Ciclista da UAE analisou a sua prestação na “Algarvia”
Contra o favoritismo instalado e as contas que já não dependiam apenas de si, João Almeida correu a Volta ao Algarve com a determinação de quem se recusa a aceitar um desfecho antes da meta final. A geral podia estar inclinada para outros nomes, mas enquanto houve montanha pela frente, houve ambição.
No Alto do Malhão, tradicional palco das decisões, o corredor português voltou a assumir a corrida. À medida que a classificação se tornava mais complicada, Almeida optou por atacar em vez de gerir danos. Procurou endurecer o ritmo, tentou mexer na corrida e ainda sonhou com o triunfo na etapa. Não foi suficiente. A superioridade de Juan Ayuso e Paul Seixas — que seguraram as duas primeiras posições da geral — voltou a fazer-se sentir, tal como a consistência de Oscar Onley nas rampas decisivas.
No final, a análise foi serena. O português garantiu “Hoje, no contrarrelógio e na Fóia, dei tudo o que tinha. Senti-me bem na corrida, na verdade. Creio que tudo está no caminho certo”.
O movimento na primeira passagem pelo Malhão não foi um gesto impulsivo, mas uma decisão fruto ponderada. “Queria que o ritmo fosse mais alto do que o que a Ineos estava a meter. E como não estava bom o suficiente, fui para a frente e puxei eu. Por que não? Eu não tinha nada a perder.”
Mais do que a ausência da camisola amarela, o balanço deixa indicadores encorajadores. “Creio que foi bem bom, na verdade. Em termos de números [registos de performance] estou até um pouco melhor do que antes, não sei bem. Se comparar com o ano passado, creio que estou muito melhor.”
Há, ainda assim, um detalhe relevante: os rivais chegaram de altitude nas pernas e frescura afinada. “Por isso, considero que é algo positivo. Claro, os meus principais adversários aqui na Volta ao Algarve vieram de estágios em altitude e parecem muito melhores do que eu. Mas, sim, creio que eu estou bem.”
Seguem-se agora a Paris-Nice e a Volta à Catalunha, antes do grande desígnio da temporada: o Giro de Itália. O Algarve não trouxe a vitória, mas poderá ter oferecido algo igualmente valioso — a confirmação de que a forma está a crescer no momento certo.








