A equipa Tudor Pro Cycling já não é uma promessa, é uma realidade consolidada no pelotão internacional.
Após terminar 2025 como a 13.ª melhor equipa do mundo, a formação suíça garantiu o acesso direto ao WorldTour em 2026 via convite permanente. Em entrevista ao jornal MARCA, o patrão da equipa e lenda do ciclismo, Fabian Cancellara, explicou o que esta nova fase significa para o projeto.
Para Cancellara, a entrada no escalão máximo do ciclismo traz, acima de tudo, previsibilidade. “Dá-nos segurança e clareza no planeamento. Podemos definir o calendário completo desde o início da temporada e evitar a incerteza que tínhamos no ano passado”, afirmou o suíço, destacando a estreia na Vuelta a España como o grande marco de 2026.
Identidade acima do sistema de pontos
Numa altura em que muitas equipas (como a Astana em 2025) vivem obcecadas com o sistema de pontos da UCI para evitar a despromoção, Cancellara traça uma linha vermelha clara: a Tudor não vai abdicar da sua identidade ofensiva em troca de cálculos matemáticos.
“A Tudor nunca vai correr exclusivamente para somar pontos. Isso não cria cultura de equipa nem torna o ciclismo mais atrativo. Nós corremos para ganhar, para obter resultados e para ‘fazer a corrida'”, sublinhou o ex-campeão, reforçando o lema da equipa: Born to Dare (Nascidos para se atrever).
Os objetivos para a nova temporada são ambiciosos, mas realistas:
- Vencer uma etapa numa Grande Volta (Giro, Tour ou Vuelta).
- Consolidar a estrutura para a próxima década no WorldTour.
- Manter o protagonismo em grandes clássicas e Monumentos.
O “fenómeno” Pogacar e o desafio da motivação
Como triplo vencedor da Volta a Flandres, Cancellara foi questionado sobre o domínio de Tadej Pogacar, especialmente após o esloveno ter “derrotado” os especialistas em muros. O suíço evitou comparações geracionais, mas deixou um aviso sobre o futuro do atual campeão do mundo.
“Sempre me perguntam se eu ganharia ao Pogacar, mas acho que não se pode comparar pela evolução do desporto”, confessou. Para Cancellara, o maior risco para Pogacar não é o desgaste físico, mas sim a perda de estímulos: “O problema não é a forma, é a motivação. Ganhar tudo nem sempre é um desafio, e sem desafios é mais difícil superar os momentos complicados.”
A Tudor chega a 2026 galvanizada pelo pódio de Michael Storer na Il Lombardia do ano passado, onde o ciclista da equipa suíça partilhou o palanque com o próprio Pogacar e Remco Evenepoel. “Foi a culminação de todo o nosso trabalho”, concluiu Cancellara.







