É o tema que está a marcar a atualidade do futebol português: recorde, aqui, os últimos episódios do escândalo da arbitragem em Portugal.
FPF instaura processo de inquérito a Luciano Gonçalves
Ainda na tarde da última quarta-feira, o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, anunciou o instaurar de um processo de inquérito a Luciano Gonçalves, depois da demissão de Duarte Gomes do Conselho de Arbitragem.
“Compete ao Conselho de Justiça da FPF o exercício do poder disciplinar sobre os titulares dos órgãos sociais da FPF, pelos atos praticados no exercício da sua função de dirigentes. Atendendo ao teor da participação, em reunião realizada em 01/07/2026, o Conselho de Justiça da FPF deliberou instaurar um processo de inquérito, com correspondência material ao processo de averiguações, para apuramento de eventual prática de infração disciplinar por parte de Luciano Gonçalves”, informou o órgão federativo.
Luciano Gonçalves não se admite e publica comunicado
Pouco depois da notícia desse processo de inquérito, surgiu a notícia, avançada pelo Record, de que Luciano Gonçalves não se tenciona demitir do Conselho de Arbitragem, nem pedir suspensão do cargo de presidente desse órgão.
Na altura, o diário português contou que o Luciano Gonçalves não considera ter feito nada de ilegal, nem pisado nenhuma linha ética na sua ação.
Segundo o diário desportivo, esta reação foi semelhante à que teve quando confrontado por Duarte Gomes. Luciano Gonçalves terá, na altura, chamado Hélder Malheiro e debatido o tema com ele, acabando por explicar que apenas disse ao presidente do Estrela que iria tentar nomear os árbitros mais experientes a apitar jogos da luta pela manutenção.
Já no final da noite, a o antigo árbitro finalmente se pronunciou, ao publicar um comunicado onde volta a afirmar a sua inocência. Pode ler essa mensagem de Luciano Gonçalves na íntegra, em baixo:
“Nos últimos dias foram tornadas públicas suspeições e acusações relativas ao exercício das minhas funções como Presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.
Rejeito, de forma absoluta e categórica, todas as imputações que me são dirigidas. Tenho a consciência absolutamente tranquila e a plena convicção de que a verdade dos factos será integralmente apurada.
Tomei a iniciativa de solicitar aos órgãos competentes da Federação Portuguesa de Futebol a apreciação e o integral apuramento desta situação, colocando-me, desde o primeiro momento, totalmente disponível para prestar todos os esclarecimentos que entendam necessários. Paralelamente, recorri aos meios judiciais competentes para defesa da minha honra, do meu bom nome e da minha família, por entender que essa dimensão pessoal não pode nem deve ficar sem resposta.
Ao longo de toda a minha vida procurei exercer as minhas funções com total independência, transparência, responsabilidade e respeito pelas instituições.
Posso afirmar, de forma clara e inequívoca, que nunca revelei a qualquer Presidente, dirigente ou representante de qualquer clube a identidade do árbitro nomeado para qualquer jogo antes da respetiva comunicação oficial.
Da mesma forma, nunca qualquer Presidente ou dirigente de clube me pediu a nomeação de um árbitro específico para qualquer encontro, e, por consequência, nunca me senti influenciado, condicionado ou pressionado nas tomadas de decisão do Conselho de Arbitragem.
Do mesmo modo, nunca procurei influenciar qualquer árbitro no exercício das suas funções, nunca solicitei a qualquer árbitro que atuasse de forma contrária aos seus deveres e sempre respeitei, de forma absoluta, a independência que deve caracterizar a arbitragem portuguesa.
As reuniões que mantive ao longo da época com Presidentes e dirigentes de clubes inserem-se no exercício normal das responsabilidades do Presidente do Conselho de Arbitragem. Nessas reuniões foram explicados critérios gerais de gestão da arbitragem, ouvidas preocupações dos clubes e promovido o diálogo institucional que sempre considerei essencial para aproximar a arbitragem dos seus intervenientes. Nunca tiveram como finalidade antecipar nomeações, permitir qualquer influência sobre as mesmas ou condicionar decisões do Conselho de Arbitragem.
Assim que tomei conhecimento das suspeições que agora são públicas, procurei compreender a origem das alegações, promovi contactos com os intervenientes que me foram referenciados e fui eu próprio quem solicitou que toda esta situação fosse apreciada pelos órgãos competentes da Federação Portuguesa de Futebol.
Não aceito viver numa realidade em que alguém possa ser julgado e condenado na praça pública, apenas porque uma narrativa é repetida ou porque determinadas conversas, frases ou mensagens são retiradas do seu contexto e interpretadas de forma parcial.
Os factos devem ser apreciados por quem tem competência para o fazer, com base na prova e nunca na especulação.
Quem acredita na sua inocência não pede silêncio; pede escrutínio. Foi exatamente o que fiz.
Tenho total confiança nos órgãos da Federação Portuguesa de Futebol e estou convicto de que as averiguações permitirão esclarecer integralmente os factos.
Entretanto, o Conselho de Arbitragem continuará a desempenhar as suas funções com a competência, a independência e o profissionalismo que sempre demonstrou. O Conselho de Arbitragem continuará totalmente focado na preparação da nova época desportiva, com a estabilidade e a serenidade que o futebol português exige.
Nunca me escondi ao longo da minha vida e não será agora que o farei. Continuarei a colaborar, de forma total e transparente, com todas as entidades competentes, a defender a minha honra pelos meios legalmente previstos e a aguardar, com serenidade e confiança, que a verdade prevaleça.
Passei uma vida inteira a defender que ninguém deve ser julgado pela pressão, pelo ruído mediático ou pela opinião pública, mas sim pelos factos e pela prova. Não peço para mim um tratamento diferente. Peço apenas que me seja aplicado o mesmo princípio que sempre defendi para a arbitragem portuguesa: que a minha atuação seja apreciada pelos factos, pela prova e pelas conclusões das entidades competentes, e nunca por rumores, interpretações ou especulações.
A verdade não precisa de ruído para prevalecer. Precisa apenas de ser procurada com independência, rigor e justiça. É isso que espero e é isso que continuarei a defender.”









