Roberto Martínez compareceu na sala de imprensa após a vitória de Portugal por 2-1 sobre a Croácia, resultado que garantiu o apuramento para os oitavos de final do Mundial 2026. O selecionador destacou a resposta da equipa, justificou as decisões tomadas durante o encontro, homenageou Diogo Jota e projetou o embate frente à Espanha.
A homenagem a Diogo Jota e a análise de Roberto Martínez
O técnico começou por fazer um balanço da exibição portuguesa, considerando que a primeira parte foi a melhor da equipa no Mundial. Além da análise ao encontro, destacou a importância simbólica da vitória no dia em que se assinalou um ano da morte de Diogo Jota e André Silva, assumindo que o antigo internacional continua a ser uma inspiração para o grupo.
Análise
“Estamos num Mundial e é isso. Os jogos são muito competitivos. A primeira parte foi muito boa, a nível técnico e tático fomos superiores à Croácia. Faltou-nos o golo, mas conseguimos anular aquilo que a Croácia consegue fazer muito bem: manter a bola, criar oportunidades e conduzir ao último terço. A reação à perda e a transição defensiva tivemos uma intensidade que ainda não tínhamos tido. Foi o primeiro jogo em que tivemos essa intensidade. A segunda parte foi totalmente diferente, um jogo totalmente em aberto. A Croácia consegue ter um bocadinho mais a bola. Depois, num lance lateral, que pensamos ser nosso, criou confusão levou-nos a um momento de sofrer um golo. Fico muito satisfeito porque tivemos muito coração na segunda parte, mas também para usarmos diferentes perfis. Precisamos de melhorar a cada jogo que passa neste Mundial. Há aspetos táticos que temos de melhorar bem, mas acho que é um dia para estarmos muito orgulhosos dos nossos jogadores. O jogo foi fantástico para o adepto em geral, mas para os nossos portugueses também. Passámos aos oitavos de final, o ano em que honrámos o Diogo Jota e o André Silva, mas também o pai de Ricardo Carvalho. Jogar contra a Croácia, a última equipa que o Diogo Jota marcou pela Seleção e um 2-1, o 21 de Diogo Jota. Muitos sinais. Sinais muito bonitos de uma força e energia daquilo que o Diogo Jota era na Seleção, um foco de acreditar e sinais de que temos uma responsabilidade pelo Diogo de continuarmos a mostrar os valores de equipa que tivemos. É a nossa luz no Mundial.”
A substituição de Cristiano Ronaldo. Equipa precisava de um médio?
“É importante poder utilizar os perfis de diferentes jogadores que temos. Há um momento durante o jogo onde o padrão de ataque era difícil de chegar no último terço, então a entrada do Gonçalo Ramos, com o Cris dentro da área, podia condicionar muito as ações dos centrais e era o momento certo para fazer isso. Depois de marcar o golo era uma situação diferente. A Croácia precisava de arriscar mais e a conexão do Modric com o Kovacic fica mais forte. Era o momento para termos mais um médio e controlarmos o ponto mais forte da Croácia. Controlámos a falta de trinco da Croácia para termos dois pontas-de-lança, precisávamos disso nesse momento, mas depois, quando a Croácia precisava de atacar a nossa baliza, era momento de termos uma estrutura defensiva diferente.”
Diogo Costa
“O Diogo Costa, como vimos contra a Colômbia, nos dois primeiros jogos não teve muita ação, mas está preparado. É o capitão do seu clube. A nível de maturidade cresceu muito. Estamos muito contentes por termos um guarda-redes como o Diogo Costa.”
Gonçalo Ramos conquistou a titularidade? Por que tirou Cristiano Ronaldo?
“Já respondi à pergunta. A primeira parte foi a melhor primeira parte que fizemos no Mundial, a nível de intensidade, de estrutura, de intenção de controlar o jogo, frente a um adversário de controlo. Apenas faltou o golo. Na segunda parte há dois jogos diferentes: o primeiro quando a Croácia marca e nós utilizámos os jogadores que temos. O Gonçalo Ramos é um jogador que acrescenta sempre que entra, tal como o Bernardo, o Chico… É importante começar bem e terminar ainda melhor. Arriscámos muito com dois pontas-de-lança, mas depois precisávamos de mais um médio e, por isso, retirámos um ponta-de-lança.”
Vitória sobre a Espanha na Liga das Nações serve para estudar o adversário?
“Serve. Não sei como articular isto, mas é diferente de jogar contra uma equipa europeia, uma equipa à qual já estamos habituados. Já conhecemos muito bem a Espanha, eles também já nos conhecem. Será um jogo fantástico. Será um jogo europeu dentro do Mundial. Duas equipas que querem a bola e que vão procurar a baliza rápido. Vai ser um grande jogo. Se formos a ver todos os jogos dos 16 avos de final, tirando a França, que eu acho que foi muito superior, todos os outros jogos estão a ser definidos por detalhes. Acredito que vai ser muito assim.”
Decisões arrojadas, com saídas de Vitinha e Bruno Fernandes
“Temos padrões de ataque muito bem definidos. Hoje era um bom dia para utilizarmos o nosso jogo interior, mas não conseguimos, então decidimos utilizar mais a largura e a profundidade do Rafael Leão e chegarmos à área. Era mais uma situação de atrairmos o trinco com a capacidade do Bernardo Silva. Já tivemos que fazer substituições ao intervalo. Hoje fizemos quatro substituições de uma só vez. A primeira parte foi muito muito boa. Foi apenas o acompanhar do desenrolar do jogo.”
Golo anulado
“Seria uma pena uma das duas equipas perderem hoje. O golo anulado foi claro.”
Experiência por jogar no Canadá
“Foi a primeira vez que estive no Canadá. Só quero dar parabéns a todas as pessoas que estiveram envolvidas. O relvado, a cidade, o balneário… faz-me lembrar estádios da Premier League. É uma pena não haver mais jogos em Toronto. Foi tudo ‘ok’ com a segurança, foi tudo incrível.”
Portugal mereceu ganhar esta noite?
“Acho que foi um jogo muito competitivo, especialmente na segunda parte. Na primeira parte fomos muito superiores, mas quando assim é uma equipa tem de mostrar a diferença também no marcador com golos, mas foi um jogo que mostrou a qualidade da Croácia, que tem jogadores que já conhecemos há muitos anos. Jogam como um clube. Fiquei muito satisfeito pela forma como anulámos a Croácia. A capacidade que tivemos em dar a volta ao marcador depois de termos estado a perder, só por isso, com a qualidade demonstrada na primeira parte, acho que fomos superiores.”
Podemos sonhar com Portugal a vencer o seu primeiro Mundial?
“Eu adoro falar sobre sonhos porque desde criança sonhávamos com isso e claro que temos de continuar a sonhar com isso. Como treinador, tenho de preparar o caminho para atingirmos o sonho. Eu sei que não somos favoritos para o jogo com a Espanha porque as seleções que já venceram um Campeonato do Mundo têm uma vantagem psicológica e emocional, mas acho que melhorámos muito, crescemos internamente. O jogo foi muito exigente. O nosso sonho continua.”
Experiência
“A experiência permite-te focar no que podes fazer em campo. Eu lembro-me do primeiro jogo no Mundial e como fiquei submerso em emoções. Aprendi a lidar melhor com as minhas emoções. Hoje foi um exemplo disso. É importante manter a calma, a racionalidade, e todo o processo, o que pode ser feito. Eu já perdi todo o meu cabelo, como podem ver, mas acho que valeu a pena porque hoje eu tenho mais racionalidade e mais calma. Quando chegamos a um nível de um jogo de um Campeonato do Mundo é mesmo diferente. Não me lembro de um Campeoanto do Mundo tão emocionante como este, há equipas maravilhosas que já voltaram para casa.
Termina a conferência de imprensa











