O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol tomou uma decisão final num processo que envolve graves acusações de assédio no futebol feminino. O caso, que já se arrastava há vários meses, resultou na condenação de um treinador e na aplicação de castigos pesados à estrutura do clube, numa altura em que Portugal vai disputar o Mundial.
Mensagens chocantes revelam clima de intimidação e abuso no futebol feminino
A noticia caiu como uma bomba no futebol feminino nacional, que também tem vindo a ser também alvo de criticas lá fora. O caso remonta ao inicio de 2025, tendo a denúncia sido recebida pelo IPDJ a 13 de março de 2025.
Filipe Linz, antigo técnico da equipa feminina do Guia Futebol Clube, foi condenado a uma suspensão de 12 meses e 15 dias. O processo expôs mensagens enviadas pelo treinador para as atletas, como:
“Faz uma conta OnlyFans, sempre é melhor que ir para a rotunda. Eu subscrevia”.
Para o Conselho de Disciplina, esta afirmação é uma clara «objetificação e coisificação sexual da ofendida». O acórdão refere que esta conduta atenta diretamente contra a dignidade da atleta, ofendendo-a de forma grave em razão do seu género.
Convites para o quarto e castigos físicos
Mas as revelações não se ficaram por aí. Filipe Linz terá enviado outra mensagens chocantes.
Outros relatos no acórdão mostram que o comportamento era recorrente no balneário algarvio. O treinador terá escrito a uma jogadora:
“Sonhei ctg. Andavas a montar uma tenda para acampar». Noutro momento, afirmou: «se quiseres, faço-te um filho igual“.
O relatório descreve ainda opções de castigo dadas pelo técnico para uma falta ao treino: “A) falta de material; B) réguadas na mão; C) palmadas no rabo“. Quando a jogadora escolheu a primeira, o técnico respondeu com um vídeo a dizer “wrong“.
Suspensão para o técnico e castigos para a direção
Face à gravidade dos factos, o castigo atingiu também o Guia FC, que terá de jogar duas partidas à porta fechada. A Federação sancionou o presidente Alexandre Reis e dois dirigentes com um mês de suspensão por terem demonstrado uma “atitude passiva”.
Segundo o relatório, as jogadoras sentiram um “total abandono por parte da direção”. O clube terá preferido focar-se no desempenho desportivo em vez de proteger o bem-estar das atletas, mesmo após ter conhecimento de vários relatos de comportamentos impróprios.
Defesa alega vingança de jogadora descontente
Filipe Linz defendeu-se alegando que as denúncias eram fruto de uma vingança pessoal. O técnico do futebol feminino afirmou que tudo surgiu porque uma jogadora “não sabe aceitar que o tempo dela está a acabar e por não jogar o tempo que queria”.
A defesa alegou ainda que houve uma campanha para o afastar do cargo de treinador do futebol feminino do Guia Futebol Clube. Referiram mesmo que “quase que apontaram uma arma à cabeça das miúdas para falarem coisas que não queriam” durante a fase de averiguações do processo que agora seguiu para o Ministério Público.

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