O piloto espanhol Carlos Sainz lamenta o foco excessivo das câmaras nas namoradas e celebridades presentes nos circuitos, apontando que se perdem momentos importantes das corridas e do verdadeiro espetáculo da F1.
Carlos Sainz, atual piloto da Williams, não escondeu a sua frustração com o rumo que as transmissões televisivas da F1 têm tomado. Em declarações ao programa espanhol El Partidazo de Cope, o espanhol criticou o que considera ser um “excesso de protagonismo” dado às namoradas dos pilotos e a celebridades presentes no paddock, em detrimento da própria ação em pista.
Carlos Sainz has criticised the way Formula 1 broadcasts live race 👀 pic.twitter.com/82u23IZxBW
— ESPN F1 (@ESPNF1) October 8, 2025
Tendência vs Reality Show
“É uma tendência que talvez funcionasse há uns tempos, quando as pessoas achavam interessante ver as namoradas ou celebridades. Se for num momento tenso, entendo que o façam, mas desde que respeitem a competição”, afirmou Sainz, num tom visivelmente desapontado.
O piloto espanhol deu mesmo exemplos concretos: “No fim de semana passado, não mostraram nenhuma das quatro ultrapassagens que fiz nem a perseguição do Alonso ao Hamilton… Perderam-se muitas coisas. Acho que exageram com os famosos e as namoradas, perde-se o primordial”, lamentou.
As palavras de Sainz surgem após o último GP de Singapura de F1, onde a realização optou por mostrar, por diversas vezes, imagens da noiva de George Russell — vencedor da corrida — e da atriz portuguesa Margarida Corceiro, parceira de Lando Norris. A presença da atriz lusa tem sido notada em várias etapas da temporada, atraindo também a atenção mediática para além das pistas.
A very smooth operation! 🔥
— Formula 1 (@F1) October 6, 2025
Carlos Sainz made his way through the field at a rapid rate, eventually clinching P10 👊#F1 #SingaporeGP pic.twitter.com/M8E0Y3LTax
Contudo, o espanhol faz questão de recordar que a F1 é, acima de tudo, um desporto de elite e de competição. Na opinião de Sainz, o foco das transmissões televisivas deve continuar a estar “no desempenho dos pilotos, nas ultrapassagens e nas estratégias que definem as corridas”, e não tanto “no glamour das boxes ou nas relações pessoais dos protagonistas”.
Certo é que crítica de Sainz foi bem recebida por parte de alguns adeptos e especialistas que partilham da mesma opinião, apontando que a realização televisiva, cada vez mais guiada pelo entretenimento e pela procura de momentos “instagramáveis”, tem deixado escapar o essencial — o espetáculo em pista.

Resquícios da Série da Netflix
Por outro lado, há quem defenda que a F1 vive hoje também da sua componente mediática e de bastidores, responsável por atrair novos públicos e reforçar o interesse global no desporto. Desde o sucesso da série Drive to Survive, da Netflix, que o equilíbrio entre competição e espetáculo tem sido tema de debate entre pilotos, equipas e adeptos. No final, o comentário do espanhol levanta uma questão pertinente: até que ponto a F1 deve ser entretenimento televisivo e até que ponto deve manter-se fiel ao seu ADN desportivo?











