Aos 80 anos, o maior ciclista de todos os tempos acumula revés após revés numa recuperação que não tem fim à vista.
Uma infeção que os médicos não conseguem travar
Eddy Merckx está internado há cerca de uma semana num hospital na Bélgica. A causa é uma infeção persistente na anca que lhe provoca dores intensas e que os médicos ainda não conseguiram controlar com antibióticos. A ausência de resposta ao tratamento farmacológico aumenta a probabilidade de o belga ser submetido a uma nova intervenção cirúrgica, prevista para a próxima segunda-feira.
O próprio Eddy Merckx, que é fã de Pogacar, confirmou a situação em declarações ao hnb.be, citadas pelo La Dernière Heure. “Como tinha muitas dores, fui internado na segunda-feira passada. Não conseguem encontrar a origem da infeção e, como os antibióticos não estão a ter grande efeito, provavelmente terão de me operar novamente na próxima segunda-feira. Já chega desta brincadeira, estou farto!”, afirmou o cinco vezes vencedor da Volta a França.
Uma queda em 2024 que mudou tudo para Eddy Merckx
O ponto de partida desta longa recuperação remonta a dezembro de 2024, quando Eddy Merckx sofreu uma queda ao escorregar numa passagem de nível e fraturou a anca. Desde então, o belga foi operado várias vezes, incluindo para substituir uma prótese que não estava devidamente fixada. As infeções recorrentes tornaram-se o principal obstáculo a uma recuperação que se tem revelado mais longa e difícil do que o esperado.
Aos 80 anos, cada nova cirurgia representa um desgaste adicional para o organismo do antigo campeão do mundo. A situação complicou-se ainda mais com um pequeno AVC sofrido ao longo do último ano, que afetou temporariamente a visão de Merckx e se somou ao já extenso historial de contratempos médicos. O foco está agora na operação dos próximos dias, da qual depende a próxima etapa da recuperação do maior nome da história do ciclismo.
O maior palmarés da história do ciclismo
Para perceber o peso do nome Eddy Merckx no desporto mundial, basta olhar para os números. O belga venceu cinco vezes a Volta a França, cinco vezes o Giro de Itália e uma vez a Vuelta a Espanha, somando 11 triunfos nas Grandes Voltas, recorde da modalidade. A isso juntam-se três títulos de campeão do mundo em estrada e um domínio raro nas clássicas, com vitórias em praticamente todas as grandes provas de um dia, incluindo sete edições da Milano-Sanremo, duas do Tour of Flanders e cinco da Liège-Bastogne-Liège.
Ao longo da carreira, Eddy Merckx acumulou mais de 500 vitórias segundo a contagem histórica tradicional, razão pela qual ficou para sempre ligado à alcunha de O Canibal. Hoje, esse legado contrasta com a fragilidade de um homem de 80 anos, hospitalizado na Bélgica devido a uma infeção persistente na anca.








