O GP do México de F1 continua a dar que falar — o motivo é a segurança dos fiscais de pista. Um relatório divulgado pela OMDAI, direciona responsabilidades diretas para Liam Lawson. Mas como?
A OMDAI — representante da Federação Internacional do Automobilismo (FIA) no México — concluiu que Liam Lawson foi o principal responsável por um momento de grande perigo logo nas primeiras voltas da corrida, ao desrespeitar o regime de dupla bandeira amarela.
O Relatório
De acordo com o documento, o piloto neozelandês da Racing Bulls, Liam Lawson, ignorou as advertências visuais e sonoras que indicavam a presença de fiscais na pista, enquanto estes trabalhavam para remover destroços resultantes de um toque entre o próprio Lawson e Carlos Sainz, ainda na primeira volta. A ação, considerada de “alto risco” pela FIA, poderia ter terminado em tragédia.
“Liam Lawson manteve o volante do seu carro na entrada da curva 1, sem alterar a trajetória, mesmo quando os comissários estavam a atravessar a pista para regressar às suas posições”, pode ler-se no relatório. A equipa Racing Bulls foi alertada para o perigo e transmitiu a informação ao piloto, mas este, terá continuado em velocidade superior à recomendada para o regime de bandeira dupla.
Racing Bulls driver Liam Lawson was raging after almost hitting two marshals pic.twitter.com/M7ADkQXy71
— ESPN F1 (@ESPNF1) October 27, 2025
Os alertas (ou a falta deles)
O incidente gerou alarme no paddock! Foi captado pelas câmaras de televisão, pelos espetadores, imagens essas que depressa se tornaram virais nas redes socais. Lawson, também ele visivelmente perturbado, relatou o susto via rádio. “Meu, que merd@! Meu Deus, vocês estão a brincar? Viram isto?”, questionou o piloto, em tom de choque, dirigindo-se ao engenheiro Ernesto Desiderio. “Sim, vimos. Parabéns por evitares”, respondeu o engenheiro. Lawson ainda acrescentou: “Meu Deus, eu poderia tê-los matado!”, num momento que ilustra a gravidade da situação.
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— México Ahora (@AhoraMex) October 27, 2025
Liam Lawson vivió un susto enorme cuando dos comisarios cruzaron la pista justo al salir de pits, y por poco los impacta. El piloto explotó por radio: “I could have f*ing killed them!” 😱
La FIA ya abrió una… pic.twitter.com/5d8QpaxmoD
Conclusões da FIA
Apesar do susto, os fiscais escaparam ilesos. No entanto, a FIA considerou o comportamento do piloto uma violação das regras de segurança, lembrando que a dupla bandeira amarela obriga a uma redução drástica da velocidade, a proibição de ultrapassagens e a total prontidão para parar o carro caso existam pessoas ou obstáculos no traçado. Mesmo que o setor seguinte já estivesse sob bandeira verde, a entidade sublinhou que o piloto só poderia abandonar o regime de bandeira amarela após cruzar o ponto onde a sinalização verde é exibida.

Entenda o significado da dupla bandeira amarela
Na F1 e em todas as categorias regulamentadas pela FIA, a dupla bandeira amarela indica um perigo iminente na pista. Quando exibida, exige que o piloto reduza significativamente a velocidade, evite ultrapassagens e esteja preparado para parar o carro, caso necessário. Ignorar essa sinalização constitui uma infração grave, pois pode colocar em risco não apenas os fiscais, mas também outros pilotos e membros da organização.
O caso que envolveu Liam Lawson vem reacender o debate sobre o equilíbrio entre competitividade e segurança neste tipo de desporto. Embora o incidente não tenha resultado em ferimentos, não deixa de ser um grande sinal de alerta que é preciso mudar regras ou criar novas e reforça a questão da necessidade de vigilância constante.

(Créditos: Instagram)
FIA reforça medidas de segurança
Após a divulgação do relatório, a FIA emitiu uma nota em que reafirma o compromisso com a segurança nas pistas, tanto de pilotos como de comissários. A federação destacou que vai rever os procedimentos de comunicação entre as equipas e a direção de prova, de modo a garantir que os pilotos tenham total clareza sobre o estado da pista e as zonas sob intervenção.
“A integridade física dos comissários é uma prioridade máxima. Situações como a que ocorreu no México não podem repetir-se”, afirmou um porta-voz da entidade. A FIA também planeia reforçar o treino dos fiscais e a visibilidade das bandeiras nos circuitos, especialmente em zonas com múltiplas curvas ou baixa iluminação.
Não obstante de se apontar dedos ao(s) culpado(s), a verdade é que uma situação destas já não era vista há alguns anos na F1, pelo que será urgente se reverem os procedimentos o quanto antes. Nas imagens, e mesmo podendo facilmente atribuir-se culpas ao piloto Liam Lawson, fica bem evidente que é uma situação que simplesmente não pode ocorrer, principalmente com carros a rodar às velocidades com que os de F1 rodam.










