Em plena luta pelo título mundial, o piloto australiano da McLaren, Oscar Piastri, fala sobre a pressão, a evolução pessoal e a cumplicidade com Lando Norris numa fase decisiva da temporada.
Na reta final de uma das temporadas mais emocionantes da F1 dos últimos anos, Oscar Piastri vive um momento decisivo da carreira. O jovem australiano da McLaren, apontado como uma das grandes promessas do desporto, enfrenta não só a pressão de lutar pelo título mundial, mas também a complexa dinâmica interna de uma equipa que tem em Lando Norris outro sério candidato à coroa. Entre altos e baixos, Piastri abriu o jogo sobre os desafios desta fase, o seu crescimento enquanto piloto e as lições aprendidas ao longo do caminho — incluindo um fim de semana que considera o mais difícil da sua carreira.

Oscar Piastri entre a pressão e a aprendizagem: “É para isto que se corre”
Com apenas três corridas por disputar — Las Vegas, Qatar e Abu Dhabi — a temporada de 2025 da F1 entra na sua reta final e a luta pelo título continua ao rubro. Oscar Piastri, piloto australiano da McLaren, está entre os candidatos, embora tenha perdido terreno nas últimas provas. Depois de ser ultrapassado pelo colega de equipa Lando Norris no GP do México e de perder mais pontos no Brasil, Piastri encontra-se agora 24 pontos atrás do britânico, enquanto Max Verstappen surge a 49 pontos do topo. Apesar da pressão, o piloto de 24 anos assegura estar a viver o sonho de qualquer competidor: disputar um campeonato mundial.
“Quando se está nesta posição, sim, há pressão envolvida. É difícil e, por vezes, desconfortável, mas prefiro muito mais estar um pouco desconfortável e lutar por um título do que apenas tentar somar pontos. É para isto que se corre — lutar por campeonatos, especialmente na F1. É para isto que se vive”, afirmou Piastri no podcast oficial da Fórmula 1, Beyond the Grid.
“A relação com Norris está melhor do que nunca”
Apesar da rivalidade natural entre dois pilotos que lutam pelo mesmo objetivo, Oscar Piastri fez questão de destacar a harmonia dentro da McLaren. O australiano sublinhou que a relação com Lando Norris está num dos melhores momentos desde que ambos partilham a garagem de Woking. “Acho que provavelmente está melhor do que nunca. É o nosso terceiro ano como companheiros de equipa, por isso conhecemo-nos melhor.
O que acontece na pista fica na pista. Ambos aprendemos a deixar as coisas arrefecerem rapidamente. O nosso feedback e os nossos objetivos continuam alinhados”, explicou. A convivência entre os dois tem sido apontada como um dos pilares do renascimento competitivo da McLaren, que este ano conseguiu colocar os seus dois carros de forma consistente no pódio, algo que há muito não acontecia.

O pior Grande Prémio da carreira? “Baku, sem dúvida”
Questionado sobre o seu pior fim de semana desde que entrou na F1, Oscar Piastri não hesitou: o GP do Azerbaijão, em Baku, foi o ponto mais baixo da sua trajetória. “Foi uma combinação de várias coisas. Em Monza já não tinha tido um bom fim de semana, e depois, em Baku, nada parecia funcionar. A sexta-feira foi difícil, estava a forçar demasiado, não estava satisfeito com a minha condução e, no fim, tentei compensar no sábado. Não há como contornar, foi o pior fim de semana que já tive em corridas”, reconheceu o australiano.
O jovem piloto, que não pontuou nessa prova, destacou ainda que esse episódio serviu como lição técnica e emocional para a sua evolução: “A quantidade de aprendizagem que tivemos desse fim de semana foi enorme. Olhar para isso de forma construtiva ajuda, mas ainda assim é preciso passar por esses momentos para crescer.”
Oscar Piastri – Full Baku 2025 race onboardpic.twitter.com/PhXHvxzivv
— Holiness (@F1BigData) September 21, 2025
De estreante a candidato ao título
Desde a sua estreia, em 2023, Oscar Piastri tem mostrado uma curva de evolução notável. No seu terceiro ano na F1, o australiano já é visto como um dos pilotos mais consistentes e maduros do pelotão. “Na minha primeira temporada achei que estava a lidar bem com tudo, mas quando fomos para as corridas fora de casa percebi que ainda tinha muito a aprender. Agora sei o que esperar e onde gastar a minha energia — essa foi uma das maiores lições”, afirmou.
O piloto destacou ainda o impacto da pré-temporada e do trabalho mental e físico na melhoria do seu desempenho: “Além dos resultados, tudo parece ter encaixado melhor este ano. As coisas fluem mais naturalmente. Trabalhámos arduamente na pré-temporada, não apenas para conduzir mais rápido, mas para melhorar mentalmente, fisicamente e na forma como colaboro com a equipa.”
Um final de temporada em alta tensão
Com Lando Norris a liderar e Oscar Piastri determinado em recuperar pontos, as próximas provas prometem ser decisivas para a McLaren, que vê pela primeira vez em muitos anos, dois dos seus pilotos a disputar um campeonato até ao fim. A equipa britânica, chefiada por Andrea Stella, tem mantido um discurso de equilíbrio, focando-se na consistência e na colaboração entre os dois pilotos — um fator que poderá ser determinante nas derradeiras corridas.
O Grande Prémio de Las Vegas, o próximo desafio, poderá redefinir as contas do campeonato. Se Oscar Piastri conseguir reduzir a diferença para Norris, o título pode ficar em aberto até Abu Dhabi. Caso contrário, o britânico poderá confirmar uma das épocas mais marcantes da McLaren na era moderna.











