Guarda-redes das águias foi o autor do decisivo, que permitiu o acesso ao play-off da prova
Protagonista inesperado do apuramento do Benfica para o play-off da Liga dos Campeões, Anatoliy Trubin continua a assimilar tudo o que viveu na última quarta-feira frente ao Real Madrid. O guarda-redes das águias foi o autor do decisivo 4-2, um momento absolutamente raro que garantiu a presença dos encarnados na fase seguinte da competição, onde voltam a medir forças com os merengues na luta pelo acesso aos oitavos de final.
Em declarações ao canal ucraniano TSN, o camisola 1 confessou que ainda não consegue colocar em palavras a dimensão do que aconteceu. “Já vi o golo 100, talvez 200 vezes. É realmente um golo muito bom para mim, é algo extraordinário. Tenho 24 anos, mas é a primeira vez que vivo estas emoções, é a primeira vez que passo por esta situação. Então não sei bem”, admitiu. Sobre as emoções que tem sentido após o momento tão importante, confessa: “Ainda nem percebo bem o que aconteceu.”
Trubin recordou também os instantes finais do encontro e a decisão de subir à área adversária, numa fase em que o Benfica dependia apenas de si próprio para seguir em frente, já com todos os outros jogos concluídos. “Foi na última hora, no último momento. Precisávamos de um golo, então precisávamos de fazer todos os possíveis para consegui-lo. Por isso, foi para a área quando o treinador me disse para ir. Fui e foi tudo perfeito. Consegui marcar”, relatou.
Depois do dia de folga concedido por José Mourinho na quinta-feira, o plantel regressou aos treinos no Seixal para preparar o encontro com o Tondela, mas o golo frente ao Real Madrid continuou a dominar as conversas. “O que disseram os colegas e os treinadores? Penso que estavam tão chocados quanto eu, como todos. Ainda riam disso. Hoje [ontem] foi dia de treino e ainda riam”.
O impacto do momento fez-se sentir também fora de Portugal, sobretudo na Ucrânia. “Vi a reação. Foi tão forte que me ligou a luz [risos]. Vi muitos Tik Toks, vídeos, memes…”, disse, entre risos.
Apesar da euforia pelo primeiro golo da carreira — e logo na maior competição europeia de clubes — Trubin fez questão de sublinhar que não esquece a realidade difícil que o seu país atravessa. “A situação do golo é incrível, mas a situação no meu país é muito mais difícil, é preciso lembrar e ajudar”, afirmou, deixando palavras de reconhecimento para “os heróis que protegem” a população ucraniana.
O guarda-redes admitiu ainda que sente que, em Portugal, a atenção sobre o conflito diminuiu. “No início da guerra havia muito mais notícias”, concluiu, acrescentando que, ainda assim, no seio do Benfica — sobretudo entre os treinadores — continua a ser frequentemente questionado sobre a situação no seu país.











