A Seleção albiceleste avançou rumo aos quartos-de-final do Mundial, apesar das queixas dos egípcios.
Árbitro ignora gesto de racismo no Argentina vs Egipto
O Argentina vs Egipto foi um jogo de emoções fortes, que terminou com mais um triunfo para Lionel Messi em Mundiais. Ainda assim, houve muita polémica pelo meio, uma vez que os egípcios ficaram com muitas queixas, nomeadamente numa grande penalidade assinalada contra os africanos, bem como numa falta não assinalada no início da jogada que deu o 3-2 à albiceleste.
Na fase final do encontro, um momento roubou as atenções: o treinador egípcio levantou os braços enquanto fazia o gesto de um “X”. No banco, alguns jogadores levantaram-se para agarrar o técnico.
Este é o símbolo que a FIFA definiu como denúncia de racismo. O organismo obriga os árbitro a parar os encontros caso o gesto seja feito, o que não aconteceu: ao invés disso, o treinador do Egipto viu um cartão amarelo.
Também é possível, por outro lado, que o treinador estivesse a criticar a equipa de arbitragem, sinalizando um gesto de “prisão” com as mãos, sinal de que estaria a ser “roubado” durante o encontro com a Argentina. No final, o técnico não esclareceu o gesto, mas deixou muitas críticas à arbitragem.
Egypt national team coach Hossam Hassan held up a FIFA “No to Racism” banner and gestured toward the French referee after Argentina’s third goal was allowed without a VAR review for the foul on Salah 😳😬 pic.twitter.com/djV5ndUZRt
— Cleverly 💐 (@Cleverlydey4u) July 7, 2026
Treinador do Egipto revolta-se: “Querem o Messi no Mundial”
Hossam Hassan, selecionador do Egito, não poupou críticas à equipa de arbitragem no final do encontro, deixando no ar que existe vontade da FIFA para que Lionel Messi esteja numa fase avançada da competição.
“Estivemos melhor do que os atuais campeões, em tudo, mas o resultado foi influenciado por fatores internos no relvado e por fatores externos fora dele. Talvez quisessem manter o atual campeão no torneio. Talvez quisessem que Messi continue em prova. O campeão do Mundo recebeu apoio a todos os níveis”, começou por explicar.
O desabafo do técnico continuou, sempre com o mesmo tom: “Parece haver pressões do lado da Argentina. Não vimos respeito nem fair play. Um penálti ficou por assinalar [alegada falta sobre Mohamed Salah], nem sequer foi revisto pelo VAR, e o nosso segundo golo foi, por uma razão qualquer, incrivelmente anulado. Todos vimos a camisola a ser puxada [por Mac Allister] e nem um check do VAR houve. A vida é injusta, a vida normal é injusta, por isso, porque é que não há justiça no desporto? Não estou convencido com este resultado nem com a forma como as coisas se desenrolaram neste jogo. Queria usar palavras bonitas e dizer ‘azar’, mas fomos tratados de forma injusta e isto foi uma injustiça”.
“Merecíamos a vitória, (…) creio que o impacto deste resultado vai muito para além da derrota em si, porque não vimos nem respeito nem fair-play. Pensava que talvez ele [árbitro François Letexier] escondesse alguma coisa, que talvez tivesse algo a ocultar. Quem tem algo a ocultar, por vezes, não consegue escondê-lo totalmente, e foi exatamente isso que senti durante aquela conversa. Tínhamos a vitória bem perto. São os pequenos pormenores que fazem a diferença nos grandes jogos. E estamos muito tristes, porque tínhamos o jogo nas nossas mãos. Não vou acompanhar o resto deste Mundial e prometo-o. É a minha luta interna, a minha objeção pessoal, a minha própria maneira de levantar a voz e de me manter firme. Não vou ver nem um único jogo deste torneio”, rematou Hossam Hassan.
Jogadores também se revoltam
Mostafa Ziko, autor de um dos golos do Egipto, foi outro elemento a ecoar as críticas que foram feitas também pelo treinador:
“Não é justo, não é justo! O árbitro não é justo! É uma injustiça… uma injustiça clara e evidente! Deitou a perder o esforço de uma nação inteira… Desde o início do jogo que ele esteve contra nós. Não… não podemos ser eliminados assim, a ganhar 2-0 contra a Argentina? Isto é um torneio encomendado!”, começou por dizer o médio.
O jogador prosseguiu: “Peço-lhes desculpa. Queríamos muito dar-lhes uma alegria hoje… mas não conseguimos. Mas, juro por Deus, não dependeu de nós, dependeu do árbitro… O torneio está feito para eles [ganharem], é óbvio desde o início. Parabéns à Argentina pelo Mundial. Já não precisam de mais nada”.











