Uma decisão tomada em segundos esteve no centro da controvérsia, o que acabou por levar a FIA a intervir antes do início da temporada de 2026.
A Federação Internacional do Automóvel (FIA) decidiu avançar com (mais) uma clarificação decisiva no regulamento desportivo da F1, numa resposta direta à polémica vivida durante a sessão de qualificação do GP da Emília-Romanha de 2025. O objetivo é simples, mas estrutural: eliminar qualquer margem de interpretação sempre que uma volta rápida seja concluída após a exibição de uma bandeira vermelha. O episódio ocorrido em Ímola, expôs fragilidades no processo de comunicação e validação de tempos, levantando dúvidas entre equipas, pilotos e adeptos. Para evitar repetições, a FIA introduziu alterações que entram em vigor já na temporada de 2026 e que se aplicam a todas as sessões oficiais, incluindo as corridas.
O incidente que acelerou a mudança
O Q1 do GP da Emília-Romanha ficou marcado por duas interrupções. Primeiro, um violento acidente de Yuki Tsunoda, que provocou a exibição de bandeira vermelha logo nos minutos iniciais. Já nos instantes finais da sessão, um despiste de Franco Colapinto contra o muro levou a uma nova interrupção, desta vez sem recomeço da qualificação.
Foi neste contexto que surgiu a situação mais controversa. Oliver Bearman cruzou a linha de meta poucos segundos após a segunda bandeira vermelha, registando um tempo que, à primeira vista, lhe permitiria avançar para o Q2. O problema: no painel do carro da Haas não surgiu qualquer indicação imediata de que a sessão tinha sido interrompida. A ausência dessa informação visual levou a direção de prova a demorar vários minutos na análise do caso, criando confusão no pit-lane e nas equipas envolvidas.
A decisão da FIA e as consequências imediatas
Apesar da falta de aviso visível no carro, a FIA concluiu que a bandeira vermelha tinha sido transmitida eletronicamente três segundos antes de Bearman cortar a linha de chegada. Com base nos dados oficiais do sistema de cronometragem, o tempo foi considerado inválido e acabou por ser apagado. O piloto britânico foi assim eliminado ainda no Q1 e relegado para o 19.º lugar da grelha, uma decisão que teve impacto direto noutras equipas. A Sauber, por exemplo, chegou a colocar Gabriel Bortoleto no pit-lane antes de a situação estar resolvida, numa tentativa clara de pressionar os comissários enquanto o veredito não era conhecido.
O que muda no regulamento a partir de 2026
Perante a complexidade do caso, a FIA decidiu introduzir um esclarecimento formal no Código Desportivo Internacional, eliminando qualquer zona cinzenta. O novo texto estabelece que:
- Qualquer volta concluída após a exibição de bandeira vermelha é automaticamente inválida;
- O momento oficial da primeira exibição da bandeira será sempre determinado pelo sistema oficial de cronometragem;
- Caso esse sistema não esteja disponível ou sincronizado, a decisão caberá, em conjunto, ao diretor de prova, ao secretário da pista e ao cronometrista-chefe;
- Se, ainda assim, for registado um tempo após a bandeira vermelha, os comissários são obrigados a apagar essa volta, sem espaço para interpretação.
A Federação confirmou ainda que este procedimento será aplicado em todas as sessões de pista, incluindo treinos livres, qualificações, sprints e corridas, a partir de 2026.

Menos ambiguidades, mais previsibilidade
Com esta alteração, a FIA tenta, à imagem do que já aconteceu anteriormente com outras medidas, reforçar a previsibilidade das decisões desportivas e proteger a credibilidade do sistema de cronometragem. Em causa está não apenas a justiça competitiva, mas também a confiança das equipas num campeonato cada vez mais decidido por margens mínimas.
Depois de uma época marcada por debates sobre consistência na aplicação das regras, esta atualização surge como um sinal claro de que a Federação pretende antecipar problemas, em vez de reagir a polémicas já instaladas. A temporada de 2026 arranca assim com um regulamento mais fechado — e com menos espaço para interpretações de última hora tão habituais e engenhosas no mundo da F1.











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