Nacional vs Arouca foi espelho do problema
O espaço para o jogador nacional no principal escalão do futebol português continua a encolher e a mais recente jornada voltou a expor uma realidade que tem sido debatida ao longo de toda a temporada.
Os números dos plantéis mostram diferenças significativas entre clubes. No topo da lista surgem equipas como o Benfica (21 portugueses) e o Sporting (20), enquanto outras apresentam contingentes bem mais reduzidos, como o Rio Ave (4), o Arouca (5) e o Nacional (8).
Também no restante campeonato se encontram cenários distintos: AFS (5), Alverca (9), Casa Pia (10), Estoril Praia (14), Estrela da Amadora (5), Famalicão (9), Gil Vicente (12), Moreirense (10), FC Porto (11), Santa Clara (13), SC Braga (13), Tondela (7) e Vitória de Guimarães (13).
Um jogo que espelhou o problema
O encontro entre Nacional e Arouca (3-0), determinante nas contas da parte inferior da tabela, tornou evidente esta tendência. A formação orientada por Vasco Seabra ganhou fôlego na luta pela permanência, mas o dado mais surpreendente surgiu antes do apito inicial.
Entre os 22 titulares anunciados, apenas um atleta era português: Tiago Esgaio, capitão do Arouca.
Longe de ser um caso isolado, o cenário enquadra-se na realidade atual das duas equipas. O Nacional conta apenas com oito jogadores portugueses no plantel, número inferior aos 13 brasileiros presentes. Já o Arouca tem cinco atletas nacionais — o mesmo número de uruguaios e menos do que os sete espanhóis.
Comparando com a época passada, verifica-se uma quebra: os insulares tinham então 11 portugueses no grupo de trabalho, enquanto os arouquenses somavam nove, sendo essa a nacionalidade mais representada.
A situação tornou-se ainda mais evidente devido à lesão do lateral José Gomes, contraída num treino. O Nacional apresentou um onze com seis nacionalidades diferentes, mas nenhuma portuguesa. Do lado do Arouca, Esgaio foi o único representante luso entre sete nacionalidades distintas.
Nem as substituições alteraram significativamente o panorama. Das dez possíveis, apenas dois portugueses saltaram do banco: Diogo Monteiro e Joel Silva.
Uma tendência que se repete
Se este fosse um episódio pontual, poderia ser relativizado. Contudo, os dados mostram que não é assim.
O Arouca já alinhou, por sete vezes no campeonato, com apenas um português no onze inicial — quase sempre Tiago Esgaio. Em nenhuma partida ultrapassou os três titulares nacionais. A saída de David Simão e a lesão de Pedro Santos agravaram ainda mais o cenário.
No caso do Nacional, a realidade é semelhante. A equipa já entrou em campo sem qualquer português a titular frente ao Alverca (1-0) e ao Tondela (3-1). Tal como o Arouca, nunca apresentou mais de três jogadores nacionais de início e, na maioria dos encontros (13), começou com apenas dois.
A discussão em torno do reduzido protagonismo do jogador português na I Liga mantém-se, assim, bem atual — e os exemplos multiplicam-se jornada após jornada.








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