A crise extradesportiva que envolve a Vuelta a España conheceu um novo capítulo esta quarta-feira. Reunidos de urgência, os representantes das equipas decidiram, de forma unânime, continuar em prova, mas deixaram um aviso claro: apenas um incidente de grande gravidade poderá levar à interrupção da corrida.
“Todos a favor da Vuelta, zero críticas”
De acordo com o Marca, a decisão foi consensual e transmitida num encontro marcado pela preocupação com a segurança. “Todos a favor da Vuelta, zero críticas”, resumiram alguns dos participantes. A posição surge após os episódios de tensão vividos nas últimas etapas, com destaque para o ataque de terça-feira, em que ciclistas foram atingidos por “punhados de pioneses” lançadas na estrada, a cerca de 25 quilómetros da meta.
A ameaça constante de novos incidentes
O episódio das chinchetas veio somar-se às manifestações e bloqueios registados nos últimos dias, que têm colocado em causa a normalidade da competição. Apesar disso, a organização mantém a intenção de levar a corrida até Madrid, mesmo reconhecendo que não pode garantir a segurança do pelotão a 100%.
Segundo a rádio COPE, ainda não é certo que a etapa desta quarta-feira, entre O Barco de Valdeorras e o Alto de El Morredero, chegue ao final nos moldes previstos. Um dos cenários em cima da mesa é neutralizar os últimos cinco quilómetros, caso haja riscos acrescidos.
UCI descarta cancelamento
Um comunicado interno enviado aos equipas, após contactos com a União Ciclista Internacional (UCI), deixou claro que o organismo não contempla a suspensão da prova nem pedirá a exclusão da Israel-Premier Tech, equipa no centro dos protestos pró-Palestina. “O organizador fará tudo o possível, mas seguirá até Madrid. A UCI não parará a corrida”, refere a mensagem.
Mesmo que a equipa israelita desistisse, a organização admite que as manifestações continuariam, pelo que a pressão sobre o pelotão manter-se-ia.
Opções limitadas para o pelotão
Com a ausência de resposta governamental imediata e a falta de distúrbios considerados violentos pelas autoridades espanholas, as hipóteses das equipas resumem-se a três caminhos: parar em bloco em defesa da segurança dos ciclistas, continuar apesar dos riscos ou aguardar que as autoridades intervenham. Para já, a escolha foi clara — pedalar até Madrid, mesmo sob ameaça.









