O Boavista Futebol Clube garantiu, esta terça-feira, a sua sobrevivência imediata.
A direção do histórico emblema do Bessa anunciou ter alcançado um entendimento fundamental na Assembleia de Credores, evitando aquele que seria o cenário mais negro da sua história centenária: o encerramento da atividade.
Numa reunião decisiva, onde um dos pontos da ordem de trabalhos era literalmente o “Encerramento de Estabelecimento”, a proposta apresentada pela direção liderada por Fary Faye foi aceite pelos credores, abrindo porta à viabilidade do plano de recuperação financeira (PER) já existente.
O compromisso para manter as portas abertas
Para segurar este “balão de oxigénio”, o clube assumiu um compromisso rigoroso: terá de “assegurar a cobertura do défice corrente da sua exploração”. Só cumprindo esta condição será possível manter as estruturas a funcionar e garantir a continuidade da prática desportiva dos cerca de 2.000 atletas das várias modalidades do clube.
Apesar das boas notícias, os responsáveis axadrezados colocam água na fervura, alertando que este acordo “não constitui uma solução definitiva”, mas sim um passo necessário para tentar construir uma solução estrutural e sustentável a longo prazo.
O peso da dívida: 99 milhões
A operação de salvamento acontece num contexto financeiro asfixiante. A dívida global do Boavista ronda os 99 milhões de euros. Deste bolo, uma fatia significativa de 20,4 milhões de euros diz respeito a dívidas ao Estado.
Entre as entidades públicas que figuram na lista de credores encontram-se a Direção de Finanças do Porto, o Instituto da Segurança Social do Porto, o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça e a Parvalorem.
A direção do clube continua agora em negociações com investidores privados e entidades públicas para tentar limpar o passivo e garantir o futuro da instituição.
O Comunicado na Íntegra
Leia abaixo a nota oficial emitida pelo Boavista Futebol Clube:
“O Boavista Futebol Clube informa os seus associados, adeptos e o País desportivo em geral que, na Assembleia de Credores realizada hoje, foi alcançado um importante acordo que permite evitar o encerramento da atividade do Clube.
Numa reunião que tinha como ponto principal da agenda, o “Encerramento de Estabelecimento”, os credores aceitaram a proposta apresentada pela Direção e assumiram um compromisso que abre portas à viabilização do plano de recuperação financeira existente.
Neste momento, compromete-se o Boavista FC a assegurar a cobertura do défice corrente da sua exploração, condição que permite manter abertas as suas estruturas e garantir a continuidade da prática desportiva.
Esta solução, alcançada num contexto particularmente exigente, resulta do trabalho desenvolvido em diálogo com os credores e demais intervenientes no processo, permitindo salvaguardar a atividade regular do Clube, a participação das suas equipas em competição e a prática desportiva de cerca de 2.000 atletas, em várias modalidades.
A Direção sublinha que este acordo não constitui uma solução definitiva, mas representa um passo determinante para preservar a atividade do Boavista Futebol Clube, assegurar a sua função social e criar condições para a construção de uma solução estrutural e sustentável.
Como é do conhecimento público, a Direção do Boavista Futebol Clube tem mantido negociações com entidades públicas e investidores privados com vista à implementação de um plano de recuperação financeira sólido e responsável, capaz de assegurar a liquidação das dívidas existentes e a viabilidade futura do Clube.
Cientes da responsabilidade e gratos pela confiança, estamos totalmente empenhados no cumprimento rigoroso das condições assumidas, prosseguindo em simultâneo os esforços necessários para a recuperação financeira da instituição.
Em nome de todos os Boavisteiros, a Direção agradece a todos quantos, de forma responsável e construtiva, contribuíram para tornar possível este desfecho.
Pelo Boavista, sempre!
Porto, 16 de dezembro de 2025″









