O ex-ciclista galego assume a coordenação da Volta a Portugal, Volta ao Algarve e Volta ao Alentejo, e promete reforçar identidade, internacionalizar as provas e revisar o sistema de pontuação
Um gestor com experiência de estrada e de organização
A Federação Portuguesa de Ciclismo escolheu Ezequiel Mosquera para liderar um novo ciclo das mais importantes provas por etapas do país.
O ex-ciclista galego, responsável pelo projeto O Gran Camiño através da Emesports, chega com uma equipa e uma proposta clara: modernizar, profissionalizar e projetar as voltas portuguesas no calendário internacional.
Mosquera explica que a experiência de O Gran Camiño foi determinante. “Acho que tudo começa com as visitas às nossas provas, onde puderam ver como estruturamos a corrida e qual a filosofia por detrás de cada decisão”, disse ao jornal Marca.
“Com um novo rumo, a Volta pode voltar a ser o que merece: um “eventazo””, acrescentou.
Identidade, relato e ligação ao público
Para Mosquera, a Volta tem ingredientes únicos que só precisam de ser melhor valorizados.
“Para mim não há experiência mais próxima de uma grande volta do que a Volta a Portugal, por dias, dificuldade, público e por todos os ingredientes que tem”, afirmou.
O objetivo passa por reforçar a identidade das provas, tornar as narrativas mais apelativas e construir um produto televisivo coerente. A estratégia inclui aposta em roteiros, imagem e produção que atraiam audiências fora de Portugal.
Internacionalizar e ajustar o sistema de pontos
Um dos eixos do plano é integrar melhor as provas lusas no sistema internacional de pontuação. Mosquera considera que a Volta a Portugal está penalizada no atual quadro de pontos e quer corrigir essa distorção.
“Queremos internacionalizar a corrida e reforçar a parcela desportiva, que é chave no sistema de pontos”, disse, alertando que a atual avaliação condiciona a presença de equipas mais fortes.
A proposta envolve diálogo com organizadores, equipas e federações para “reequilibrar a balança”, de forma a que corridas de dez dias não sejam preteridas por falta de atribuição de pontos.
Sinergias com O Gran Camiño e alternativas para equipas ProConti
Mosquera vê oportunidades de sinergia entre as provas portuguesas e o seu projeto em Espanha.
“Há muitas sinergias com O Gran Camiño, estamos todos ligados ao Atlântico”, afirmou, defendendo que Algarve, Volta a Portugal e O Gran Camiño podem oferecer calendários complementares e atrativos para equipas ProConti e conjuntas.
A ideia é criar circuitos que ofereçam alternativas válidas às equipas que ficam fora das grandes voltas, com percursos que desafiem e emocionem.
Método e execução, não improviso
O novo diretor não promete milagres, promete método. Mosquera ressalvou que a intervenção será baseada em planeamento e execução cuidada, evitando soluções espetaculares e pouco sustentadas.
“Nós não vamos erguer-nos como inventores de nada; chega-se com método e com um bom grupo”, assumiu.
O foco imediato passa por consolidar calendários, melhorar produção televisiva e abrir canais com stakeholders internacionais.
Receção e expectativa no pelotão e no país
A nomeação foi recebida com entusiasmo por quem procura revitalizar o ciclismo português. A Federação justificou a escolha pela capacidade do novo coordenador combinar visão desportiva e capacidade organizativa.
A ambição é transformar a Volta a Portugal numa referência internacional, sem perder a sua essência e ligação às comunidades locais.








