O empate de Portugal diante da RD Congo (1-1), na estreia no Mundial 2026, trouxe críticas, dúvidas e alguma frustração entre os adeptos. No final da partida, Roberto Martínez assumiu que a Seleção esteve abaixo do esperado, mas deixou uma declaração que promete gerar discussão nos próximos dias.
“Não precisamos de ganhar o Mundial”
Questionado sobre as aspirações da equipa na competição, o selecionador procurou retirar pressão ao grupo e defendeu que o foco deve estar no desempenho. “Não precisamos de ganhar o Mundial, precisamos de jogar bem”, referiu Martínez, numa ideia que complementou ao longo da conferência.
“O Mundial é um torneio onde estas coisas acontecem. A Argentina perdeu com a Arábia Saudita em 2022 e acabou campeã. A Espanha perdeu com a Suíça em 2010 e também ganhou o Mundial. É um processo”, explicou o técnico espanhol.
O golo teve efeito contrário
Martínez considerou que Portugal entrou bem na partida, mas perdeu qualidade precisamente depois de inaugurar o marcador. “Marcar o golo, que devia ajudar a controlar o jogo, teve o efeito contrário. Tentámos manter demasiado a bola, deixámos de chegar à baliza e demos à RD Congo a possibilidade de reorganizar a sua estrutura defensiva”, analisou.
O selecionador acredita que o problema foi mais emocional do que tático. “Quando marcámos, as emoções tiveram um efeito negativo no nosso desempenho. Faltou arriscar, procurar espaços e chegar ao último terço. Foi mais um sentimento do que uma questão técnico-tática”, acrescentou.
Ronaldo também foi tema
A saída de Cristiano Ronaldo diretamente para o balneário após o apito final também foi abordada. Martínez desvalorizou o episódio e garantiu que tudo se deveu à falta de rotinas nesta nova competição.
“Era o primeiro jogo. Ainda não temos os hábitos da FIFA. Há entrevistas, zonas mistas e diferentes procedimentos. Estávamos todos desiludidos e vamos ajustar isso rapidamente para estarmos todos juntos como grupo”, explicou o selecionador.
Confiança mantém-se intacta
Apesar da exibição pouco conseguida, Martínez fez questão de elogiar a atitude dos jogadores e mostrou-se convencido de que Portugal vai crescer ao longo da fase de grupos.
“A atitude dos jogadores foi extraordinária. Não gostei do desempenho, mas gostei da forma como lutaram até ao último segundo. Temos de fazer autocrítica, avaliar o que correu mal e melhorar. Acredito muito no que esta equipa pode fazer”, concluiu o treinador, já com os olhos postos no próximo encontro do Mundial 2026.


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