Alain Berset quer abrir um diálogo internacional para reforçar a integridade do futebol antes do Mundial de 2030
O Conselho da Europa quer discutir com a FIFA a forma de proteger o futebol das crescentes pressões políticas, financeiras e relacionadas com as apostas. O apelo foi feito este domingo pelo secretário-geral da organização, Alain Berset, que defendeu a abertura de um diálogo tendo em vista a criação de regras de integridade para o Campeonato do Mundo de 2030, que será disputado em Espanha, Marrocos e Portugal.
A intervenção surge depois de um episódio envolvendo a seleção dos Estados Unidos e uma decisão disciplinar tomada durante a competição. Donald Trump terá contactado Gianni Infantino, presidente da FIFA, para pedir a anulação da suspensão aplicada a Folarin Balogun, expulso nos oitavos de final do Mundial frente à Bósnia. A sanção acabou por ser levantada e o avançado participou no encontro seguinte, que terminou com a eliminação norte-americana diante da Bélgica, por 1-4.
Para Berset, o caso levanta questões que ultrapassam o jogador ou a própria competição. “A influência política já se faz sentir até no próprio campo de jogo, uma sanção foi suspensa durante a competição depois de um chefe de Estado ter ligado ao presidente da FIFA. Quando as regras são contornadas devido a pressões, qualquer resultado pode ser posto em causa”, afirmou o responsável suíço.
O secretário-geral do Conselho da Europa propôs, por isso, uma espécie de “terceiro tempo” entre as instituições. “A proposta que dirijo à FIFA é a de organizar um ‘terceiro tempo’, trata-se de iniciar, já esta noite, um diálogo construtivo, com o objetivo de preparar o quadro de integridade que será aplicado no Mundial de 2030”, referiu.
As apostas são outro dos pontos centrais da preocupação manifestada pelo organismo europeu. Berset sublinhou que uma aposta é ganha “fazendo com que outras pessoas percam”, uma dinâmica que, na sua perspetiva, cria espaço para a “fraude” e reforça a necessidade de mecanismos internacionais de prevenção e controlo.
Com sede em Estrasburgo e criado em 1949, o Conselho da Europa reúne 46 países europeus e não faz parte da União Europeia. A organização tem também um historial de intervenção na definição de normas internacionais relacionadas com a segurança dos espectadores, o combate ao doping e a luta contra a manipulação de resultados.
É nesse enquadramento que Berset insiste na importância de uma cooperação internacional mais forte e de regras vinculativas para proteger a credibilidade do futebol. O objetivo passa agora por levar esse debate para a FIFA e preparar, com antecedência, um quadro de integridade para o Mundial de 2030.
The FIFA World Cup 2026 has raised one question after another.
— Alain Berset (@alain_berset) July 19, 2026
The Council of Europe has helped turn past sporting crises into binding rules. It's time to begin the third half and strengthen the integrity of sport.
Read my full statement: https://t.co/UxYKAVFfs8 https://t.co/B3Y5uSH07q










