A marca alemã estreia-se na temporada de F1 2026, com uma base sólida, ainda que enfrente um caminho exigente na sua primeira época completa.
A temporada de F1 de 2026, que está prestes a começar, marcará um momento histórico para a Audi. Pela primeira vez, o construtor alemão alinhará no Campeonato do Mundo, assumindo o controlo total da estrutura da Sauber e apresentando uma equipa com identidade própria, motores desenvolvidos internamente e objetivos bem definidos a médio prazo. A curiosidade é muito e a expectativa é alta.
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Uma nova identidade
Embora a Audi seja uma estreia absoluta na F1, a equipa que lhe serve de base está longe de ser um projeto novo. A Sauber já compete no campeonato desde 1993 e construiu uma reputação relativamente sólida no pelotão intermédio, passando por diferentes fases enquanto BMW e Alfa Romeo. Ao longo de mais de três décadas, a equipa disputou mais de 600 Grandes Prémios e conquistou uma vitória e uma pole position, ambas em 2008, com Robert Kubica. A Audi aposta agora nessa continuidade operacional, complementada por um forte investimento em infraestruturas e recursos humanos.
Investimento em tecnologia
Desde que adquiriu uma participação na Sauber, em 2022 e concluiu a compra total em 2024, a Audi tem vindo a modernizar profundamente a estrutura dentro da F1. A fábrica de Hinwil, na Suíça, foi alvo de melhorias significativas e foi criado o Audi Motorsport Technology Centre, em Bicester, no Reino Unido. Esta nova base técnica tem como objetivo reforçar as capacidades de desenvolvimento e facilitar a contratação de engenheiros de topo, evitando a necessidade de mudança para a Suíça, um fator decisivo neste que é um mercado altamente competitivo.
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O maior desafio: o motor de 2026
O principal teste à ambição da Audi estará no seu papel como novo fabricante de unidades de potência. Entrar na F1 com um motor próprio é uma tarefa exigente, mas digna de registo, como ficou demonstrado pela experiência recente da Honda. A diferença, desta vez, é que a Audi participou ativamente nas negociações do regulamento técnico para 2026 e chega preparada para a nova era híbrida que valoriza eficiência energética, área onde o construtor acumula experiência em competições como o WEC, o rali-raid e a Fórmula E.
Ainda assim, é expectável que, pelo menos numa fase inicial, a Audi e outros novos fabricantes possam estar um passo atrás face aos concorrentes mais estabelecidos. Um sinal positivo, foi o facto do primeiro carro de 2026, já com o novo motor, ter sido ligado pela primeira vez a 19 de dezembro, numa fase que se pode considerar bastante precoce do desenvolvimento.
Experiência ao volante
No plano desportivo, a Audi contará com uma dupla que se espera equilibrada. Nico Hülkenberg será uma das principais referências da equipa. Com mais de 250 Grandes Prémios disputados na F1, o piloto alemão é um dos mais experientes da grelha. Com ele, traz ainda um conhecimento relevante na gestão de sistemas híbridos, fruto da sua vitória nas 24 Horas de Le Mans, de 2015, com a Porsche, além de ser igualmente um profundo conhecedor dos rivais que completam a grelha. Ao seu lado estará Gabriel Bortoleto, que, aos 21 anos, e depois de uma temporada com alguns registos interessantes, entra na nova fase do projeto, com uma margem clara para evolução.

Um ano de aprendizagem
Apesar do impacto mediático da entrada na F1, a Audi mantém uma abordagem realista e uma com noção da real dificuldade que é entrar neste meio. O objetivo declarado é lutar por títulos mundiais a partir de 2030. Para 2026, a prioridade passa por ser competitiva, aprender e dar passos consistentes face ao desempenho da temporada anterior. O CEO da Audi, Gernot Döllner, descreveu mesmo o primeiro ano como um “ano de desafio”, sublinhando que o sucesso será medido pela capacidade de crescimento e consolidação do projeto.











