O duelo entre França e Marrocos, dos quartos de final do Mundial 2026, promete ser um dos jogos mais marcantes da competição, não apenas pelo que está em causa dentro das quatro linhas. A FIFA implementou uma medida inédita para garantir o funcionamento do VAR, enquanto as autoridades francesas reforçaram significativamente o dispositivo de segurança em Paris.
Plano inédito para proteger o VAR
A entidade máxima do futebol decidiu criar um plano de contingência para impedir qualquer interrupção do sistema de videoárbitro durante o encontro, incluindo um eventual prolongamento. Para isso, o assistente de videoárbitro Leodán González e a suplente Tatiana Guzmán estarão fisicamente presentes no Estádio de Boston, onde se realiza a partida.
A decisão serve de salvaguarda caso exista alguma falha na ligação com a sala VOR principal, instalada no Centro Internacional de Imprensa, em Dallas. Se isso acontecer, ambos assumirão imediatamente as funções de revisão a partir do estádio, permitindo que o árbitro argentino Facundo Tello continue a recorrer ao monitor junto ao relvado, conforme prevê o protocolo da FIFA.
Segundo os regulamentos da FIFA, um jogo não pode ser interrompido devido a problemas técnicos no VAR. Com este plano, a organização pretende assegurar que o sistema permanece sempre operacional, evitando qualquer impacto no desenrolar de um encontro considerado de elevado risco desportivo e mediático.
Paris reforça segurança
A dimensão do jogo também levou as autoridades francesas a preparar um dispositivo especial de segurança na capital. De acordo com o Le Parisien, a polícia autorizou a utilização de drones de vigilância, reforçou o efetivo destacado para as zonas mais sensíveis e proibiu a utilização de material pirotécnico durante toda a operação.
As medidas surgem na sequência dos incidentes registados após o França vs Marrocos das meias-finais do Mundial 2022, quando foram efetuadas mais de 266 detenções em França, 167 das quais em Paris. Os Campos Elísios estarão sob forte vigilância, várias estações de metro serão encerradas e alguns comerciantes optaram por proteger as montras para prevenir atos de vandalismo e eventuais saques.
Um reencontro carregado de história
Além da rivalidade desportiva, o encontro volta a juntar dois países ligados por uma forte relação histórica, cultural e social. Entre 1912 e 1956, grande parte de Marrocos esteve sob protetorado francês e, atualmente, mais de um milhão de marroquinos vive em território francês. Essa ligação também se reflete na seleção orientada por Mohamed Ouahbi, que conta com vários jogadores nascidos em França.
Quatro anos depois da vitória francesa nas meias-finais do Mundial 2022, Marrocos procura agora escrever uma história diferente e alcançar novamente um lugar entre as quatro melhores seleções da prova. Com uma carga emocional elevada, um forte simbolismo entre os dois países e medidas inéditas dentro e fora do estádio, o França-Marrocos promete ser um dos encontros mais marcantes deste Mundial 2026.











