Depois dos motores e da compressão, a FIA volta a mexer no texto técnico da F1 de forma a evitar vantagens escondidas num detalhe crucial dos novos carros.
A F1 de 2026 continua a ser desenhada à lupa — e a FIA não quer deixar nada ao acaso. Com a entrada em vigor do novo e algo polémico regulamento técnico, a Federação Internacional do Automobilismo voltou a intervir no texto, para fechar mais uma brecha que poderia abrir caminho a interpretações criativas por parte das equipas. Depois da polémica em torno dos motores e da taxa de compressão, agora o foco está noutro elemento sensível: o medidor de fluxo de combustível, uma peça central num campeonato que se prepara para abraçar, em pleno, os combustíveis 100% sustentáveis.
Um regulamento em construção… e constante revisão
O regulamento técnico de 2026 representa uma das maiores revoluções da história recente da F1. Novos motores híbridos, maior peso da componente elétrica, combustíveis sustentáveis e carros redesenhados para promover corridas mais equilibradas colocam desafios inéditos às equipas — e à própria FIA. Como tem sido hábito, cada nova linha do regulamento é analisada ao pormenor pelos departamentos técnicos das equipas, sempre à procura daquele “pulo do gato” que permita ganhar décimos decisivos em pista. É precisamente esse jogo de antecipação que a FIA tenta travar com estes ajustes sucessivos na redação das regras.
Do peso ao conteúdo energético: a grande mudança no combustível
Até 2025, o limite de combustível na F1 era medido em massa: 100 kg/hora. A partir de 2026, com a introdução dos combustíveis totalmente sustentáveis, a métrica muda radicalmente. O controlo passa a ser feito em energia, com um teto máximo de 3000 megajoules por hora (MJ/h). Esta alteração pretende alinhar a F1 com objetivos ambientais mais ambiciosos e tornar irrelevante a origem fóssil do combustível, focando-se apenas no seu rendimento energético. Porém, a mudança abriu uma nova frente de vigilância técnica.
🚨2026 F1 Engine 2nd LOOPHOLE Discovered
— Overtake Fans (@overtakefans) December 23, 2025
– The FIA has closed another loophole regarding the 2026 engines
– This is a measure relating to the fuel flow meter, where the previous ceiling, which measured a maximum mass flow of 100kg/h, is being replaced with a fuel energy flow… pic.twitter.com/LN0PDxtbna
O medidor de fluxo no centro das atenções
Para garantir igualdade absoluta, a FIA decidiu que todas as equipas utilizarão exatamente o mesmo medidor de fluxo de combustível, fornecido pela empresa Allengra. Os 22 monolugares do pelotão terão sensores idênticos, eliminando diferenças de hardware. No entanto, surgiu uma potencial “zona cinzenta”: a temperatura do medidor. Variações térmicas podem, em teoria, influenciar as leituras energéticas e abrir espaço a pequenas — mas decisivas — vantagens. Para evitar qualquer tentativa de manipulação indireta, a FIA optou por endurecer a linguagem do regulamento, por forma a este ficar mais especifico e menos sujeito a possíveis reinterpretações.
Texto mais duro para evitar truques futuros
Inicialmente, o regulamento apenas proibia o aquecimento ou arrefecimento intencional do medidor. Em outubro, a FIA ajustou a redação, mas voltou agora a reforçá-la de forma ainda mais clara: “Qualquer dispositivo, sistema ou procedimento cujo objetivo seja alterar a temperatura do medidor de fluxo de combustível é proibido.” A nova formulação elimina ambiguidades e fecha a porta a soluções criativas, que as equipas estão sempre à espreita, convenhamos, e que poderiam contornar a intenção original da regra. Importa sublinhar, contudo, que não há qualquer indício de que alguma equipa tenha tentado explorar esta brecha. A alteração surge de forma preventiva, algo cada vez mais comum na abordagem da FIA para a F1.
Um aviso claro às equipas para 2026
Este novo ajuste confirma uma tendência: o regulamento de 2026 será um dos mais vigiados e detalhados de sempre. A FIA quer evitar polémicas técnicas como as que marcaram outras eras da F1 — desde difusores duplos a asas flexíveis ou sistemas híbridos “cinzentos”. Com Mercedes, Red Bull, Ferrari e novos construtores a investir milhares de milhões no próximo ciclo regulamentar, cada detalhe conta. E a federação mostra que está determinada a não deixar margem para interpretações criativas que possam desequilibrar as contas do campeonato. O que já se sabe, é que em 2026, a batalha não será apenas na pista. Contudo, pelo menos no papel, a FIA quer garantir que todos partem exatamente do mesmo ponto.











