O médio criativo dos dragões concedeu uma entrevista ao Canal 11, onde abordou vários temas sobre a temporada azul e branca. Farioli também esteve presente na RTP.
Rodrigo Mora abre o livro sobre a temporada
Substituições aos 60 minutos:
“Não é fácil. Eu e o Gabri falávamos muito disso, ficávamos os dois chateados, porque queríamos muito jogar. Sair aos 60 minutos era um bocado chato para nós e falámos com o míster sobre isso, mas era a ideia dele e fomo-nos habituando. Eu e o Gabri temos uma relação muito boa. Eu e o Gabri queríamos muito, mas o míster é que sabe e é ele que manda.”
Crescimento durante a época:
“Tive de me adaptar um bocado ao estilo de jogo do míster e mudar talvez a minha forma de jogar. Tive de me esforçar mais a nível físico e defensivo, que foi o que ele me pediu. Sinto que sou um jogador diferente e melhor em muitos aspetos. Defensivamente estou melhor e, com bola, agora vou buscar mais o jogo atrás para fazer a equipa jogar. Sou um jogador mais completo. Foi difícil tentar perceber o que ele queria e ver também o Gabri, que já estava mais habituado àquela posição. Foi um ano a pensar sempre no que podia melhorar, treino após treino. O míster percebeu o meu esforço e hoje sinto-me compensado, até porque fui campeão. Valeu a pena passar por momentos difíceis (…) Nós corremos muito e isso nota-se em todos os jogos e reflete-se no resultado. Foi algo que ele demonstrou que queria desde a pré-época.”
Elogios de Farioli:
“Percebeu a minha maturidade e o quanto eu me esforcei para mudar para a tática dele. Não foi uma transição fácil mudar o meu estilo de jogo para o dele. Lembro-me de ele falar das ‘feridas’ que nós tínhamos da época passada e que ele também tinha (no Ajax), e que este era o momento para as curar. E esta época curou-as. Ele fala inglês connosco, se falar italiano é porque já está chateado.”
Treinos de Farioli:
“São parecidos com os jogos, sempre muito intensos. Respiramos pouco nos treinos. Ele exige o máximo, porque o treino prepara-te para o jogo”.
Triunfo mais importante da temporada:
“Acho que o jogo em Alvalade muda muita coisa. Deu um ‘boost’ extra para o resto da época. Aí ainda era muito cedo, mas onde eu soube que estava mesmo muito próximo foi na vitória frente ao Sp. Braga, com a reviravolta e um grande golo do Seko (Fofana). Não pude jogar, mas fui ao estádio ver o jogo e quando o Seko marcou festejei como um louco, porque sabia que era um passo importante. A partir daí, empatámos um jogo com o Famalicão, se não estou em erro, mas as coisas ficaram mais fáceis”
Derrota com o Casa Pia no Dragão:
“Não mexeu muito, porque temos pessoas e líderes que souberam gerir o grupo. Sabíamos que muita gente ia falar que o Porto ia cair, mas não caiu. Unimos o grupo, não deixámos nada de fora entrar e, logo a seguir, mostrámos o que éramos e fomos campeões”.
Mercado de verão:
“Encaro com normalidade. Sabemos que às vezes se falam coisas que não acontecem. Eu lido de forma tranquila. O que tiver de acontecer… acontecerá. Como já disse, ficar no FC Porto é sempre um sonho para mim. Estou aqui desde os 8 anos, já lá vão 11. É o clube onde cresci e aprendi tudo, por isso ficaria muito contente por ficar”.
Memória de Jorge Costa:
“Era o nosso diretor, era “o nosso fixe”. Estávamos todos os dias com ele e ver uma pessoa partir assim é algo que nos custa muito. Ele fez muito pelo FC Porto e este título, não tenho dúvidas, foi por ele. Agradecemos por tudo o que ele fez por nós e este título é para ele; ele estará sempre connosco. O Jorge sempre foi uma pessoa que brincava muito comigo, ele era brincalhão nesse aspeto. O que eu tirava dele era sempre o empenho e a entrega que ele mostrava todos os dias, e o facto de ser uma pessoa sempre a sorrir, sempre divertido. Naquele momento até me emocionei, porque pensar no que ele passou comigo no ano passado – que foi um ano importante para mim – e este ano não estar aqui a viver isto connosco, custa-nos um bocado. Mas foi por ele, ele merecia muito isto.”
Encara o espírito de Jorge Costa:
“Sim, sem dúvida. O Jorge sentia muito o FC Porto. Ele sabia o que era honrar esta camisola e demonstrava isso quando era jogador e também como diretor. Passou-nos essa mensagem de quão difícil e exigente era vestir esta camisola, e acho que isso passou para a equipa. Em todos os momentos, a equipa entregou-se; mesmo nas derrotas, a equipa teve sempre uma atitude muito boa”.
Hipótese de ir ao Mundial:
“O meu único sonho neste momento, depois de já ter sido campeão, é ir ao Mundial. Estou a trabalhar muito para isso e espero ser convocado. Estou na pré-convocatória. A Seleção tem muita qualidade, qualquer um pode ir. Se for, ficarei muito grato, se não for, estarei a apoiar. Posso dar a minha qualidade, a minha irreverência e imprevisibilidade. E posso ser o amuleto da sorte, porque quando lá fui uma vez, vencemos a Liga das Nações.”
Experiência na Seleção:
“Foi mais um sonho. Coisas que acontecem muito rápido. Estar ali com jogadores que costumas ver na televisão quando és miúdo deu-me um orgulho enorme e lembrou-me do que já conquistei com 19 anos. Toda a gente quer falar com o Cristiano. Foi a primeira pessoa que cumprimentei quando cheguei. Ele perguntou como tinha corrido o jogo amigável contra Marrocos. Fiquei um bocado nervoso, mas passado dois dias já estava à vontade e a brincar com toda a gente.”
Comparações com Vitinha:
“Acho que essa comparação é boa. Se eu tiver o percurso do Vitinha, será muito bom para mim. Ele trabalhou muito para estar no PSG. Ele, o João Neves e o Bruno ajudaram-me muito quando cheguei à Seleção. Tento ver e aprender com as qualidades deles porque são jogadores de outro nível. No treino tu percebes o porquê de serem os melhores do mundo”.
Colegas mais próximos no Porto:
“Sem dúvida o João Costa, o Alberto e o Moura foram os três com quem andei mais este ano, dentro e fora de campo. Temos uma grande relação, apoiamo-nos uns aos outros e criámos amigos para a vida toda. O Seko Fofana também é um grande amigo, mas chegou mais tarde, em janeiro. Ele está a tentar ensinar-me francês.”
Bednarek:
“É, sem dúvida. Foi uma grande contratação. Nos treinos notas que é um líder diferente; em cada detalhe vês que é um central de topo. Foram muitos anos na Premier League e vês que ele chega rápido à bola, não deixa marcar um livre… não sendo o nosso capitão — que é o Diogo, outro grande líder — ele ajuda-nos muito.”
Froholdt:
“Nota-se logo a vontade que ele tem em todos os treinos e jogos. É um grande jogador com um grande potencial. É uma pessoa um bocado tímida, mas nós tentamos sempre tirar-lhe palavras da boca. Não tenho dúvidas de que ele vai ser um dos grandes médios do futebol.”
Um privilégio partilhar balneário:
“Acho que todos responderiam o Thiago Silva. É dos melhores centrais da história do futebol. Poder treinar com ele, falar com ele e ouvir os seus conselhos é algo que eu nunca imaginei. Se Deus quiser, ele vai ser convocado para o Campeonato do Mundo, o que me deixaria muito feliz por ele. Com ele aprendes tudo. Tudo o que ele disser, eu oiço. Dá-me conselhos de futebol e mesmo de vida. Dentro de campo, ensina-me o caminho certo, a soltar a bola mais rápido ou a pressionar de forma mais agressiva. Fico-lhe muito agradecido.”
Abraço a Francisco Moura nos festejos:
“Significava que estávamos com ele. Foi uma época difícil porque ele foi criticado injustamente, por exemplo, por causa do lance no jogo contra o Sporting. Os adeptos querem sempre ganhar e ficam chateados, mas aquilo podia ter acontecido comigo ou com qualquer outro. Foi um abraço para mostrar que o apoiamos.”
Samu:
“Disse-lhe que ele ainda era jovem e que ainda tinha muitos Mundiais para jogar. Ele vai fazer muitos golos porque tem muita qualidade, é só continuar a trabalhar.”











