A Seleção argentina eliminou os ingleses do Mundial, na noite da última quarta-feira, com dois golos na reta final do encontro.
A provocação das Malvinas
Vale começar por apontar a provocação dos argentinos, no final do encontro. A guerra das Malvinas, um episódio histórico entre os dois países, já tinha servido como mote para o embate antes da partida. No final, os jogadores albicelestes apresentaram uma tarja que lia : “As Malvinas são argentinas”

Scaloni orgulhos da Argentina
Depois das palavras de Leo Messi no final do encontro, foi a vez de Scaloni falar com os jornalistas na flash interview, e deixar claro o orgulho que tem nos seus jogadores.
“[Estou] sem palavras, sem palavras. Uma alegria para o nosso país, para o nosso povo. No outro dia, disse que este grupo não deixa de me surpreender, a sério. E digo a verdade, vamos tentar ganhar, vamos dar tudo o que temos, mas, depois disto, é muito difícil, é muito difícil tentar fazer com que as pessoas compreendam o que os jogadores demonstram. É impressionante. (…) Somos únicos. Não é arrogância. No fundo, somos únicos. Foram estas pessoas que hoje nos ajudaram a ganhar o jogo. Por isso, estou muito agradecido”, começou por apontar.
De seguida, o selecionador rematou: “É isso que se pretende. A camisola [da Argentina] merece que se dê tudo até ao fim, sem poupar esforços, e eles demonstraram mais uma vez que se sentem como mais um da equipa, por isso estou muito contente”.
O ponta-de-lança argentina, Lautaro Martínez, também comentou a partida, na qual marcou o golo da vitória: “”Isto é muito forte. É mesmo muito forte, a sério. Da primeira vez que o meu pai me comprou um par de chuteiras, sempre sonhei em marcar este golo. [É] Para a minha mãe, que… Desde o dia em que me fui para o Racing, nunca deixou de me fazer a cama. E isso, para mim, vale mais do que um golo, do que uma final. Tenho os meus dois filhos, que me mudaram a vida desde que nasceram. Estou a adorar tudo isto. Estou a gostar, a minha filha fez-me abrandar um pouco”.
“Sonhei com isso. Disse ao Alexis [Mac Allister] que ia marcar um golo. Hoje foi muito difícil. Ficou por minha conta. O Enzo [Fernández] também marcou um golo fantástico. Agora que estou mais calmo, posso dizer que esta equipa continua a mostrar do que é capaz”, atirou de seguida o jogador do Inter.
A rematar, comentou a postura inglesa no encontro: “É verdade, eles [os ingleses] cansaram-se. Pressionaram durante 60 minutos, depois já não aguentavam mais. Começaram a jogar melhor quando marcaram o golo. Depois, recuaram, o que nos deu mais tranquilidade na hora de movimentar a bola. Jogámos com amplitude no campo e, no final, marcámos os dois golos. Após três anos e meio, voltamos a disputar uma final do Mundial”.
Ingleses saem derrotados dos Estados Unidos
Thomas Tuchel era um homem derrotado, mas não arrependido, no final do encontro que o viu falhar a final do Mundial 2026.
“Não me arrependo de nada. A equipa deu tudo e estivemos muito, muito perto [de vencer]. Acho que merecíamos ganhar por 1-0. Fizemos um dos nossos melhores jogos [no Mundial], talvez o melhor, tendo em conta as circunstâncias. A equipa foi fantástica. Só não conseguimos fechar o jogo”, começou por apontar o selecionador inglês.
Tuchel complementou de seguida: “Estamos desapontados. Estivemos muito perto, mas ficámos muito passivos depois de marcar o golo. Concedemos muitas oportunidades e não conseguimos recuperar a posse de bola. A partir daí, só permitimos muitos cruzamentos, oportunidades e remates. Estivemos perto, mas não conseguimos manter o nível depois do nosso golo. Estávamos a tentar ajudar os nossos jogadores, mas sofremos um golo logo de seguida. Decidimos mudar para cinco na defesa, porque as linhas estavam muito abertas. Eles ganhavam todas as bolas aéreas e cruzavam constantemente”.
A terminar, rematou com o seguinte: “Claro que a responsabilidade é do treinador. Se as coisas não correm bem, é fácil dizer que foi um erro”.
Harry Kane, capitão inglês, lamentou o recuo da equipa nos instantes finais da partida: “Jogámos bem durante a maior parte do jogo. Assim que passámos a estar a ganhar por 1-0, parecia que nos limitávamos a tentar aguentar o resultado, o que, como sabem, a este nível, não é suficiente. Trabalhámos tanto para chegar até aqui e os demos tudo o que tínhamos: corrida, suor, sangue, lágrimas… Tivemos dificuldades em exercer pressão sobre a bola. Acho que, sobretudo na primeira parte e depois no início da segunda parte, os pressionámos bem. Nós, sim, colocámo-los sob muita pressão, especialmente na zona mais avançada do campo, o que nos permitiu recuperar a posse de bola e controlar o jogo um pouco melhor”.
“Depois do golo, quer fosse por eles terem colocado mais jogadores no ataque, quer fosse por nós não conseguirmos acompanhá-los homem a homem, foram ondas e mais ondas de ataques e nós estávamos a tentar aguentar. Mas, no final, simplesmente não foi suficiente. Estávamos preparados para qualquer momento do jogo e, quando passámos para a frente no marcador, a mensagem foi para continuarmos a pressionar e marcar mais um golo. Assim que eles marcaram os dois golos, tentámos dar a volta ao jogo, mas não conseguimos recuperar o ímpeto da partida. Tivemos muitos momentos bons neste torneio. Muitos jogos bons, mais uma meia-final. Estes torneios exigem-nos imenso: esforço, pressão e resistência mental, e temos demonstrado muito disso ao longo das seis ou sete semanas que estamos juntos, mas sim, só nos falta mesmo essa peça final”, rematou o inglês.











