Terminados os testes de pré-época do Bahrain, para a F1 2026, ficaram pistas importantes sobre a possível ordem da grelha para a nova temporada do Mundial. Entre favoritos assumidos, surpresas discretas e desilusões inesperadas, o arranque em Melbourne deixa previsões interessantes e altas expectativas para os fãs, sendo já possível traçar um esboço da hierarquia. Todavia, ainda que os tempos de pré-época devam ser analisados com cautela, há tendências claras a emergir.
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Mercedes: consistência e margem por explorar para a F1 2026
A Mercedes-AMG Petronas F1 Team confirmou o estatuto de favorita ao ser a equipa a completar mais voltas do que qualquer rival e ao demonstrar um equilíbrio sólido em simulações de corrida. Apesar de alguns contratempos, incluindo uma troca de motor que limitou o programa de Kimi Antonelli, o W17 revelou um excelente ritmo, muito consistente e uma das melhores a gerir a questão energética da forma mais eficaz – assunto que tem levantado muita polémica. Apesar desta aparente dominância, a verdade é que rumores circulam no paddock que afirmam que a equipa alemã ainda não mostrou todo o seu potencial, o que vem ainda lançar mais expectativa em torno da Mercedes para a temporada de F1 2026.
Ferrari: velocidade evidente
A Scuderia Ferrari – que viveu um ano, literalmente, para esquecer – foi uma das formações que mais impressionou no Bahrain, com Charles Leclerc a protagonizar voltas rápidas que chamaram a atenção, chegando mesmo a marcar o tempo de volta mais rápidos das duas sessões. O SF-26 aparenta-se com um passo evolutivo para a temporada de F1 2026, principalmente face ao modelo anterior, combinando fiabilidade e arranques particularmente fortes. Apesar de alguns problemas técnicos que afetaram Lewis Hamilton, o conjunto italiano surge muito próximo da Mercedes na luta pelo topo.
McLaren: sólida, mas ligeiramente atrás
A campeã em título, tanto de construtores como de pilotos, a McLaren F1 Team realizou uma pré-época sem grandes falhas evidentes, mas, ao mesmo tempo, sem grandes motivos de destaque. Lando Norris e Oscar Piastri até acumularam uma quantidade de voltas relevante, contudo, a sensação interna é de que a equipa de Woking está um pequeno passo atrás de Mercedes e Ferrari, para a temporada de F1 2026, sobretudo em ritmo puro de qualificação, situação confirmada pelo próprio Lando Norris quando afirmou que a “McLaren tem ligeiro atraso no ritmo de corrida”. Mas o britânico também é rápido a afirmar os pontos fortes do ano passado continuam lá e que o ligeiro atraso é facilmente recuperável.
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Red Bull: estreia interna promissora
A Red Bull Racing enfrentava um enorme desafio com a introdução da sua primeira unidade motriz desenvolvida internamente e à responsabilidade de outra marca. E mesmo apesar das declarações polémicas de Max Verstappen, que prontamente tiveram resposta por parte dos rivais, o balanço dos testes pré-temporada F1 2026 foi positivo, tanto em fiabilidade como em desempenho. Embora possa estar ligeiramente atrás na volta lançada e em velocidade de ponta, os indícios apontam para uma gestão de energia particularmente eficaz, fator que poderá ser decisivo em corrida, fruto de um trabalho que já vem desde o ano anterior.
Haas: candidata a liderar o meio do pelotão
Entre as equipas fora do quarteto da frente, a Haas F1 Team surge como forte candidata a chefiar o pelotão intermédio na temporada de F1 2026. O VF-26 mostrou um surpreendente equilíbrio, tanto em stints curtos como mais longos, beneficiando também da unidade motriz Ferrari, considerada rápida e fiável. Se as previsões e tudo o que se observou nos testes se vier a confirmar, a luta regular por pontos parece ser um objetivo realista desde a primeira ronda.
Alpine: sinais claros de recuperação
Depois de um 2025 difícil, a Alpine F1 Team apresentou uma pré-época encorajadora. Com motor Mercedes e um monolugar todo ele mais consistente, a equipa francesa registou tempos competitivos, ainda que factualmente fora do top 4 das principais equipas, mas incluindo uma volta rápida relevante no Bahrain, com Pierre Gasly aos comandos. Pequenos problemas de fiabilidade não apagam, contudo, a sensação de progresso.
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Racing Bulls: consistência e juventude
A Racing Bulls destacou-se nos treinos para a temporada de F1 2026, principalmente, pela elevada quilometragem completada, ficando apenas atrás da Mercedes nesse capítulo. O comportamento do novo carro parece sólido, ainda que fique ligeiramente abaixo de Haas e Alpine. A integração rápida do jovem Arvid Lindblad foi um dos pontos positivos, que apesar da sua inexperiência aos comandos de um F1, conseguiu demonstrar algum à vontade dentro do monolugar.
Audi: estreia discreta mas encorajadora
A nova e estreante Audi F1 Team foi a primeira a colocar em pista o seu monolugar de 2026, acabando por surpreender com soluções técnicas ousadas. A unidade motriz própria mostrou sinais positivos, mesmo após um início hesitante. As declarações dos chefes de equipa para este ano deixavam no ar alguma apreensão, porém, o ritmo em simulação de corrida indica bastante potencial para lutar por pontos no meio de um pelotão que, à imagem de anos anteriores, também para a época de F1 2026, parece cada vez mais estar muito compacto.
Williams: inverno complicado
A Williams Racing não escondeu a desilusão, admitindo frontal e claramente que está a entrar na nova época de F1 2026 em desvantagem, depois de ter falhado o shakedown em Barcelona. Apesar de recuperar quilometragem nos testes do Bahrain, o FW48 aparenta um défice considerável de desempenho, principalmente quando comparado diretamente com os principais rivais, deixando muitas dúvidas e questões por esclarecer relativamente à força e capacidade de resposta, neste momento, do conjunto.
Cadillac: estreia acima das expectativas
A recém-chegada Cadillac F1 Team à F1 2026 teve um início muito encorajador, acumulando voltas importantes e evitando problemas graves. A falta de carga aerodinâmica mantém a equipa americana distante da frente, todavia, para um estreante na modalidade, o cenário é mais positivo do que se antecipava. Obviamente que as expectativas são realistas, e, com isso em mente, evitar a última linha da grelha em Melbourne já seria um resultado relevante.
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Aston Martin: todos os sinais de alerta estão lá
A pré-época da F1 2026 da Aston Martin F1 Team foi particularmente preocupante. Os sinais não era os mais reconfortantes. O AMR26, primeiro projeto com forte influência de Adrian Newey, chegou tarde e a más horas, deixando às claras e para todo o paddock ver as dificuldades de equilíbrio e fiabilidade. A unidade motriz Honda também levantou dúvidas significativas. É, provavelmente, a grande surpresa, pela negativa, deste início de temporada e, por isso, não será uma surpresa para ninguém ver a equipa britânica surgir na cauda do pelotão.
Com o GP da Austrália, que marca o arranque oficial da temporada de F1 2026, e que ao mesmo tempo representa toda uma nova era para a modalidade, esta é uma hierarquia que pode fácil e rapidamente alterar e sofrer ajustes. Apesar da quilometragem, da aparente fiabilidade, um Grande Prémio faz-se sempre acompanhar de outros fatores externos bem mais intenso e importantes, e que nenhuma sessão de treinos consegue equiparar. Para já, é a Mercedes e a Ferrari parecem ter dado o primeiro passo decisivo para a nova temporada.











