Dragões foram campeões em 13 ocasiões em que eram líder à 15ª jornada
O FC Porto de Francesco Farioli continua a dar mostras de enorme consistência no campeonato. Ao fim de 16 jornadas, os azuis e brancos ainda não conheceram o sabor da derrota, somando 15 vitórias e apenas um empate, precisamente frente ao Benfica no Estádio do Dragão.
No próximo domingo, diante do Santa Clara nos Açores, os portistas têm a oportunidade de concluir a primeira volta da Liga sem qualquer desaire, um feito que, a confirmar-se, acontecerá pela 16.ª vez na história do clube — recorde absoluto no futebol português.
Embora o estatuto de “campeão de inverno” já esteja assegurado, graças à vantagem pontual sobre o Sporting, a experiência ensina que liderar a meio da prova não é sinónimo automático de festejos no fim. Ainda assim, os números são esmagadores a favor dos dragões.
Um padrão que costuma acabar em título
Sempre que o FC Porto terminou a primeira metade do campeonato invicto, ergueu o troféu em 13 das 15 ocasiões. As únicas exceções registaram-se nas épocas de 1974/75 e 1986/87. Neste último caso, a equipa chegou à 15.ª jornada com os mesmos 25 pontos do Benfica, num campeonato então disputado em 30 rondas.
Já neste século, há uma curiosidade notável: todos os treinadores portistas que atingiram o meio da Liga sem derrotas acabaram campeões. José Mourinho conseguiu-o em 2002/03 e 2003/04, André Villas-Boas em 2010/11, Vítor Pereira em 2012/13 e Sérgio Conceição em 2017/18 e 2021/22.
A última vez que os dragões fecharam a primeira volta sem perder foi precisamente em 2021/22, época em que somaram 47 pontos em 51 possíveis, com 15 triunfos e dois empates.
Liderar a meio nem sempre garante festa
Desde a introdução dos três pontos por vitória, em 1995/96, o FC Porto terminou a primeira volta na frente, com vantagem pontual, por 15 vezes. Em 13 delas acabou campeão, mas há duas campanhas que servem de aviso.
Em 1999/2000, os azuis e brancos chegaram à metade da prova com três pontos de avanço sobre o Sporting. Contudo, a equipa então orientada por Augusto Inácio protagonizou uma recuperação notável e terminou a época no primeiro lugar, com quatro pontos de vantagem, colocando fim a um jejum que durava desde 1981/82.
Outro episódio marcante ocorreu em 2018/19. O FC Porto iniciou a segunda volta com cinco pontos de vantagem sobre o Benfica, mas a entrada de Bruno Lage para o lugar de Rui Vitória mudou o rumo da temporada. Os encarnados somaram 16 vitórias e um empate na segunda metade do campeonato, incluindo um triunfo decisivo por 2-1 no Dragão, e acabaram por conquistar o título.
Campeonatos sem derrotas: um luxo raro
Completar toda uma época sem qualquer derrota é ainda mais excecional. No futebol português isso só aconteceu quatro vezes.
O primeiro a consegui-lo foi o Benfica de Jimmy Hagan, em 1972/73, com 28 vitórias e dois empates. Curiosamente, em 1977/78 os encarnados também não perderam qualquer jogo, mas ainda assim não foram campeões: a equipa de José Maria Pedroto, no FC Porto, perdeu apenas uma vez, empatou menos e acabou por levar o troféu graças à melhor diferença de golos.
Já neste século, o FC Porto foi protagonista de duas dessas temporadas perfeitas. Em 2010/11, sob a liderança de André Villas-Boas, os dragões venceram 27 jogos e empataram três. Em 2012/13, com Vítor Pereira, repetiram a proeza, fechando a Liga com 24 triunfos e seis empates — época que ficou eternizada pelo golo de Kelvin aos 90+2 frente ao Benfica, no clássico do Dragão.
Agora, com Francesco Farioli ao leme, o FC Porto volta a escrever uma história de regularidade. Para já, o próximo capítulo passa pelos Açores. E os números dizem que, quando os dragões chegam aqui sem cair, quase sempre acabam no topo.










