Voltas”.
O português diz que tem “feito anos bons” e lembra que “Há ciclistas de topo mundial que não têm sete vitórias e estão há 12 anos no WorldTour. Temos que ver deste lado. Claro que se compararmos com atletas da minha idade, como o [Isaac] Del Toro, não sou tão bom, mas se compararmos com atletas bons, nomes de referência… Lembro-me agora de três, quatro nomes, que são nomes de referência, estão no top-10 mundial e têm menos de 10 vitórias. Há muitos. Tenho ganhado algumas corridas por ano. E se ganhasse três corridas por ano o resto da minha vida, assinava já por baixo”.
As grandes Voltas, defende, estão reservadas a um grupo muito restrito de ciclistas “Três semanas são para 10, 15 ciclistas, não mais”.
Mesmo assim, a presença na Volta a Itália será o ponto central da temporada. A estreia numa prova de três semanas é encarada como “um primeiro teste”, mas o jovem corredor mostra-se confiante na capacidade de resistir e contribuir para a ambição da equipa. Além de apoiar João Almeida, Morgado esperaestar muito forte, estar constante” para discutir resultados importantes no verão.
“Vai ser também a minha primeira grande Volta, não sei como é que me vou sentir. Estou confiante, acho que me vou sentir bem, acho que vou estar bem, acho que vou conseguir ajudar o João e dar o meu melhor. E quem sabe ter uma oportunidade”, disse.
O arranque de época tem sido sólido: terminou no top-10 todas as seis corridas disputadas, com destaque, além da vitória em Calvià, para o segundo lugar no Trofeo Serra Tramuntana, apenas superado pelo belga Remco Evenepoel, bicampeão olímpico. Ainda assim, garante que a preparação foi pensada para atingir o pico de forma mais tarde, evitando desgaste precoce.
Conhecido por render melhor em condições adversas, Morgado admite que o frio joga a seu favor. “Sofro mais no calor, no calor não sou tão bom. Mas, no frio, e com condições extremas de frio, sou muito bom e sinto-me sempre muito bem. Acho que é essa a única razão para eu começar bem os anos”, afirmou.
O planeamento “foi feito para ir sempre em crescendo”, consciente de que é impossível manter o auge da forma durante vários meses consecutivos. O ciclista acredita que chegará às grandes corridas no momento certo e afasta, para já, a hipótese de disputar duas grandes Voltas no mesmo ano, considerando que, na sua idade, uma prova de três semanas é mais do que suficiente.
Entretanto, tenta voltar a brilhar na Clássica da Figueira, mantendo o foco num ano que poderá marcar um novo patamar na sua carreira.









