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Da Colômbia ao ‘fator Miami’: tudo o que Roberto Martínez disse antes do duelo decisivo

por Ana Sofia Leite
Junho 26, 2026
Seleção, Mundial 2026
A A
Última hora! Roberto martínez volta a surpreender na convocatória de portugal

Fotografia retirada da LUSA

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Roberto Martínez fez esta sexta-feira a antevisão ao duelo entre Portugal e a Colômbia, da terceira jornada da fase de grupos do Mundial 2026. O selecionador nacional abordou o adversário, a importância do encontro, o ambiente esperado em Miami e explicou porque acredita que a identidade da Colômbia não depende de um único jogador.

Roberto Martínez: “Queremos continuar o que fizemos no segundo jogo”

Portugal defronta a Colômbia na madrugada de sábado para domingo, num encontro que decidirá o primeiro lugar do Grupo K. Roberto Martínez garantiu respeito pelo adversário, mas deixou claro que a prioridade passa por manter o crescimento exibicional demonstrado frente ao Uzbequistão.

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O que é melhor? Ficar em primeiro, segundo, terceiro…
“Acho que num torneio como o Mundial não há um caminho ou posição certa. O que interessa é atingirmos o nosso melhor nível e só consegues isso com vitórias. Amanhã teremos de respeitar a Colômbia, mas queremos continuar o que fizemos no segundo jogo, continuar a melhorar os aspetos que temos a melhorar e estes três jogos para começar a preparar o segundo Mundial.”

Sente que este jogo com a Colômbia vai servir de afirmação?
“Eu acho que já tivemos tempo para falar disso, do barulho, das críticas… Fui muito positivo durante o segundo jogo, a partir do momento em que marcámos o primeiro golo conseguimos controlar o jogo. O aspeto psicológico de gerir um jogo no Mundial é muito importante e nesse segundo jogo conseguimos fazê-lo muito bem. Será o primeiro jogo que jogaremos fora de casa, até porque aqui em Miami há muitos adeptos colombianos. Então também será um bom teste nesse sentido.”

Imprensa colombiana diz que Suárez pode não ser titular. O que acha disso?
“A Colômbia acredita muito no que fazem. O trabalho do treinador já tem uma continuidade e clareza de ideias. Não é sobre o jogador que joga, mas sim a ideia de jogo que a equipa tem. Tem jogadores como o Quintero, James Rodríguez, pelo meio, mas também jogadores importantes na transição como o Luis Díaz, o Suárez. A equipa está apurada, acho que num torneio como este é importante gerir o balneário e também os jogadores. Mas o facto de não haver um jogador que já tenha jogado nos dois primeiros jogos no onze da Colômbia não vai mudar em nada a ideia da Colômbia.”

Flórida não foi o melhor sítio para fazer o estágio? Tendo em conta as tempestades e os treinos interrompidos…
“Boa pergunta, mas acho que este jogo contra a Colômbia, a sua preparação, já começou em março, com o que fizemos quando estivemos no México. Já fizemos 13 treinos em Miami para nos podermos adaptar ao clima. O planeamento antes do Mundial era ficar em Miami para prepararmos o jogo contra a Colômbia porque os jogos em Houston, num estádio fechado e com uma relva diferente, precisava de uma preparação diferente e fizemos isso para o jogo de amanhã. Os jogadores estão preparados para o aspeto físico e para jogar nesta relva, que é diferente da que jogamos na Europa. É ao contrário. Se há um jogo que tivemos tempo para preparar foi este. Quanto às tempestades, queremos reagir bem. Não estar no campo de treino não quer dizer que não nos estamos a preparar. Estou muito contente com todas as condições. Não começámos a preparar este jogo depois do segundo jogo neste Mundial. Foi o contrário.”

Podemos esperar um onze mais próximo do que vimos no último jogo ou parecido ao que iniciou o jogo contra o Congo?
“A ideia é termos todos os jogadores preparados. Estamos numa altura onde a equipa pode fazer 3 substituições ao intervalo e a equipa continuar com o mesmo nível tático e de qualidade técnica. Essa é a força do nosso balneário. Os jogadores estão preparados quando estão de início e quando saem do banco para fazer a diferença. Vamos avaliar como estão os jogadores, mas posso dizer que todos eles estão aptos para o treino, o que é importante. Temos de ser nós mesmos num ambiente e contra uma equipa diferente amanhã.”

Não há o risco de a raiva desaparecer e Portugal voltar ao primeiro jogo?
“Acho que o grupo está num equilíbrio muito bom. O desempenho durante o segundo jogo deu muita confiança e força em acreditar em tudo o que fazemos. A atitude que tivemos nos dois jogos continua e não perdemos isso. A equipa está a acrescentar. Não somos uma equipa de perder pontos fortes mas sim de acrescentar. Temos de mostrar a qualidade, sermos novamente Portugal. Não há o perigo de perder tudo o que de bom fizemos durante os dois primeiros jogos.”

Roberto Martínez já falou num Mundial antes da fase de grupos e outro depois da fase de grupos. Que peso tem isso na preparação dos jogos?
“Para nós, é importante poder avaliar os três jogos. É importante continuarmos a fazer amanhã o que fizemos já nos dois primeiros jogos. Amanhã é um jogo muito importante para nós a nível interno para podermos avaliar o nosso nível. O segundo jogo foi muito importante ao nível da união do grupo e conseguimos gerir muito bem o jogo depois do primeiro golo. Queremos continuar com tudo o que fizemos e só depois desse jogo é que podemos avaliar o que temos feito.”

É possível estar sempre a arranjar bolas paradas diferentes? Quanto tempo é que se perde ou ganha a trabalhar esse momento do jogo?
“Não posso responder em apenas dois minutos a essa pergunta. É um aspeto do futebol moderno. O que acontece nas áreas é essencial e nas academias todo o desenvolvimento dos jogadores é sempre entre as áreas. As bolas paradas são uma consequência de um bom jogo, porque sem um bom jogo não há cantos, bolas paradas. No final do cruzamento é tudo: a intensidade de querer chegar à bola. O Austin está a fazer um trabalho fantástico. É bom marcar golos através de bolas paradas, mas criar de forma consistente é algo que já estamos a fazer há algum tempo. Precisamos de jogar bem para utilizar a bola parada. Não somos uma equipa cujo o foco é manter a baliza a zeros e depois utilizar apenas a bola parada. Mas temos de aproveitar tudo o que for preciso quando estamos dentro das áreas.”

Depois do jogo contra o Uzbequistão houve uma preocupação sua de alertar os jogadores que tinha sido apenas um jogo e nada mais ou esta equipa já não precisa desse tipo de alertas?
“Eu acho que é importante a nossa avaliação depois de um jogo. Tem de ser honesta e muito racional. Continuamos com o mesmo foco. Os nossos jogadores já têm capacidade para perceber tudo aquilo que acontece no relvado. Não é um grupo emotivo, inexperiente.”

Portugal tem prestígio a nível mundial em termos de futebol de seleção e também do seu campeonato. Esta geração vai dar uma final de um Mundial a Portugal?
“Temos de entender o que é preciso fazer para chegar a uma final de um Mundial. O jogador tem de estar comprometido com todo o grupo, tem de dar tudo de si em prol do grupo, tem de ter talento para ganhar às melhores seleções e os nossos jogadores mostram ter tudo isso. É preciso ir passo a passo. Mas temos de fazer amanhã um bom jogo contra uma boa seleção como é a seleção colombiana. Não falamos com grandes passos como vencer o Mundial, tentamos ir jogo a jogo.”

Já disse que há coisas para melhorar. Uzbequistão permitiu mais do ponto de vista defensivo, Congo nem tanto. O que prevê que pode acontecer neste jogo contra a Colômbia?
“A seleção colombiana é um desafio muito completo para nós. Tem jogadores muito bons do ponto de vista das entrelinhas, que não precisa de ter bola para fazer algum dano. Tem jogadores como Luis Suárez e Luis Díaz, dois dos laterais mais ofensivos do torneio. Tudo isso mostra que o selecionador trabalha este grupo como se fosse um clube. São um grande exemplo de como se deve treinar uma seleção numa competição como o Mundial.”

Como está o balneário, sabendo que com uma vitória apura-se como 1.º?
“O balneário tem um equilíbrio emocional muito bom porque tem um sentimento de responsabilidade e exigência, mas também há muita confiança e concentração no que queremos fazer e esse equilíbrio emocional é muito importante. Ter um capitão que tem essa bagagem de já ter estado em seis Mundiais ajuda muito, mas também temos um grupo com dois capitães do Manchester United, dois do Manchester City, um do FC Porto, um do Al Hilal, temos um grupo de liderança muito importante.”

O que achou dos jogos da Colômbia neste Mundial, comparando a expectativa que tinha e aquilo que acabou por ver nos dois jogos contra Uzbequistão e Congo?
“Eu creio que não há surpresas, a seleção colombiana sempre foi muito competitiva. Ganhar ajuda muito ao grupo. Vamos encontrar uma seleção com muita confiança e alegria. Do ponto de vista tático, vamos encontrar uma seleção que esperamos.”

A importância da gestão dos cartões amarelos
“Cada balneário e seleção tem os seus pontos importantes e tem de equacionar tudo isso, mas o que é importante é que a ideia da Colômbia não muda por nada. Pode mudar de jogadores, mas a ideia de jogo e do seu selecionador não muda por nada. Do ponto de vista da competitividade, não me lembro de ver uma seleção que tem apenas 11 jogadores e ganhar só com eles. Isso não existe, assim como não existem jogos fáceis. Há, sim, jogos que se podem tornar mais fáceis com um golo cedo. Tudo o que a Colômbia vá fazer não nos irá surpreender.”

Há alguma vantagem em terminar o grupo no 1.º lugar?
“Não, não há qualquer vantagem. Se este fosse o meu primeiro Mundial diria que sim. Quando és inexperiente [em Mundiais], queres sentar-te e planear tudo o que é possível, cada jornada, cada possibilidade… e depois apercebes-te que isso não é bem possível. Em 2018, entrámos no jogo sabendo que o vencedor iria defrontar o Brasil. Ganhámos contra a Inglaterra e terminámos no 3.º lugar. Eu acredito que o foco tem de estar em ganhar todos os jogos possíveis, ter o melhor ambiente possível no balneário. O caminho não interessa. Temos três países que podemos viajar nesta competição, que é longa. O que interessa é darmos sempre o melhor.”

Pode falar-nos um pouco mais sobre o meio-campo de Portugal e como João Neves, Vitinha e Bruno Fernandes deram mais equilíbrio à Seleção Nacional?
“Tem sido interessante porque quando cheguei à Seleção, em março de 2023, Vitinha nem estava no grupo. Tem sido fascinante como o talento jovem português apareceu. Depois também apareceu o João Neves. É preciso abrir a porta ao talento. Portugal é um excelente exemplo. Tem 10 milhões de habitantes e todos os dias há um novo jogador, um novo talento que aparece. Estamos a falar de Bernardo Silva, Bruno Fernandes, João Neves, Vitinha. Estamos a falar de jogadores muito diferentes e provavelmente os melhores do mundo nas suas posições.”

Qual a sua opinião sobre o facto de o Colômbia-Portugal ser um dos jogos que mais interesse gerou nos adeptos? Bilhetes custaram milhares de euros…
“Eu tive de comprar os bilhetes para a minha família em novembro porque já sabia que ia ser difícil por esta altura. É fascinante ver que, mesmo num momento difícil no Mundo, o futebol continua a trazer inspiração para todos e dá esperança a todos. Espero que amanhã o futebol vença e possa inspirar as várias gerações.”

Sempre que o Brasil defronta a Colômbia dizemos que é uma autêntica batalha. O jogo entre a Colômbia e o Congo teve 28 faltas. Está preparado para um jogo de Libertadores?
“É importante estar preparado porque acho que um ponto forte da Colômbia são os duelos e a competitividade. Temos de competir nesse aspeto sem perder as emoções. O foco está no que podemos controlar. O desafio da Colômbia também nos ajudará a preparar esse aspeto do jogo.”

A mudança do primeiro para o segundo jogo de Portugal foi importante para colocar outra vez Portugal como uma das sérias candidatas a vencer o Mundial? Depois, teve a oportunidade de ver a Argentina durante este Mundial, se viu um estilo de jogo sólido da seleção ou se foi eclipsado pela sensação Lionel Messi?
“Antes de mais, para nós o trabalho foi muito consistente. O ruído que há fora não nos afeta. Não afeta o estado anímico ou a nossa preparação para os jogos. Os jogadores estão muito concentrados e agora estamos mais preparados. Não tive tempo de ver os jogos das outras seleções, apenas dos nossos adversários, mas acredito que a Argentina vá continuar a fazer um grande Mundial, o que não me surpreenderia.”

Tags: Mundial 2026Roberto MartínezSeleção Nacional

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