Avançado espanhol elogia a intensidade dos treinos e a atenção que recebeu do treinador português, mas admite não ter gostado de algumas atitudes após as derrotas
Borja Mayoral guarda boas memórias do período em que trabalhou com José Mourinho na Roma, mas também não esconde que houve aspetos da personalidade do treinador português com os quais não se identificou. Numa entrevista, o avançado espanhol, atualmente no Getafe, destacou a intensidade dos treinos e algumas conversas que teve com o técnico, embora tenha apontado uma dificuldade que o marcou negativamente.
A passagem pela Roma surgiu numa fase importante da carreira do jogador, que chegou ao futebol italiano depois de ter sido formado no Real Madrid. Apesar de nem sempre ter tido a situação desejada no plantel, Mayoral diz ter encontrado em Mourinho um treinador capaz de reconhecer o seu trabalho. “Sobretudo os treinos. Eram muito competitivos e muito divertidos. Apesar da minha situação não ser a ideal, gostava muito de treinar com ele”, começou por recordar.
O avançado espanhol revelou ainda que, com o tempo, acabou por se surpreender com algumas atitudes do treinador português. “Com o tempo, até me surpreendeu. Pelas conversas que tivemos e por algumas coisas que me disse antes de certos jogos, senti que valorizava o meu trabalho. Lembro-me de que, numa ocasião, ele me disse que eu merecia ter jogado muito antes e também falou muito bem de mim numa conferência de imprensa”, afirmou.
A relação com Mourinho também passou por conversas sobre o Real Madrid, clube onde Mayoral foi formado e onde teve a oportunidade de chegar à equipa principal. O jogador explicou que aproveitava a proximidade com o treinador para satisfazer a sua curiosidade sobre a passagem deste pelo emblema espanhol. “Era uma pessoa acessível. Com o Gonzalo Villar, o Carles Pérez e os espanhóis, falava bastante da sua passagem pelo Real Madrid. Como sempre fui muito curioso, aproveitei para lhe perguntar muitas coisas sobre a sua passagem pelo Real Madrid”, contou.
Nem tudo, porém, foi positivo na experiência. Mayoral apontou a forma como Mourinho reagia às derrotas como o principal aspeto de que menos gostava. “O que menos gostei? Talvez, em parte, fosse essa incapacidade de aceitar a derrota. Fez comentários no balneário que não me agradaram. Não só para comigo, mas também para com outros colegas”, explicou.
O avançado espanhol reconhece a enorme competitividade do treinador português, mas entende que há limites que não devem ser ultrapassados, mesmo nos momentos de maior tensão. “Compreendo que é uma pessoa muito competitiva e que, no calor do momento, todos podemos dizer coisas, mas acho que o respeito pelas pessoas deve estar sempre acima de tudo”, concluiu.
Apesar da crítica, Mayoral deixou também uma imagem muito clara do método de trabalho de Mourinho. “Mourinho não fazia treinos muito longos, normalmente de 45 minutos ou uma hora, mas eram sessões muito intensas, sempre com a bola e muito divertidas”, reforçou.
Ao recordar os treinadores que marcaram a sua carreira, o avançado espanhol colocou ainda Zinedine Zidane num lugar especial, por ter sido o técnico que lhe abriu as portas da equipa principal do Real Madrid. Paulo Fonseca e Paco López foram igualmente destacados pelo impacto que tiveram no seu desenvolvimento, numa visão de carreira em que Mayoral diz tentar retirar ensinamentos de todos os treinadores com quem trabalhou.










