F1 atravessa um período de menor entusiasmo a nível de competitividade
A Fórmula 1 atravessa um período de menor entusiasmo no que diz respeito à competitividade e ao espetáculo em pista. George Russell, piloto da Mercedes, resumiu o sentimento geral durante o Grande Prémio dos Estados Unidos: “A F1, neste momento, é uma corrida até à primeira curva. Não há degradação de pneus, não há diferenças entre os carros mais rápidos”.
Num desporto onde o entretenimento e o imediatismo são cada vez mais determinantes, a modalidade sente a pressão para introduzir alterações que devolvam a emoção às corridas. Durante o Grande Prémio de Itália, surgiram várias propostas, desde a realização de todos os fins de semana em formato sprint até à implementação de grelhas invertidas.
Em 2025, uma dessas ideias foi testada no Mónaco: a obrigatoriedade de realizar duas paragens nas boxes. No entanto, a experiência acabou por não produzir o efeito desejado. Pelo contrário, alterou a natureza da prova e levou as equipas a recorrerem a estratégias artificiais. Max Verstappen adiou a sua paragem até à última volta, enquanto os Williams formaram um “comboio” que beneficiou Carlos Sainz e Alexander Albon. “Manipulámos a corrida, como toda a gente”, reconheceu Sainz, visivelmente desiludido.
A falta de emoção foi atribuída, em parte, ao traçado de Monte Carlo — um circuito estreito e tradicional, que continua a dificultar ultrapassagens e a limitar o espetáculo.
Apesar das críticas, a Liberty Media, proprietária da Fórmula 1, e a própria organização não descartam a ideia das duas paragens obrigatórias. Segundo o portal italiano Motorsport, está em estudo a possibilidade de aplicar esta regra a todas as corridas já em 2026, em simultâneo com a entrada em vigor dos novos regulamentos técnicos. A proposta ainda terá de ser aprovada pela Comissão da F1.
A forma como a regra seria aplicada continua em aberto, mas o foco da discussão centra-se nos pneus da Pirelli. A atual durabilidade dos compostos reduziu a necessidade de paragens e tornou as estratégias mais previsíveis. Assim, qualquer alteração passará, inevitavelmente, por este elemento.
Entre as hipóteses em análise estão:
- Limitar o uso de cada jogo de pneus a 45% da distância total da corrida;
- Tornar obrigatória a utilização dos três compostos (macio, médio e duro) durante o Grande Prémio;
- Permitir liberdade total de escolha, permitindo, por exemplo, que uma equipa use dois jogos de pneus macios sem qualquer penalização.
A proposta ainda não é oficial e só poderá ser avaliada verdadeiramente em pista. Entretanto, alguns pilotos sugerem caminhos alternativos para melhorar o espetáculo. Fernando Alonso, por exemplo, considera que a solução pode estar nas boxes, mas rejeita “ideias loucas”. “Ninguém pede que um jogo de futebol dure menos tempo”, comparou o espanhol, defendendo o regresso da liberdade de gestão de combustível. “Quando se pode escolher a quantidade de combustível, a forma de correr muda e criam-se estratégias de corrida incrivelmente atrativas”, concluiu.










