O tribunal de San Isidro, em Buenos Aires, foi palco de um depoimento carregado de emoção e acusações graves. Na sequência do testemunho prestado por Gianinna Maradona na semana passada, foi a vez de Verónica Ojeda, ex-mulher de Diego Armando Maradona, depor no julgamento que visa apurar responsabilidades pela morte do lendário internacional argentino, ocorrida a 25 de novembro de 2020.
O ataque a Leopoldo Luque
Visivelmente abalada, entre lágrimas e momentos de raiva, Verónica Ojeda não poupou o neurocirurgião Leopoldo Luque, o principal responsável pelo acompanhamento clínico de El Pibe, que vai fazer uma “aparição” no novo Harry Potter.
«É um assassino! O Diego amava-o e até lhe deu uma mota. Não percebo como ele pôde fazer isto», declarou Ojeda perante o coletivo de juízes. A ex-companheira do craque foi mais longe, acusando Luque e a psiquiatra Agustina Cosachov de terem manipulado a família para que Maradona fosse tratado em casa, em vez de permanecer sob vigilância hospitalar após a complexa cirurgia à cabeça para remover um hematoma. «Tento ser respeitosa, mas ele matou o pai do meu filho!», revoltou-se.
Condições “nauseabundas”
Em sintonia com o que já havia sido relatado por Gianinna, Ojeda descreveu um cenário degradante na residência em Ezeiza, onde Maradona passou os seus últimos dias. Segundo a depoente, o espaço não reunia as mínimas condições para um internamento domiciliário: «Não havia eletrodomésticos, nem sequer se podia lavar! No quarto do Diego só havia um bacio, extremamente sujo e com um cheiro nauseabundo, insuportável.»
Nova prova apresentada ao tribunal
Como elemento fundamental para a investigação, Verónica Ojeda apresentou em tribunal uma gravação com mais de uma hora de duração. O áudio documenta uma reunião crucial entre a equipa médica de Luque e a família de Maradona, onde foi tomada a decisão de não hospitalizar o antigo capitão da seleção argentina. Os juízes deverão agora deliberar sobre a inclusão deste novo elemento probatório no processo.
Acusações de homicídio por dolo eventual
Recorde-se que sete arguidos estão a ser julgados por homicídio com dolo eventual, um crime que, na justiça argentina, pode resultar em penas de prisão entre os 8 e os 25 anos. A acusação defende que a equipa médica cometeu atos negligentes que foram decisivos para a crise cardiorrespiratória e o edema pulmonar que ditaram o fim da vida do “D10S”, aos 60 anos.
O julgamento continua a desvendar o que terá acontecido nos bastidores dos cuidados de saúde prestados a uma das maiores figuras da história do desporto mundial.










