A equipa francesa revelou o monolugar para a temporada de F1 2026, num cenário simbólico e assumindo uma mudança profunda para tentar recuperar competitividade numa nova era da modalidade.
A Alpine revelou oficialmente o seu A526, o monolugar com que vai disputar a temporada de F1 2026, num lançamento que decorreu em Barcelona, a bordo de um cruzeiro, numa escolha que não foi inocente: é precisamente na Catalunha que terão lugar os primeiros testes privados do novo regulamento técnico. Numa era que é de mudança para a F1, pela primeira vez, a Alpine abandona os históricos motores Renault e passa a utilizar unidades de potência Mercedes, consideradas por muitos como a referência técnica para este novo ciclo.
Countless hours, dedication and team work has formulated our car.
— BWT Alpine Formula One Team (@AlpineF1Team) January 23, 2026
Introducing… A526 🏎️ pic.twitter.com/tmNfQXKwYM
Um novo regulamento, uma nova oportunidade
A temporada de F1 2026 inaugura uma das maiores transformações técnicas nas últimas décadas, com motores profundamente reformulados e uma componente elétrica muito mais relevante. Para equipas que ficaram para trás nos últimos anos, como a Alpine, o novo regulamento representa uma verdadeira “folha em branco”. Flavio Briatore, figura central no relançamento do projeto, não escondeu o simbolismo do momento. O dirigente sublinhou que a equipa trabalhou durante meses em Enstone no desenvolvimento do A526, já em estreita colaboração com a Mercedes, responsável não só pelo motor como também pela caixa de velocidades a partir desta época.
Not a bad way to kick off launch day 😏@alpinecars pic.twitter.com/G39fuVLwUh
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Fim da era Renault e confiança na Mercedes
A decisão de abandonar os motores Renault foi uma das mais discutidas no paddock, mas também uma das mais pragmáticas. Depois de uma temporada de 2025 marcada pela falta de competitividade, a Alpine optou por sacrificar resultados imediatos e concentrar todos os recursos no projeto de F1 2026. Essa aposta ganha ainda mais relevância, tendo em conta os rumores persistentes de que a Mercedes encontrou soluções particularmente eficazes para o novo regulamento, incluindo uma interpretação técnica que permite tirar partido de uma taxa de compressão mais elevada, algo que já está a ser discutido diretamente com a FIA. A situação gerou desconforto entre várias equipas, com a Audi a admitir receios de começar o ciclo em clara desvantagem.
We're on the final countdown. pic.twitter.com/2gjHMFiUVp
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Gasly e Colapinto lideram a nova fase
Tal como na temporada anterior, a Alpine mantém Pierre Gasly e Franco Colapinto como dupla titular. A continuidade nos pilotos contrasta com a revolução técnica e estrutural da equipa, numa tentativa de garantir estabilidade dentro do cockpit enquanto tudo muda à volta. Com apenas 22 pontos em 2025 e um último lugar no Mundial de Construtores, a fasquia estava perigosamente baixa. Agora, com o A526 impulsionado por motores Mercedes, a expectativa passa por regressar, pelo menos, à luta regular pelo meio do pelotão — e, em cenários mais otimistas, aproximar-se dos lugares cimeiros.
Continuing his @AlpineF1Team journey 🤜🤛
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Vamos, @francolapinto 🇦🇷 pic.twitter.com/MxF3tycFFK
Entering his fourth year with Team Enstone 💪
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We're all in, @pierregasly 🇫🇷 pic.twitter.com/ojoD8kkKsn
Recomeço sob escrutínio
A Alpine não esconde que a temporada de F1 2026 é um ano decisivo. A aposta total no novo regulamento, a mudança de fornecedor de motores e o regresso de Briatore ao centro do projeto colocam a equipa sob um escrutínio natural. Se o A526 será capaz de transformar esta ambição em resultados concretos, só a pista o dirá. Mas, para já, a Alpine fez aquilo que não conseguiu nos últimos anos: criar expectativa.











