Ex-capitão das águias acredita na culpabilidade do jogador
A UEFA aplicou esta sexta-feira um castigo a Prestianni de seis jogos de suspensão, três dos quais com pena suspensa por um período de dois anos, no seguimento do caso envolvendo alegadas ofensas racistas dirigidas a Vinícius Júnior. No entanto, o organismo europeu justificou a sanção com base em comportamentos discriminatórios de natureza homofóbica por parte do jogador argentino.
Luísão, antigo capitão do Benfica, que na altura já se tinha mostrado bastante crítico em relação a Prestianni — tendo inclusivamente sido alvo de mensagens de ódio e ameaças por parte de adeptos encarnados nas redes sociais — voltou a pronunciar-se sobre o caso. O brasileiro assumiu algum desconforto com a decisão, reiterando que, embora não existam provas conclusivas, acredita na culpabilidade do jogador. Além disso, lamentou a forma como todo o processo foi conduzido e considerou que a UEFA poderia ter sido mais severa.
“A decisão da UEFA sobre o caso Prestianni pode até ter seguido um caminho ‘seguro’, mas deixa no ar uma sensação desconfortável de que, no futebol, ainda existe uma espécie de hierarquia do preconceito, como se alguns fossem tratados com mais rigor do que outros. Parto do princípio de que racismo e homofobia são igualmente graves. Não existe versão ‘mais leve’ de ofensa quando se trata de discriminação a outro ser humano, mas, na prática, sabemos que muitas vezes não é assim que funciona. O que me incomoda profundamente é a forma como esse caso se desenrolou. Uma declaração que antes era negada passa a ser admitida, mas noutro contexto, e convenientemente enquadrando-se noutro tipo de ofensa… Isso, por si só, levanta questionamentos. Não sobre o que pode ser provado, mas sobre o que estamos dispostos a aceitar. De verdade: alguém acredita que uma reação daquele nível acontece por isso? Cada um tire as suas conclusões. Não estou aqui para apontar culpados sem provas. Mas também não dá para ignorar o que o futebol mostra, ano após ano. Quem vive o jogo sabe”, começou por dizer.
E completou: “No fim das contas, o recado que fica é perigoso. Parece que, dependendo do caminho escolhido, sempre existe uma forma de amenizar as consequências, que deveriam ser duras e exemplares. E isso não pode ser normalizado. Seguirei a defender o mesmo de sempre: respeito, responsabilidade e tolerância ZERO com o preconceito. Sem meios termos com aquilo que fere a dignidade humana. Aqueles que sofrem não esquecem.”










