Mourinho é o rei das indemnizações milionárias
Os treinadores portugueses continuam a afirmar-se no futebol inglês, não apenas pela sua qualidade tática e capacidade de liderança, mas também pelos elevados valores envolvidos nas suas saídas. Para além do reconhecimento internacional, há um traço comum que os acompanha: indemnizações milionárias sempre que os projetos chegam ao fim.
A atual edição da Premier League arrancou com quatro técnicos portugueses entre os vinte clubes participantes: Rúben Amorim, Marco Silva, Nuno Espírito Santo e Vítor Pereira. Contudo, a cerca de dois meses do término da temporada, apenas dois permanecem em funções — sendo que um deles já trocou de clube dentro da própria liga. No total, os emblemas ingleses já desembolsaram cerca de 50 milhões de euros em indemnizações a treinadores despedidos, com um português responsável por mais de 20% desse montante.
Mourinho, o rei das indemnizações
Este valor, ainda assim, empalidece quando comparado com os números associados a José Mourinho, especialmente na sua relação com o Chelsea. O clube londrino contratou o técnico em 2004, após a conquista da Liga dos Campeões pelo FC Porto, pagando cerca de seis milhões de euros. Seguiu-se um período de sucesso, marcado por títulos e forte investimento.
Em 2007, a primeira separação rendeu a Mourinho uma indemnização de 26,5 milhões de euros. O reencontro aconteceu anos depois, mas em 2015 as partes voltaram a seguir caminhos distintos, com mais 9,5 milhões de euros envolvidos. No total, o treinador português arrecadou 36 milhões de euros apenas do Chelsea, contribuindo significativamente para um impressionante acumulado de 108 milhões de euros em indemnizações ao longo da carreira.
Amorim no topo das saídas milionárias
Entre os treinadores atualmente em destaque, Rúben Amorim lidera no capítulo das indemnizações. Em novembro de 2024, deixou o Sporting rumo ao Manchester United, numa transferência que rendeu 11 milhões de euros ao clube lisboeta. Na altura, vivia um momento de grande sucesso, com domínio interno e boas prestações europeias.
No entanto, a passagem por Old Trafford revelou-se curta. Em janeiro de 2026, após uma série de resultados negativos, Amorim foi dispensado, recebendo uma compensação de 11 milhões de euros. Com um salário anual de 7,8 milhões, o técnico português juntou-se assim ao grupo das maiores indemnizações recentes da liga inglesa.
Casos curiosos e decisões polémicas
Também Vítor Pereira integrou esta lista, embora o valor da sua saída do Wolverhampton não tenha sido divulgado. A sua passagem pelo clube ficou marcada por episódios invulgares: contratado em dezembro de 2024 para evitar a descida — objetivo que cumpriu — acabou por renovar contrato até 2028 poucos meses depois, apesar de um arranque desastroso na época seguinte. A decisão foi amplamente criticada e rapidamente se revelou insustentável.
Já Nuno Espírito Santo viveu uma situação igualmente atribulada. Ao serviço do Nottingham Forest, clube liderado pelo controverso empresário Evangelos Marinakis, foi alvo de críticas públicas após um empate, num episódio em que o proprietário chegou a invadir o relvado. Apesar disso, iniciou a época seguinte, mas acabaria por sair pouco depois, assumindo o comando do West Ham.
Talento valorizado, risco elevado
Os exemplos multiplicam-se e demonstram que, na Premier League, o prestígio dos treinadores portugueses anda de mãos dadas com contratos exigentes e compensações elevadas. Entre sucessos e despedimentos, uma coisa parece certa: o talento luso continua a ser altamente valorizado — mesmo quando o ciclo chega ao fim.











