O antigo prodígio do ciclismo italiano, Riccardo Riccò, quebrou o silêncio sobre os anos negros que ditaram o seu banimento vitalício da modalidade. Numa partilha honesta sobre a queda em desgraça, o ex-corredor detalhou como as escolhas perigosas para alcançar o sucesso quase terminaram da pior forma possível, longe das estradas.
Autotransfusões caseiras e o risco de vida
Riccardo Riccò admitiu que o recurso ao doping era uma prática comum e que utilizava métodos extremos para fugir aos controlos. O momento mais crítico aconteceu quando uma autotransfusão realizada pelo próprio correu mal, deixando o atleta entre a vida e a morte, num episódio que chocou o mundo do desporto em 2011.
O italiano explicou que, na altura, se sentia imbatível e não tinha noção dos perigos reais que corria ao manipular o próprio sangue em casa. Com apenas vinte anos, a sede de vitória falava mais alto do que a prudência, levando-o a adotar comportamentos que descreve agora como de uma leviandade extrema.
O renascimento longe da alta competição
Após anos de uma depressão profunda causada pelo afastamento forçado, Riccò conseguiu finalmente encontrar a paz através de terapia especializada. O antigo ciclista revelou que passou uma década sem conseguir sequer ver uma corrida na televisão, pois a dor de recordar o que tinha perdido era demasiado forte para suportar.
Hoje, o antigo “Cobra” dedica o seu tempo a treinar ciclistas amadores, partilhando a sua vasta experiência e os erros que cometeu para que outros não sigam o mesmo caminho. Embora a ferida do banimento continue aberta, Riccardo Riccò garante que voltou a sentir prazer em pedalar, usando agora a bicicleta apenas como um passatempo.









