A FIFA estuda uma medida inédita para travar perdas de tempo, inspirada nas recentes reformas implementadas no Mundial e nas competições internacionais.
A FIFA está a acelerar o seu plano de modernização das regras do jogo, com foco num dos temas mais polémicos do futebol contemporâneo: a perda deliberada de tempo. Depois do aumento significativo nos períodos de compensação durante o último Campeonato do Mundo e de ajustes como a regra dos oito segundos para a reposição de bola pelos guarda-redes, o organismo prepara agora uma medida mais direta — e potencialmente transformadora.
FIFA aprofunda combate às perdas de tempo e pondera nova regra de “dois minutos fora”
De acordo com informações veiculadas pela imprensa especialiaste, a FIFA está a estudar a introdução de uma regra que obriga qualquer jogador assistido em campo a permanecer fora do jogo durante dois minutos, após receber apoio médico. A exceção seriam os guarda-redes, cuja saída temporária poderia afetar de forma desproporcionada o desenrolar do jogo. A proposta está a ser analisada pela área de arbitragem liderada por Pierluigi Collina, que há vários anos identifica o “anti-jogo estratégico” como uma das maiores ameaças ao ritmo e à fluidez das partidas.
Como funcionaria a nova regra?
A ideia é simples: sempre que um jogador necessitar de assistência médica em campo e o jogo for interrompido por esse motivo, ele terá de abandonar o relvado e permanecer fora por um período obrigatório de dois minutos antes de poder regressar.
Objetivos principais:
- Desencorajar simulações de lesões destinadas a quebrar o ritmo da partida.
- Reduzir perdas de tempo associadas a interrupções prolongadas.
- Proteger o espírito competitivo, evitando que as equipas utilizem a assistência médica como arma tática.
Com esta abordagem, a FIFA pretende travar um fenómeno que tem sido cada vez mais evidente, especialmente em jogos equilibrados ou em fases finais de competições internacionais.
Uma tendência que não é nova
A possível implementação desta regra surge na linha de pensamento que levou a FIFA, nos últimos anos, a adotar outras medidas para assegurar uma maior justiça temporal nas partidas. Entre elas:
- Períodos de compensação alargados, usados extensivamente no Mundial 2022 e agora replicados noutros campeonatos.
- Tempo efetivo mais controlado, com contabilização rigorosa das interrupções.
- Regra dos oito segundos que limita a demora dos guarda-redes a colocar a bola em jogo.
Estas mudanças refletem a intenção da FIFA de uniformizar comportamentos, aumentando a velocidade do jogo e diminuindo o espaço para manobras de antijogo.
O que podem pensar os jogadores e treinadores?
Embora ainda em fase de estudo, a regra promete gerar debate. Alguns pontos que deverão marcar a discussão:
- Risco de injustiça em casos de lesão real, sobretudo quando um jogador é vítima de falta dura e acaba por penalizar a sua própria equipa.
- Impacto tático, já que jogar dois minutos com menos um atleta pode alterar profundamente momentos de grande pressão.
- Responsabilidade dos árbitros, que terão de distinguir entre assistência necessária e interrupções duvidosas.
É provável que clubes e treinadores defendam exceções ou ajustes, enquanto muitos adeptos podem ver a medida como um passo necessário para travar um problema crónico.
Uma reforma que pode mudar a dinâmica do jogo
Se avançar, a regra dos dois minutos fora representará uma das mudanças mais significativas no futebol recente. Ao penalizar diretamente a equipa beneficiada pela interrupção, a FIFA procura devolver fluidez ao jogo e travar comportamentos que, ao longo dos anos, se tornaram parte da chamada “gestão de resultado”.






