As derrotas são uma treta, mas são elas que forjam os verdadeiros campeões.
Estou fora do país! Felizmente pude fazer uma pausa e dar descanso à cabeça. Pesava não só o trabalho, mas também tanto acontecimento em Portugal! Como é que um país tão pequeno como o nosso tem tanto a acontecer em simultâneo? Foi o clássico, seguido de análises e mais análises, foi a seleção nacional, mais comentário atrás de comentário, tudo entremeado pela política, ora com as indecisões do governo, ora com as eleições e o consequente chorrilho de debates e mais debates… Não tendo pedalada para tanto, fui… tirei folga de Portugal, não querendo saber de nada mais que não fosse o meu destino.
Todavia, quando viajas em grupo e com as maravilhas do roaming, é impossível placar as notícias e, em semana de competições europeias, havia sempre alguém que lembrava “hoje joga o Sporting!”, “hoje joga o Braga e o Porto!”. Lógico que com a curiosidade aguçada, lá veio a busca pelo resultado.
Pois… mais valia estar quieta! Não é que depois das vitórias, depois do empate, completámos a tripla, com a primeira derrota da época! E agora, para além da digestão do pequeno-almoço, tenho de lidar com a azia.
Não tendo lido nada, nem ouvido os usuais “comentadeiros” de serviço, imagino as análises, as teorias e as futurologias ditadas ao nosso FCP. Isto sem falar dos ressabiados, que se dizem portistas, mas que não tendo por onde pegar até aqui, só ganham voz nas derrotas. Não vi o jogo, não sei se jogámos bem ou mal. Com ambos os golos marcados através de penálti, pressuponho que todos morderam as unhas, as orelhas e o que mais fosse para que o Diogo Costa fosse gigante, como no jogo da Seleção contra a Eslovénia, em que defendeu três grandes penalidades. Mas tal não aconteceu. Então o que fica agora? O que pensar? O que fazer? Estamos perdidos? A bateria acabou? Vai começar o declínio? Será que com adversários a sério, a máquina de Farioli gripa?
Poderia continuar a desfiar a ladainha das teorias, tal como a minha avó Carolina fazia quando rezava o terço, mas esqueçam! Se há coisa que aprendi na vida é que as derrotas fazem parte da vitória. Aquela velha máxima que vem dos avós, dos pais, dos professores é uma daquelas que tem sentido e aplicabilidade “só crescemos aprendendo com os erros e não ao percorrer um caminho liso e livre de obstáculos”. Não existe perfeição, todos os grandes generais tiveram de lidar com a derrota ao longo da sua carreira, umas menores, facilmente contornáveis, outras imensas, que deixam as suas cicatrizes e que parecem impeditivas de seguir em frente.
Não interessa em qual delas se encaixa esta derrota, frente ao Nottingham Forest. É a primeira, é a mais importante. É a que vai definir a nossa história como campeões ou derrotados. Temos é de saber o que fazer dela. Vamos manter-nos no chão e lamentar a falta de sorte ou vamos levantar, sacudir o pó das canelas e seguir em frente?
Para mim, é ótimo que tenha aparecido e agora. Serve para resfriar os ânimos, para assentar os pés na terra, mostrar que ainda não atingimos a perfeição, que precisamos de continuar a trabalhar. Agora, que ainda estamos a olear a máquina, todos os ajustes são importantes e motivadores. As peças deste tabuleiro, ainda precisam de aperfeiçoar as suas jogadas. É preciso manter o foco nos objetivos finais. Ninguém é campeão à sétima jornada, nem depois de três jogos na Liga Europa. Os pontos contam-se no final e aí só um único balanço interessa, que as vitórias sejam em maior número que as derrotas.
A nós, verdadeiros adeptos, não aqueles que o são só quando interessa, cabe-nos continuar a acreditar e a apoiar a nossa equipa. A prova do que somos capazes está na transição de temporadas. Se no final do pesadelo da temporada passada, alguém nos dissesse que hoje estaríamos em primeiro lugar no campeonato, iriamos rir à gargalhada, confirmando no calendário se não estaríamos no 1º de abril. Este início de época é a prova, de que todos aprendemos com os erros: a estrutura, a equipa, os jogadores e os adeptos. Temos de continuar a acreditar e a passar esse querer para quem precisa – os jogadores, a equipa.
Os verdadeiros adeptos veem-se não nos bons momentos, mas sim nos maus e nos péssimos. Há uma única certeza, apesar de termos passado poucas vezes pelo inferno das derrotas, soubemos sempre encontrar o caminho para o paraíso das vitórias. Por fim, não interessa de quem foi a culpa, ninguém perde ou ganha sozinho. Juntos vivemos as alegrias e as agruras deste desporto e é em conjunto que seguimos em frente, melhores do que éramos antes de tropeçar!
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P.S. – Ao falar da avó Carolina, veio à lembrança o fanatismo portista do avô Armando, junto do qual nunca, mas nunca poderia ter este discurso, pois tinha um mau perder como nunca vi. Ficava em transe com as derrotas ao ponto de parecer possuído por um qualquer demónio. Nessas alturas, como não tínhamos exorcista por perto, era fugir a sete pés, antes que tivéssemos de lidar com uma torrente de “filhos desta e daquela, misturados com muitos alhos e azeitonas! “ (na minha terra, é a tradução aceitável para os impropérios cavernosos)!
26/10/2025
Vera dos Santos



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