Luís Filipe Vieira voltou a ser protagonista no debate interno do Benfica. O ex-presidente encarnado, que é candidato às eleições de 25 de outubro, comentou esta quinta-feira, em entrevista à TSF, os episódios de tensão vividos na última Assembleia Geral do clube da Luz. Vieira considerou o ambiente “caótico” e comparou o sucedido com o que se passou recentemente no FC Porto, onde uma reunião magna terminou em confusão.
“O Benfica está radicalizado”
Vieira começou por classificar a sessão como um momento “grave” e lamentou a falta de respeito e de cultura democrática entre os adeptos.
“O que se passou nessa Assembleia Geral é muito grave. O Benfica tem um grupo radical que apela pela democracia e não a pratica. O movimento Servir Benfica tem uma parte que está na candidatura de João Diogo Manteigas, a outra está com o Noronha Lopes. Aquilo parecia a tropa, entraram por ali… O Benfica está radicalizado e vai ter problemas no futuro”, alertou.
O ex-presidente reforçou que o cenário vivido no Pavilhão da Luz é preocupante e pode ter impacto na coesão do clube. “Está a tornar-se insustentável. As pessoas estão identificadas, todos sabem quem são, mas a verdade é que ninguém age para mudar este ambiente”, lamentou.
Comparação com o FC Porto
Questionado sobre as semelhanças com o que se passou na Assembleia Geral do FC Porto, Vieira reconheceu que, embora o caso encarnado não tenha envolvido agressões, o clima de intimidação é evidente.
“Não houve agressões, mas também não podemos estar a dramatizar. Alguém foi falar com os outros candidatos para abandonarem a sala quando eu fosse falar. Não abandonaram, mas foram para o fundo gritar. Não me deixaram falar, pura e simplesmente”, explicou.
Apesar disso, o ex-presidente minimizou a importância das provocações. “Já quando eu era presidente do Benfica era assim, mas dava a importância que tinha que dar e não me preocupava. Só que agora a coisa está a escalar”, alertou.
Ambiente tenso antes das eleições
Com o processo eleitoral marcado para o final do mês, Vieira acredita que a divisão entre os sócios pode agravar-se.
“Uma dessas pessoas chegou-se perto de mim e disse: ‘Não se aproxime de nós, depois das eleições falamos.’ Nem o conheço. Isto mostra bem o nível a que isto chegou”, denunciou.
A poucos dias do arranque oficial da campanha, o antigo líder encarnado pede contenção e alerta para os riscos de uma escalada de violência verbal. “Se as pessoas não souberem respeitar o clube e os seus símbolos, o Benfica vai continuar a ser palco de confrontos e divisões internas. Isso não ajuda ninguém”, concluiu.










