O antigo árbitro Pedro Henriques analisou a exibição do neerlandês Danny Makkiele no jogo entre Nápoles e Sporting para o jornal A Bola, da segunda jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, e considerou que, apesar de o juiz ter estado bem nas decisões técnicas e nas áreas, ficou aquém no critério disciplinar.
O especialista de arbitragem entende que o árbitro neerlandês “acertou nas principais decisões de jogo”, mas assinalou falhas evidentes no capítulo disciplinar, apontando a ausência de cartões amarelos em duas entradas duras durante a primeira parte.
Lances nas áreas bem ajuizados
Henriques destacou positivamente a capacidade de Danny Makkiele em gerir os momentos decisivos dentro da área, nomeadamente nos pedidos de penálti. Um dos exemplos foi ao minuto 41, quando Geny Catamo caiu na grande área napolitana após disputa com Spinazzola.
“O árbitro beneficiou da dúvida, já que não existiram imagens claras que confirmassem o agarrão”, explicou Pedro Henriques, sublinhando que a decisão de não assinalar penálti foi correta face à falta de evidências.
Outro momento de destaque foi o remate de De Bruyne que embateu na mão de Fresneda, aos 56 minutos. O especialista considerou que “os braços estavam junto ao corpo e sem volumetria extra”, razão pela qual a decisão de deixar seguir o lance foi correta.
Faltaram cartões amarelos
Se nas decisões técnicas o árbitro esteve bem, Pedro Henriques entende que faltou mão firme no critério disciplinar. O ex-árbitro destacou dois momentos em particular:
- Aos 15 minutos, De Bruyne entrou com a sola na canela de Fresneda, num lance “negligente, passível de cartão amarelo”, que o árbitro “erradamente deixou passar”.
- Aos 37 minutos, Juan Jesus derrubou Trincão quando este seguia em velocidade, impedindo um ataque prometedor, também merecedor de advertência.
De Bruyne n’a même pas eu un jaune la dessus .. alors que pour moi c’est limite rouge
— Nunomel 🦁🇺🇸 (@Nunomel1605) October 1, 2025
Si c’était un joueur du Sporting on aurait carrément eu un rouge.. pic.twitter.com/JOfUC7rXx3
“Num jogo deste nível, é fundamental uniformizar o critério. Estas duas situações exigiam sanção disciplinar”, explicou o antigo juiz português.
Tempo adicional insuficiente
Outro ponto negativo apontado foi o tempo de compensação reduzido.
Para Pedro Henriques, os quatro minutos concedidos no final do jogo foram insuficientes para as várias paragens registadas, incluindo substituições e a análise do VAR ao penálti a favor do Sporting.
“Seis minutos seria o tempo mais adequado”, observou o especialista, sublinhando que a gestão final “não esteve ao nível do restante desempenho”.
No balanço final, Pedro Henriques elogia a autoridade e experiência do árbitro neerlandês, mas alerta para a necessidade de maior consistência disciplinar.
“Foi uma arbitragem positiva nas decisões-chave, mas manchada por pequenos lapsos que, a este nível, não podem acontecer”, concluiu o ex-árbitro.







