Avançado saiu aos 18 anos e rendeu 40 milhões de euros aos cofres dos dragões
A viver um dos momentos mais destacados da sua carreira ao serviço do Las Palmas, Fábio Silva concedeu uma entrevista ao The Athletic, onde revisitou a saída precoce do FC Porto, os desafios enfrentados no Wolverhampton e a emoção de representar a Seleção Nacional. O avançado, que tem sido peça-chave na equipa das Ilhas Canárias, já soma 7 golos e 2 assistências em 17 jogos nesta temporada, incluindo tentos marcados frente ao Barcelona e ao Real Madrid. Este desempenho notável valeu-lhe alegados interesses de clubes como o Atlético Madrid.
“O meu foco é o Las Palmas e o objetivo a que nos propusemos, que é a permanência na LaLiga. O interesse do Atlético Madrid é algo que deixo para o meu empresário. Mas o que posso dizer sobre o Atlético? É um dos melhores clubes do Mundo e desta Liga. O Simeone é um dos melhores treinadores do Mundo”, afirmou o jovem avançado português, que está cedido aos espanhóis pelo Wolverhampton.
Em setembro de 2020, Fábio Silva trocou o FC Porto pela Premier League, numa transferência que rendeu 40 milhões de euros aos cofres dos dragões. No entanto, a adaptação ao futebol inglês revelou-se um grande desafio para o jogador, que na altura tinha apenas 18 anos. “Às vezes as pessoas esquecem-se da minha idade porque comecei cedo. Tive de evoluir muito rápido nos wolves. As pessoas esperam uma coisa mas às vezes esquecem-se da minha idade, pensam que tenho 25 ou 26 anos, mas na realidade tenho apenas 22.”
O jogador confessou que a sua intenção inicial era permanecer mais tempo no FC Porto antes de dar o salto para o estrangeiro. “Tudo à minha volta andou demasiado depressa. A ideia era ficar dois ou três anos no FC Porto e jogar mais. Mas no futebol nem sempre se consegue controlar as coisas e, naquele momento, não pude fazer nada. Foi muito difícil porque numa equipa como os wolves não tens sempre a bola, então tens de sofrer e jogar em contra-ataque. Às vezes os defesas e os médios passavam-me a bola, para eu a segurar, mas eu não era suficientemente forte. Então pensava ‘uau, isto é um grande nível’. Estava sob grande pressão, mas tinha de lidar com isso na minha cabeça.”
Chegar à Premier League tão jovem foi um dos maiores desafios da sua vida. “Cheguei aos 18 anos à melhor liga do Mundo, com todo aquele barulho à minha volta. Senti que não tive tempo nem espaço para errar. Tudo tinha que ser perfeito. Penso que sou diferente por causa disso, mas tenho de viver com isso. Gosto de viver sob pressão.”
Após sucessivos empréstimos ao PSV, Rangers e agora Las Palmas, Fábio Silva guarda boas recordações do apoio que recebeu de Nuno Espírito Santo durante a sua primeira época em Wolverhampton. “Aquele primeiro ano com o Nuno foi realmente muito bom. Foi o treinador que me quis contratar e foi honesto comigo desde o primeiro dia. Disse que tinha de esperar pela minha oportunidade e confiar nele, porque ela acabaria por chegar. Sempre me disse as palavras certas para me manter feliz. Às vezes, quando não jogava ele vinha falar comigo. Ele sabia que eu era jovem, estava longe da minha família num país diferente. Sempre teve uma palavra para comigo, foi um treinador especial e estou feliz por vê-lo tão bem no Nottingham Forest. É realmente uma boa pessoa.”
Em novembro, Fábio Silva foi convocado por Roberto Martínez para a Seleção Nacional principal, marcando um momento importante na carreira do jovem avançado. “Jogámos com a Croácia e quando estava a sair do balneário para o aquecimento disse para mim mesmo ‘finalmente estou aqui’. Fiquei feliz pela minha resiliência, pela paciência, por tudo o que passei e que me ajudou a chegar cá. Senti-me muito orgulhoso por poder treinar com o Cristiano [Ronaldo], mas a estreia pelo meu país foi especial, é o sonho de todas as crianças.”









